Jornada de luta na Argentina contra os decretos ultraliberais de Milei e a ofensiva imperialista
Por Redação — Esquerda Diário
Pontos-chave
– Nesta quinta-feira, na Câmara dos Deputados da Argentina, grande parte da oposição a Milei buscará realizar uma sessão especial para tratar de vários pontos: a revogação do DNU 70/2023 (já rejeitado pelo Senado em 2024) e a votação de projetos sobre Pessoas com Deficiência (PcD), financiamento universitário e endividamento familiar. Como explicado em outra reportagem, a convocação é para as 14h e ainda não se sabe se haverá quórum. Governadores peronistas e da ex-coligação Juntos por el Cambio estão sob os holofotes, enquanto o Governo segue manobrando para frustrar a sessão.
– O DNU 70/2023 precisa ser sepultado. Assinado em dezembro de 2023, o decreto de Milei alterou regulamentações econômicas, trabalhistas e sociais, afetando diretamente as condições de vida de toda a classe trabalhadora, inquilinos, povos originários e da população em geral. Revogou a Lei de Inquilinato (gerando mais benefícios para proprietários); desregulou os planos de saúde (medicina prepaga, com grandes aumentos sem controle); liberou condições de financiamento e taxas de juros (provocando endividamento massivo e favorecendo agiotas) e revogou a Lei de Terras Rurais (avançando na estrangeirização do território).
– É preciso conter a estrangeirização da terra. Milei quer facilitar a compra massiva de território por estrangeiros sem os limites impostos pela legislação anterior. Estão em jogo o controle do território, áreas fronteiriças, terras produtivas e bens naturais comuns. As recentes intervenções da Suprema Corte deixaram em evidência uma questão na qual o Governo tenta consolidar as bases para a entrega da soberania.
– Contra a intervenção dos Estados Unidos. O pano de fundo é a ingerência do governo de Donald Trump na região. Seu apoio a Milei aprofunda a intervenção econômica americana no país, assim como diversas ações de Washington na América Latina. Observando como a juventude e os trabalhadores se levantam na Europa e em outras partes do mundo, a mobilização também serve para denunciar o avanço imperialista.
– Por uma paralisação nacional ativa e uma greve geral. Esta quinta-feira deve ser um ponto de apoio para medidas de força mais contundentes. As lideranças da CGT e das CTAs devem convocar uma paralisação nacional ativa no caminho rumo a uma greve geral. A coordenação entre sindicatos, organizações sociais, estudantis, ambientalistas, comunidades indígenas, a esquerda e demais setores é fundamental para dobrar o Governo e seus cúmplices.
Myriam Bregman, Nicolás del Caño e a esquerda argentina estão profundamente identificados com o movimento nas ruas e no parlamento pela derrota do DNU desde 2023, e isso os faz crescer. Politicamente, Myriam Bregman (dirigente do PTS, organização irmã do MRT na Argentina) converteu-se na figura política com maior avaliação positiva na Argentina – acima do próprio Milei, e de Cristina Kirchner, nestes últimos cinco meses. Esta estima política da esquerda (neste caso, do trotskismo) em setores ampliados de massas na Argentina é um fenômeno totalmente novo. É um índice de que, mesmo em um governo de extrema direita, um programa anticapitalista e revolucionário, ancorado na luta de classes e baseado no impulso da autoorganização de trabalhadores e jovens, pode alcançar peso de massas. A aparição desta força política sem qualquer moderação ajudou a aprofundar a crise histórica do peronismo.
Trata-se de um momento muito importante na Argentina, e que seguiremos acompanhando no Esquerda Diário.
Fonte: Esquerda Diário