Jurista sul-africana Navi Pillay ganha o Nobel da Paz
Por Deutsche Welle — Carta Capital
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Comitê norueguês destacou esforços da jurista para promover a paz e o direito internacional
O Prêmio Nobel da Paz de 2026 foi concedido à jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, “por seus esforços para promover a paz e o direito internacional”, anunciou nesta sexta-feira 9 o Comitê Nobel Norueguês.
De acordo com a organização, o compromisso de Navi Pillay com os princípios jurídicos universais e sua firme bússola moral são constantes em sua longa carreira. “Um fio condutor percorre desde seu trabalho inicial na defesa de Nelson Mandelae outros que se opuseram ao apartheid até sua atuação como juíza em alguns dos principais casos de tribunais internacionais de nossa época”, escreveu em seu site oficial.
“Sua distinta carreira nos lembra da necessidade de apoiar, fortalecer e expandir o Estado de Direito global. O compromisso de Navi Pillay com a justiça e a dignidade humana é uma fonte de esperança e inspiração para todos que buscam construir um mundo mais pacífico”, menciona o comunicado oficial.
Pillay, de ascendência tâmil indiana, cresceu na cidade costeira de Durban, no leste do país, sob o regime de segregação racial do apartheid. Na década de 1960 fundou seu próprio escritório de advocacia e tornou-se uma das primeiras mulheres de ascendência indiana a exercer advocacia, destacando-se na defesa de ativistas anti-‘apartheid’.
A sul-africana estudou na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, onde obteve o doutorado em ciências jurídicas em 1988. Foi nomeada para a Alta Corte da África do Sul em 1995.
Navi Pillay foi alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014 e, mais recentemente, liderou uma comissão da ONU que investigou violações de direitos humanos em Israel e nos territórios palestinianos. Esta comissão acusou Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza.
Enquanto juíza no Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, ajudou a estabelecer o marco jurídico internacional que reconhece a violação sexual como um ato de genocídio e crime de guerra.
“O Comitê Nobel Norueguês valoriza o papel de Navi Pillay como força motriz no desenvolvimento de um sistema internacional de direito e ordem, destacando também seu rigor jurídico, integridade pessoal e notável coragem”, diz a declaração oficial.
Pillay foi escolhida a vencedora entre as 287 nomeações recebidas, um quarto dos quais eram organizações.
“Em um momento em que o número de guerras e conflitos aumenta, e quando juízes e instituições de direito internacional sofrem ataques políticos, o Comitê Nobel deseja lembrar que a capacidade de resolver conflitos sem força ou violência depende do Estado de Direito internacional”.
“Um sistema jurídico internacional no qual criminosos de guerra são responsabilizados e as vítimas de abusos veem a justiça ser feita é uma condição prévia para um mundo pacífico.”
Especialistas afirmam que o comitê normalmente se concentra na durabilidade da paz, na promoção da fraternidade internacional e no trabalho silencioso de instituições que fortalecem esses objetivos.
O prêmio do ano passado foi concedido à oposicionista do governo do ex-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, María Corina Machado. Segundo o Comitê Norueguês do Nobel, Machado demonstrou que as ferramentas da democracia também são ferramentas da paz, acrescentando que a laureada personifica a esperança por um futuro diferente, no qual os direitos fundamentais dos cidadãos sejam protegidos e suas vozes sejam ouvidas.
Em 2024, o Nobel da Paz ficou com Nihon Hidankyo, um movimento popular de sobreviventes japoneses do bombardeio atômico que trabalham há décadas para manter o tabu em torno do uso de armas nucleares.
O Prêmio Nobel da Paz é o único dos prêmios Nobel anuais a ser concedido em Oslo, Noruega.
Desde a primeira cerimônia, em 1901, até 2024, a premiação havia sido entregue a 112 pessoas e 28 organizações. Os primeiros prêmios foram para o suíço Henri Dunant, fundador do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, e ao pacifista francês Frédéric Passy.
A premiação repassa 11 milhões de coroas suecas (cerca de 6,2 milhões de reais) aos vencedores.
Três prêmios já haviam sido anunciados nesta semana. O Nobel de Medicina foi concedido a três cientistas cujo trabalho levou ao desenvolvimento de uma ferramenta que utiliza a luz para ajudar a desvendar o funcionamento do cérebro.
Já o Nobel de Física reconheceu os esforços de um cientista para esclarecer um raro grupo de neutrinos.
Por sua vez, o Nobel de Química contemplou dois pesquisadores por desvendar misteriosas imagens espelhadas em moléculas, descoberta que contribuiu para o desenvolvimento de inúmeros medicamentos.
Na quinta-feira foi conhecida a vencedora do Nobel de Literatura, a canadense Anne Carson. O Prêmio Nobel de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, o fundador do prêmio, será divulgado na próxima segunda-feira.
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Fonte: Carta Capital