Jandira Feghali: “Flávio Bolsonaro não aguenta um debate com Lula”

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Por Dafne Ashton — Brasil 247

247 – A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) avalia que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria dificuldades para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um debate direto na campanha presidencial. Para ela, a diferença de experiência política e de trajetória entre os dois candidatos ficaria evidente em um confronto sobre os principais temas nacionais.

A avaliação foi feita em entrevista ao jornalista Joaquim de Carvalho, no Brasil 247, durante uma análise da reta final da campanha e da possibilidade de Lula participar do último debate televisivo antes do primeiro turno. Jandira defendeu a presença do presidente e afirmou que não vê Flávio Bolsonaro em condições de sustentar um confronto político com ele.

“Eu acho que o Lula com o Flávio num debate, o Flávio sai amassado, destruído, porque ele não tem argumento para enfrentar o Lula nesse momento”, afirmou.

Apesar de defender a participação de Lula, Jandira reconheceu que a decisão envolve um cálculo mais complexo do que simplesmente medir as condições de um confronto com Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, o presidente dividiria o palco com vários candidatos, alguns deles concentrados em fazer oposição ao governo. Esse cenário, segundo ela, ajuda a explicar as dúvidas existentes dentro da coordenação da campanha.

“A questão não é o Flávio. A questão é que você vai estar lá para segurar o Flávio”, disse. Questionada sobre a possibilidade de Lula se tornar alvo dos demais adversários, acrescentou: “É verdade também. Eu acho que é por isso que a coordenação está debatendo o assunto, se deve ou não ir.”

A deputada ponderou, no entanto, que a ausência do presidente também apresenta riscos. Sem Lula no palco, os demais candidatos poderiam direcionar críticas ao governo sem que houvesse uma resposta imediata. “A ausência dele, vão bater nele do mesmo jeito, sem resposta, porque todos irão”, observou.

Para Jandira, a dinâmica seria diferente em um eventual segundo turno. Um debate exclusivamente entre Lula e Flávio permitiria, segundo sua avaliação, uma comparação mais direta entre as trajetórias dos candidatos e seus projetos para o país.

“Se houver segundo turno, o enfrentamento é só com Flávio. Aí talvez esteja valendo ser melhor fazer o enfrentamento”, afirmou. A parlamentar, entretanto, disse trabalhar para que a eleição seja definida já na primeira votação. “Eu gostaria muito que nem tivesse segundo turno, que a gente matasse esse jogo no primeiro turno. Esse é o nosso esforço.”

Ao explicar por que considera favorável a Lula um confronto direto, Jandira destacou a experiência acumulada pelo presidente em diferentes mandatos e sua atuação na política nacional e internacional. Na avaliação da deputada, Flávio Bolsonaro teria de responder não apenas pelas propostas que apresenta para o futuro, mas também por sua própria trajetória parlamentar.

“O Lula tem uma história de vida, tem uma história nesse país, é uma liderança respeitada internacionalmente, no mundo todo”, declarou.

Jandira também recuperou uma experiência pessoal com Flávio Bolsonaro em um debate de uma eleição municipal no Rio de Janeiro. Os dois eram candidatos e, segundo ela, não chegaram a se enfrentar diretamente naquele programa. O episódio ficou marcado porque Flávio passou mal durante a transmissão.

Médica formada e especialista em cardiologia infantil, Jandira contou que percebeu que ele estava prestes a cair e correu para ajudá-lo ao lado de outro candidato. “Eu percebi que tinham feito uma pergunta a ele e ele ficou em silêncio. Quando eu olhei, ele estava de fato inclinando para trás para cair. Eu vi que ele ia cair e, intuitivamente, porque nós não somos iguais a eles, eu corri para segurar.”

A parlamentar afirmou que pediu a interrupção do debate para que Flávio pudesse receber atendimento. Ao recordar o episódio, porém, ressaltou que sua experiência naquele programa não alterou a avaliação política que faz atualmente sobre a capacidade do senador de enfrentar Lula.

“Debater com o Flávio não é problema. Para mim não foi. Para o Lula também, na minha opinião, não será.”

Para Jandira, um eventual debate entre os dois deveria ir além das trocas de acusações e expor as diferenças entre os projetos apresentados ao eleitorado. A deputada citou desenvolvimento econômico, soberania nacional, empresas públicas, universidades, ciência, cultura, segurança e política industrial entre os temas que considera centrais para a definição do próximo governo.

Na avaliação da parlamentar, Lula precisa combinar o balanço das políticas adotadas durante seu atual mandato com uma agenda voltada para os próximos anos. Ela mencionou a soberania digital, a retomada industrial, investimentos em universidades, cultura e defesa, além da preservação de empresas estatais consideradas estratégicas.

“Tem uma agenda aí de futuro, porque essa eleição, na minha opinião, não vai decidir quatro anos. Ela vai decidir 2050, vai decidir 2060. Não é uma eleição para quatro anos”, afirmou.

Essa discussão foi associada por Jandira à soberania brasileira. Durante a entrevista, ela também acusou o governo dos Estados Unidos de interferir no processo político nacional e afirmou que o Brasil precisa preservar sua autonomia diante de pressões externas.

A deputada relatou uma viagem aos Estados Unidos realizada com outros parlamentares brasileiros para apresentar a congressistas, representantes da sociedade civil e integrantes de organismos internacionais a posição do grupo sobre os acontecimentos políticos no Brasil. Segundo ela, a delegação buscou fazer um contraponto às informações levadas aos Estados Unidos por aliados da família Bolsonaro.

Jandira afirmou que os parlamentares brasileiros entregaram documentos sobre temas como tarifas impostas ao Brasil, investigações financeiras e mecanismos de cooperação no combate ao crime organizado. Para a deputada, essa cooperação deve ocorrer dentro dos canais institucionais e sem que autoridades estrangeiras ultrapassem as competências do Estado brasileiro.

Na avaliação de Jandira, a discussão sobre interferência externa também deve aparecer na campanha porque está diretamente relacionada aos modelos de inserção internacional apresentados pelos candidatos. Para ela, a eleição coloca em disputa a capacidade do Brasil de formular sua própria política econômica e externa e de controlar recursos considerados estratégicos.

É nesse contexto que a deputada considera particularmente relevante um eventual confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro. Na sua leitura, o debate permitiria colocar frente a frente não apenas duas candidaturas, mas concepções distintas sobre desenvolvimento, democracia e soberania.

Na reta final da campanha, Jandira defendeu ainda a ampliação da mobilização política nas ruas e nas redes sociais. Candidata à reeleição para a Câmara dos Deputados, afirmou que pretende dedicar os últimos dias antes da votação às atividades de campanha no Rio de Janeiro.

“Essa onda de chegada nós temos que reconstruir. Fazer essa onda de chegada nas ruas e nas redes, nos dois lugares”, afirmou.

Para a parlamentar, a última etapa da disputa deve ser utilizada para apresentar ao eleitorado as diferenças entre os projetos em discussão e ampliar a participação política antes da votação. Dentro dessa estratégia, Jandira sustenta que Lula não deveria evitar um confronto direto com Flávio Bolsonaro. Ao contrário, considera que um debate entre os dois permitiria ao presidente explorar sua experiência de governo e obrigaria o adversário a responder diretamente sobre suas propostas e sua trajetória política.

Fonte: Brasil 247

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