José Guimarães se reúne com Alcolumbre para tentar destravar fim da escala 6×1

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou nesta terça-feira (6) a articulação no Congresso para tentar acelerar a votação da Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de jornada para um de descanso.

Segundo O Globo, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, reuniu-se pela manhã com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em uma tentativa de destravar a tramitação da proposta. A medida é tratada pelo governo como prioridade e também como um possível ativo político para Lula no segundo turno da eleição presidencial.

A movimentação ocorre depois de Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O candidato do PL obteve 47,03% dos votos, contra 45,16% do presidente.

Aliados de Lula defendem que a campanha explore diretamente o contraste entre os dois candidatos em torno da jornada de trabalho. A estratégia é associar o presidente à ampliação do descanso semanal dos trabalhadores e destacar a resistência de Flávio Bolsonaro e de aliados do PL à proposta.

Dentro da base governista, a avaliação é que o tema pode ganhar espaço central na campanha justamente por tratar de uma mudança concreta na rotina dos trabalhadores.

— Nós temos que defender a PEC e expor quem está contra. Certamente não será votada nesta semana, porque tem o rito, tem que cumprir as cinco sessões — afirmou o senador Cid Gomes (PSB-CE), integrante da base de apoio ao governo.

Guimarães também afirmou que fazer a proposta avançar é uma das principais tarefas da articulação política nesta semana e classificou o tema como “prioridade”. O ministro minimizou a possibilidade de o resultado das eleições impedir a aprovação da medida.

A avaliação, no entanto, não é unânime entre governistas. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), reconheceu que “está mais difícil de aprovar” a PEC após o primeiro turno.

O aumento da dificuldade está relacionado tanto ao resultado da disputa presidencial quanto ao fortalecimento do PL no Congresso. Parlamentares governistas admitem que a nova correlação de forças pode reduzir o espaço para uma aprovação rápida da proposta no Senado.

Por isso, integrantes da base de Lula também defendem mobilização social para aumentar a pressão sobre os senadores.

Um parlamentar de partido do centro ouvido por O Globo afirmou que, no cenário atual, não haveria votos suficientes nem sequer para aprovar um interstício, instrumento que permitiria acelerar etapas da tramitação.

Como se trata de uma PEC, o texto precisa do apoio de ao menos 49 dos 81 senadores para ser aprovado.

Governo aposta na relação com Alcolumbre

Apesar das dificuldades, interlocutores do presidente avaliam que Davi Alcolumbre pode ter interesse em colaborar com a tramitação da proposta.

O cálculo político envolve a futura eleição para a presidência do Senado. Aliados de Lula acreditam que Alcolumbre precisará de votos da esquerda e de parlamentares ligados ao governo caso tente permanecer no comando da Casa.

Ao mesmo tempo, o PL sinaliza que pretende lançar um candidato próprio. O presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira que gostaria de ver o senador Rogério Marinho (PL-RN) na disputa.

Na avaliação de governistas, esse cenário pode ampliar o poder de negociação da base de Lula sobre Alcolumbre.

O presidente do Senado já havia dado um sinal favorável ao tema antes do primeiro turno, ao anunciar que levaria a PEC para análise da Casa. O gesto ocorreu dois dias antes da votação de domingo.

Na ocasião, integrantes do governo esperavam que a sinalização pudesse gerar ganhos eleitorais para Lula, o que não se confirmou nas urnas.

Articulação também envolve Hugo Motta

Além de Teresa Leitão, José Guimarães participou da reunião com Alcolumbre nesta terça-feira. O ministro também tem prevista uma conversa com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

A Câmara aprovou em maio a proposta relacionada ao fim da escala 6×1, e o governo tenta agora concentrar esforços para viabilizar seu avanço no Senado.

Integrantes da campanha de Lula também avaliam que as conversas com os presidentes das duas Casas podem incluir tratativas políticas mais amplas para o segundo turno.

A expectativa predominante é que União Brasil e Republicanos acabem formalizando apoio a Flávio Bolsonaro. Mesmo assim, aliados do presidente apostam na possibilidade de atrair setores das duas siglas e contar com a atuação individual de Alcolumbre e Motta na tramitação de pautas de interesse do governo.

Fonte: Brasil 247

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