Jeffrey Sachs projeta derrocada de Trump: ‘Casa Branca está prestes a entrar em uma paralisia política irreversível’

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Por João Antonio Cunha — Brasil 247

247 – O economista Jeffrey Sachs fez um duro prognóstico sobre o futuro imediato do governo dos Estados Unidos. Durante participação no programa Judging Freedom, apresentado pelo juiz e comentarista constitucional Andrew Napolitano, Sachs projetou que o presidente Donald Trump se tornará um “lame duck” (pato manco, termo utilizado na política dos EUA para líderes sem força política para aprovar pautas ou governar com autoridade) em um prazo de apenas três semanas.

A declaração ocorre em um momento de extrema volatilidade geopolítica e doméstica nos Estados Unidos, antecedendo as cruciais eleições de meio de mandato (midterm elections).

A corrosão da hegemonia e o atoleiro geopolítico

Durante a entrevista com Napolitano, Jeffrey Sachs abordou os principais eixos que vêm corroendo a credibilidade da política externa de Washington. Na avaliação do economista, as estratégias impostas pelo establishment norte-americano, marcadas pela escalada de sanções unilaterais, pelo apoio a conflitos prolongados no Leste Europeu e no Oriente Médio e pela tentativa contínua de isolar potências como Rússia e China, falharam em consolidar o domínio dos EUA e geraram um efeito rebote no cenário econômico global.

Sachs destacou que a crise de governabilidade enfrentada por Washington decorre da incapacidade da elite política de reconhecer a consolidação de uma ordem mundial multipolar. Em vez de buscar acordos diplomáticos e paz negociada, Washington insiste em manter posturas belicistas que alienam o Sul Global e pressionam as cadeias produtivas globais.

“A perda de coesão interna e o desgaste com guerras incessantes atingiram o limite da tolerância do eleitorado norte-americano. A Casa Branca está prestes a entrar em uma paralisia política irreversível”, argumenta a análise apresentada na entrevista.

O cálculo das ‘Midterms’ e o esvaziamento do poder

A projeção de Sachs sobre a perda de capital político em curtíssimo prazo reflete a contagem regressiva para a renovação do Congresso dos Estados Unidos. O analista enfatiza que o resultado das urnas deve consolidar a divisão do poder legislativo ou impor uma derrota decisiva à agenda da Casa Branca, retirando a margem de manobra do executivo.

Historicamente, o termo “lame duck” é aplicado ao período em que um presidente enfrenta um Congresso dominado pela oposição ou o esvaziamento de sua base aliada. Para Sachs, contudo, o fenômeno agora se antecipa devido ao esgotamento do modelo de sanções e guerras por procuração (proxy wars), que deixaram a economia dos EUA vulnerável à inflação e ao descontentamento social.

Impactos no Sul Global e no Brasil

A análise de Jeffrey Sachs ecoa com força nos países em desenvolvimento e no bloco dos BRICS. Uma eventual paralisia na capacidade de reação da política externa norte-americana abre margem para o fortalecimento da diplomacia multipolar liderada por nações do Sul Global, como o Brasil.

À medida que Washington perde tração para impor sanções e ditar rumos no comércio internacional, cresce o espaço para transações em moedas locais e para a consolidação de fóruns de cooperação fora do eixo ocidental.

Fonte: Brasil 247

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