Jovem brasileiro do agreste sergipano é selecionado para a Conferência da ONU sobre a Água

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Um jovem nascido e criado no agreste sergipano se prepara para levar a voz do Nordeste do Brasil à mesa de decisões da diplomacia climática internacional. Erleyvaldo Bispo foi selecionado como um dos 100 Global Youth Water Envoys (Enviados Globais da Juventude para a Água), um programa oficial da 3ª Conferência da ONU sobre a Água. O evento acontecerá em dezembro deste ano, em Abu Dhabi, co-sediado pelo Senegal e pelos Emirados Árabes Unidos.
O jovem fundador da socialtech Águas Resilientes foi escolhido entre mais de 2.000 candidatos de todos os continentes do mundo. Sua organização tem como missão transformar a vida de comunidades afetadas pela falta de uma fonte segura de água potável, unindo tecnologia, educação e mobilização social.
Erleyvaldo não aprendeu sobre a escassez de água por meio de relatórios teóricos. Tendo crescido vendo comunidades inteiras dependerem de carros-pipa e poços secos, ele descreve a si mesmo como um “sobrevivente da falta de água no Brasil”.
“No momento em que incluem vozes como a minha, é, de fato, trazer pessoas que valorizam a água e que também trazem a importância de se avançar ainda mais rapidamente no acesso à água ao nível de Brasil como um todo”, avalia Bispo.
O jovem alerta que o tema deve ser encarado como uma questão de Estado. “Hoje em dia, infelizmente, ainda temos mais de 35 milhões de pessoas que não têm acesso a uma fonte segura de água. A nossa segurança nacional e a nossa soberania nacional estão ameaçadas […] ainda mais devido à questão da crise climática. Então precisamos promover uma transição justa para a segurança hídrica”, afirma.
Além de sua vivência, o ativista reforça o seu compromisso com a comunidade. “Não vou para Abu Dhabi representar apenas a mim mesmo. Vou levar a voz de milhares de brasileiros que acordam diariamente sem saber se terão água para beber”, afirma o jovem líder, ressaltando que a resiliência no agreste sergipano é uma questão de sobrevivência.
O programa de enviados da juventude, promovido pelo Arab Youth Center em parceria estratégica com o Ministério de Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, visa preparar os jovens líderes não apenas para serem observadores, mas para contribuírem ativamente na governança global da água. Bispo terá uma participação direta nos diálogos interativos do evento.
A participação de Bispo ocorre em um momento de extrema urgência climática. De acordo com um estudo do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago, divulgado em setembro de 2026, projeta-se que o Super El Niño pode causar até 13,3 mil mortes no Brasil até fevereiro de 2027. Essas estimativas se concentram sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, colocando o país como o quinto mais impactado do mundo por esse fenômeno climático.
A Conferência em Abu Dhabi representa um marco histórico, sendo apenas a terceira vez na história que a ONU realiza uma conferência global dedicada exclusivamente à água, sucedendo aos encontros de Mar del Plata (1977) e de Nova York (2023).

As expectativas para o evento, segundo Bispo, são “altíssimas”, lembrando o hiato de 46 anos entre a primeira e a segunda edição da conferência. “Essa conferência vem como algo muito estratégico”, não só para o Brasil, mas globalmente. Para o sergipano, a segurança nacional provém da resiliência frente às alterações do clima. A localização do evento, em uma região de fortes tensões geopolíticas no Oriente Médio, também não passa despercebida pelo jovem, que vê na água um pilar fundamental para a segurança dos países.
Ambientalmente, Bispo destaca a interdependência dos ecossistemas. “Evidenciamos ainda mais a importância da preservação da Amazônia e também dos outros biomas brasileiros, como a Caatinga, o Pantanal, o Pampa e o Cerrado, para a manutenção do ecossistema local e também global”, pontua. “Existe uma cooperação a partir do momento em que conseguimos preservar também as nossas florestas. Se o Brasil perde, outros países também perdem”.
O jovem vê sua ida a Abu Dhabi como uma missão que mostra a urgência de o mundo mudar a perspectiva do gerenciamento dos recursos naturais e hídricos, em especial. É, para ele, uma prioridade e também representa uma questão de segurança para o país e, consequentemente, para o mundo.
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Fonte: umsoplaneta

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