Junior Vilela amplia atuação nas eleições de 2026 e aposta em estratégia digital para campanhas políticas

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Por Mylenna Scheidegger — Jornal Opção

Junior Vilela amplia atuação nas eleições de 2026 e aposta em estratégia digital para campanhas políticas

As redes sociais deixaram de ser apenas uma ferramenta complementar nas campanhas eleitorais e passaram a ocupar um espaço cada vez mais estratégico na disputa pelo voto. Nas eleições de 2026, a produção de conteúdo, o monitoramento das plataformas, a segmentação de públicos e o tráfego pago foram utilizados de forma integrada por campanhas que buscaram ampliar a presença dos candidatos no meio digital.

A avaliação é de Junior Vilela, estrategista digital e responsável pela Viraclick, agência especializada em marketing político. Durante as eleições deste ano, a empresa trabalhou em 16 campanhas para diferentes cargos. Segundo o balanço apresentado por Junior, entre os trabalhos realizados pela agência estavam campanhas para governador, senador, deputado federal e deputado estadual.

Ao Jornal Opção, ele afirmou que a eleição deste ano mostrou uma valorização maior do digital, embora ainda não seja possível dizer que as redes sociais tenham sido determinantes isoladamente para os resultados eleitorais. “Reconheço muito que o digital teve uma grande influência nessas eleições. Não foi total ainda, mas posso afirmar que fez uma diferença muito grande”, afirma.

Para o estrategista, no entanto, o aumento da presença digital também trouxe um problema: campanhas que investiram valores elevados em publicidade sem necessariamente construir uma estratégia para aproveitar esse investimento.

Segundo Junior, houve uma espécie de “disputa de ego” entre campanhas para saber quem gastava mais com anúncios. O problema, na avaliação dele, é que o aumento do investimento nem sempre significou maior eficiência.

Ele cita como exemplo municípios pequenos, onde o número de pessoas disponíveis para serem alcançadas por anúncios nas plataformas é limitado. Nesses casos, campanhas teriam investido valores muito superiores ao necessário para atingir praticamente todo o público disponível.

O resultado foi a chamada fadiga de anúncios, quando uma mesma pessoa passa a receber repetidamente conteúdos de uma campanha. “Um investimento que mil reais atenderia, eles estavam colocando 10 mil reais e estava gerando uma fadiga de anúncios”, diz.

Sala de Junior Vilela | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Mais campanhas disputando o mesmo espaço

Outro efeito percebido pela agência foi o aumento da concorrência pelo espaço publicitário nas plataformas digitais.

Com diversas campanhas comprando anúncios simultaneamente, o custo para alcançar o público aumentou. Segundo Junior, o CPM, métrica que representa o custo por mil impressões, chegou, em alguns momentos, a ficar até oito vezes acima do valor normalmente cobrado pela Meta. “As pessoas gastaram muito desenfreadamente, sem um planejamento, sem um planejamento de conteúdo, sem uma estratégia, simplesmente apertando no botão gastar”, afirma.

Para ele, o cenário mostrou que o tráfego pago não pode ser tratado isoladamente. O anúncio precisa estar ligado a uma estratégia de comunicação, com definição de público, conteúdo e objetivo.

Uma das principais diferenças percebidas por Junior entre os trabalhos realizados pela Viraclick foi o momento em que a estratégia começou a ser construída.

Segundo ele, os candidatos que iniciaram o planejamento ainda na pré-campanha chegaram ao período eleitoral com uma estrutura digital mais organizada. Isso permitiu trabalhar previamente os públicos e, posteriormente, direcionar os conteúdos e anúncios de acordo com a estratégia definida. “Quem começou na pré-campanha teve êxito”, afirma.

Na avaliação dele, o cenário foi diferente entre candidatos que deixaram a estratégia digital para os últimos dias da campanha. “Quem começou tardiamente, apenas para falar que fez isso, apenas para falar que impulsionou, não obteve o êxito necessário”, diz.

Conteúdo passou a ser parte central da estratégia

O trabalho realizado pela agência também envolveu mais do que a compra de anúncios. Em uma das campanhas para deputado federal, Junior afirma que a Viraclick participou do planejamento da construção da imagem do candidato, da produção de conteúdo, do tráfego pago, da automação de respostas em plataformas como WhatsApp e Instagram e da construção de um site.

Em outro caso, a agência participou de uma reunião inicial que reuniu diferentes áreas da campanha, como assessoria de imprensa, produção de conteúdo, edição, criação de roteiros, tráfego pago e setores financeiro e jurídico. A ideia era fazer com que a comunicação não funcionasse de maneira fragmentada. “É assim que se faz uma campanha”, resume.

Para Junior, o anúncio não deve ser tratado apenas como uma forma de aumentar as visualizações. A estratégia precisa considerar o que se pretende alcançar e qual público deve receber determinada mensagem.

Ele cita, por exemplo, o uso de remarketing, estratégia que permite voltar a impactar pessoas que já tiveram algum contato com determinado conteúdo ou anúncio. “Não é apenas um anúncio visual ou anúncio de views de vídeo. Existe toda uma estratégia construída por trás desse anúncio”, afirma.

Apesar da importância do planejamento antecipado, a agência também recebeu campanhas em situações emergenciais.

Junior conta que um dos trabalhos começou quando faltavam cerca de 20 dias para o encerramento da campanha. O candidato já tinha mandato e atuação política, mas, segundo ele, enfrentava dificuldades para fazer sua comunicação chegar aos públicos e municípios desejados.

Nesse caso, o trabalho foi concentrado na distribuição digital do conteúdo. De acordo com Junior, o candidato acabou sendo reeleito. O exemplo, segundo ele, mostra a diferença entre uma campanha que chega ao período eleitoral com uma estrutura previamente construída e outra que precisa tentar organizar sua comunicação já na reta final.

Comunicação continua depois da eleição

A estratégia digital, na avaliação do especialista, também não deveria terminar com o encerramento da votação.

Junior defende que políticos mantenham uma equipe de comunicação estruturada durante todo o mandato, com profissionais responsáveis pela imprensa, produção audiovisual, redes sociais e interação com o público. “Todo político que tenha um pouco de consciência e valorize a comunicação, ele deve começar a partir de hoje, antes de assumir o cargo, já estruturar uma equipe de comunicação”, afirma.

Segundo ele, parte dos políticos atendidos pela Viraclick durante as eleições continuou trabalhando com a agência depois do resultado das urnas. A comunicação passa, nesse modelo, a fazer parte da rotina do mandato e não apenas da preparação para uma nova eleição.

Para Junior, os candidatos que mantiveram uma estrutura permanente foram justamente aqueles que não precisaram recorrer a soluções de última hora durante a campanha. “Os políticos que não fizeram isso foram aqueles que pediram socorro no finalzinho do tempo”, afirma.

Com algoritmos, formatos e regras em constante transformação, Junior afirma que o trabalho digital exige atualização permanente.

Segundo ele, não existe uma fórmula definitiva para o marketing nas redes sociais, já que as plataformas mudam constantemente a maneira como distribuem os conteúdos. “Não existe ninguém melhor dentro do mercado quando trata-se digital. Não tem especialista porque é uma plataforma que está em constante mudança”, afirma.

Para ele, o profissional que atua nessa área precisa acompanhar as mudanças e buscar conhecimento continuamente. A Viraclick encerrou as eleições de 2026 com uma equipe de 12 colaboradores, entre profissionais que trabalham presencialmente e em home office.

Parte da equipe da Viraclick | Foto: Victor Martins/Viraclick

Depois de uma eleição marcada pelo aumento da presença digital, a principal conclusão de Junior é que não basta simplesmente colocar dinheiro nos anúncios. Para ele, o resultado depende da combinação entre investimento, planejamento e produção de conteúdo. “O que eu vejo hoje no mercado é a cobrança muito grande do digital e o baixo investimento no digital. Então, se quer obter resultado, faça investimentos”, afirma.

Leia também: Junior Vilela, o estrategista digital por trás das campanhas políticas de Goiás

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Fonte: Jornal Opção

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