José Genoino: “Lula tem chance de vencer a eleição no primeiro turno”

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Por Dafne AshtonBrasil 247

247 – O ex-presidente do PT José Genoino afirmou que a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vencer a eleição presidencial já no primeiro turno deve ser considerada na reta final da campanha. Em entrevista ao Bom Dia 247, da TV 247, ele avaliou que a disputa permanece apertada, mas sustentou que a combinação entre mobilização política, medidas do governo e concentração do voto pode ampliar o desempenho de Lula nos próximos dias.

“Essa eleição pode ser decidida no primeiro turno, pode”, afirmou Genoino. Para ele, a campanha entra agora em uma fase na qual mudanças ocorridas em poucos dias podem ter peso sobre o resultado. Sua avaliação parte, entre outros elementos, das pesquisas divulgadas nas últimas semanas e da redução do espaço ocupado pelas candidaturas que aparecem atrás de Lula e Flávio Bolsonaro.

O Datafolha divulgado na quinta-feira (17) registrou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 36%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Augusto Cury aparece com 6%, Ronaldo Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 2%. Brancos e nulos somam 6%, enquanto 3% dos entrevistados se declaram indecisos. O instituto ouviu 2.002 eleitores entre 15 e 17 de setembro.

Nos votos válidos calculados a partir do levantamento, Lula aparece com 43%, e Flávio, com 39%. O dado mostra que, no momento da pesquisa, nenhum candidato alcançava a maioria necessária para encerrar a disputa no primeiro turno. Ao mesmo tempo, a soma dos candidatos que aparecem abaixo dos dois primeiros deixa uma parcela do eleitorado em disputa na reta final. Pesquisas registram a intenção de voto no período em que são realizadas e não constituem previsão do resultado eleitoral.

É justamente nesse espaço que Genoino identifica uma possibilidade de mudança. Segundo ele, o esforço da campanha deve estar concentrado na conquista dos eleitores ainda indecisos e na ampliação da presença política nas ruas. “Vamos agora intensificar o discurso e o corpo a corpo para ganhar parte do eleitorado indeciso”, disse.

O ex-presidente do PT também argumentou que o desempenho de Lula deve ser observado levando em conta a sequência de acontecimentos políticos das últimas semanas. Em sua leitura, a campanha presidencial conseguiu preservar a posição de Lula nas pesquisas mesmo diante da crise que passou a ocupar o debate político nacional.

“Eu acho que a campanha tende a consolidar a dianteira do Lula, mesmo apertada”, afirmou. A avaliação de Genoino, porém, não encontra confirmação integral na rodada mais recente do Datafolha: embora Lula permaneça numericamente à frente, a diferença para Flávio caiu de quatro para três pontos entre os levantamentos de 11 e 17 de setembro, dentro da margem de erro. Em 11 de setembro, Lula tinha 39% e Flávio, 35%.

Genoino considera que a disputa pelos votos destinados às candidaturas menores será um dos fatores da reta final. Por isso, fez um apelo para que partidos de esquerda que apresentam candidaturas próprias reconsiderem sua posição antes da votação. “Faço um apelo para que os partidos de esquerda, PSTU, UP e PCB, nessa conjuntura, declarem já no primeiro turno voto em Lula”, afirmou.

A declaração ocorre em um momento no qual as campanhas dos dois primeiros colocados procuram atrair eleitores de outros candidatos. Segundo o Datafolha, Cury, Caiado, Renan e Zema somam 15% das intenções de voto. A migração desses votos, assim como o comportamento dos indecisos, pode alterar a composição dos votos válidos até o dia da eleição.

Outro elemento destacado por Genoino é a entrada de setores da sociedade na campanha. Ele citou manifestações de artistas e defendeu que movimentos sociais, estudantes, trabalhadores e militantes partidários ampliem sua participação na reta final. Para o ex-dirigente petista, a campanha não pode ficar limitada à propaganda eleitoral e às estruturas partidárias.

“O PT tem que levantar a cabeça e fazer mobilização de rua, ocupar as ruas, ter material, bandeira, cartaz, folheto. É fundamental”, disse. Genoino afirmou que tem participado diariamente de atividades de campanha e defendeu que o contato direto com o eleitor seja intensificado. “É campanha, campanha, campanha. Não há outro caminho.”

Na avaliação dele, a reta final pode concentrar movimentos eleitorais que normalmente ocorreriam em períodos mais longos. “Um dia vai valer uma semana e uma semana vai valer um mês”, afirmou. Por isso, considera que a campanha deve buscar eleitores que ainda não definiram o voto ou que podem reconsiderar sua escolha diante da proximidade da votação.

Genoino também relacionou a possibilidade de crescimento de Lula às medidas econômicas e sociais anunciadas pelo governo. Ele citou políticas de renda e investimentos sociais como fatores que, em sua avaliação, ainda podem repercutir no comportamento eleitoral. “Eu acho que elas vão ter um impacto muito significativo no final do primeiro turno”, disse.

O reajuste de 15,04% do Bolsa Família foi anunciado depois da coleta da rodada mais recente do Datafolha e, portanto, seu eventual efeito eleitoral não aparece naquele levantamento. Antes do anúncio, Lula registrava 53% das intenções de voto entre beneficiários do programa, contra 28% de Flávio Bolsonaro. Entre os eleitores que não recebem o benefício, os números eram 36% para Lula e 37% para Flávio.

Para Genoino, no entanto, medidas de governo não substituem a campanha. Ele insistiu que o resultado dependerá da capacidade de transformar apoio político em mobilização e voto, especialmente nos últimos dias. “Nós temos que transformar a nossa indignação em luta política, mobilização, corpo a corpo, convencendo os indecisos, convencendo aqueles que estão em dúvida”, afirmou.

Ao sintetizar sua leitura do cenário, o ex-presidente do PT evitou tratar a vitória no primeiro turno como resultado assegurado. Sua avaliação é de que existe uma possibilidade aberta, condicionada ao comportamento do eleitorado e ao desempenho das campanhas até a votação.

“Eu acho que dá. Nós temos condições, numa disputa apertadíssima, de ganhar essa eleição”, afirmou Genoino. Para ele, a reta final deve ser marcada pela tentativa de ampliar o voto em Lula e transformar a vantagem numérica registrada nas pesquisas em maioria dos votos válidos já no primeiro turno.

Fonte: Brasil 247

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