Jovem morto pela PMSP com 45 tiros é enterrado; imagens das câmeras seguem secretas
Por Abayomi Abebe — Esquerda Diário

No último sábado (10), a Polícia Militar de São Paulo assassinou um jovem desarmado em Moema após dispararem 45 tiros. No boletim de ocorrência, os quatro policiais alegaram que o jovem estaria em surto e teria os ameaçado com algum objeto, entretanto, foi encontrado apenas um celular junto à vítima e a família contesta o suposto surto.
Antes de qualquer coisa, enviamos toda a nossa solidariedade à família de Gustavo Munis de Santana, jovem de 20 anos, que trabalhava em um hospital e que foi enterrado hoje, segunda-feira dia 12/10, no cemitério de Congonhas da Zona Sul de São Paulo. Ele foi assassinado pela polícia no último sábado dia 10/10, numa situação absurda, onde a instituição foi acionada com um relato de um homem ameaçando tirar a própria vida e, ao chegar ao local, quatro policiais dispararam 45 vezes contra Gustavo, com 27 dos disparos acertando cabeça, pescoço, tórax, braços, mãos, pelve e pernas. O corpo do jovem ficou estirado na rua por mais de 10 horas até o IML autorizar a sua retirada, com a vítima e a família sendo completamente expostas.
Os policiais responsáveis pela execução, identificados como soldados Gomes, Sales, França e sargento Macedo foram afastados das ruas e tiveram suas armas apreendidas. A Secretaria de Segurança Pública de SP disse não tolerar desvios de seus agentes e instaurou um inquérito para investigar a situação, entretanto, não é de hoje que vemos a polícia paulista realizando execuções sumárias, chacinas, coerções, etc. O caso do Gustavo não é uma exceção, mas parte do funcionamento dessa instituição nojenta que são as polícias. Não é por acaso que até agora as gravações das câmeras corporais dos policiais não foram entregues pela PM para a Polícia Civil.
O caso acontece num estado que seguirá por mais quatro anos sob a gestão de Tarcísio de Freitas, um reacionário que não esconde sua sanha por sangue periférico, defendendo o fortalecimento do aparato policial, atacando os direitos dos trabalhadores, buscando privatizar tudo o que vê. É um fruto direto da árvore podre da Operação no Haiti, onde atuou na repressão e no massacre da população local, junto àqueles que assassinaram e estupraram milhares de pessoas enquanto vestiam fardas do exército brasileiro. Esse é o patriotismo que ele e seu candidato Flávio Bolsonaro representam: o patriotismo capacho do imperialismo, o patriotismo que se sustenta com os pés na garganta da população brasileira, reprimindo e assassinando nossa juventude e nossos trabalhadores para entregar as nossas riquezas de bandeja.
Para lutar por justiça para Gustavo e para acabar com a violência policial, é importante dizer que o Estado capitalista é responsável e não é possível confiar nas instituições policiais para investigarem seus próprios colegas. São instituições profundamente racistas que funcionam à base de sangue da população negra e periférica. A própria família do Gustavo já questionou a versão dos policiais, dizendo que ele fazia sim um tratamento com antidepressivos, mas que não tinha histórico de surtos ou de tentativas de suicídio, e que a execução teria sido simplesmente pelo fato de ele ser um jovem negro que morava na periferia. Estejamos com a família! As polícias merecem toda a nossa desconfiança, por isso é urgente que nos unamos reivindicando uma investigação independente, levada a frente por organismos de direitos humanos, especialistas comprometidos com a causa e com participação ativa dos familiares e amigos. Os movimentos sociais e sindicais devem se unir para dar uma resposta à altura para esse caso absurdo, que evidencia o racismo estatal a qual a juventude periférica é submetida dia a dia.
Fonte: Esquerda Diário