Já não basta bater recorde para a Embraer (EMBJ3)? Entregas do terceiro trimestre dividem JP Morgan e Santander
Por Isabella Scaramucci — Seu Dinheiro

Nem mesmo (mais um) um recorde foi capaz de gerar consenso sobre a Embraer (EMBJ3). Após a fabricante registrar o maior volume de entregas para um terceiro trimestre, JP Morgan e Santander analisaram os mesmos números, mas chegaram a conclusões diferentes.
O banco norte-americano enxergou o copo meio vazio: as entregas ficaram abaixo de suas projeções, sustentando uma visão ligeiramente negativa ao curto prazo. Já o Santander preferiu enxergar o copo meio cheio e classificou o resultado como moderadamente positivo.
As ações da fabricante listada na bolsa brasileira já sentem os efeitos da divergência. Nesta sexta-feira (2), os papéis viveram altos e baixos durante o pregão hoje. Depois de recuar perto de 1,76%, por volta das 15h a ação subia 1%.
As entregas recordes da Embraer
A Embraer entregou 66 aeronaves no terceiro trimestre de 2026, um recorde para o período e uma alta de 6% na comparação anual. Para efeito de comparação, no acumulado do ano, foram 175 aeronaves, contra 153 no de 2025.
A fabricante entregou 22 aeronaves comerciais, ante 20 no mesmo período do ano passado. Foram 41 jatos executivos — número estável na comparação annual — e três aeronaves de Defesa e Segurança, sendo um C-390 Millennium e dois A-29 Super Tucanos.
Mas, na bolsa, não basta bater recordes. É preciso superar a altitude prevista pelos analistas. E foi justamente aí que JP Morgan e Santander se desentenderam.
O que JP Morgan diz
Para o período, o JP Morgan projetava 70 entregas. Embora a Embraer tenha anunciado 66 aeronaves, o banco considerou 64 em sua base comparável, excluindo os dois Super Tucanos que não integravam a estimativa original.
Assim, o volume ficou cerca de 9% abaixo do esperado pela instituição, o que a fez adotar uma leitura ligeiramente negativa para o curto prazo.
A cautela, porém, não significou uma mudança na tese de investimento: o JP Morgan manteve a recomendação overweight (equivalente à compra) para EMBJ3.
Na última atualização de valuation, em agosto, o banco estabeleceu preço-alvo de R$ 135 para a ação brasileira — com potencial de valorização de 39,1% — e de US$ 104 para o ADR EMBJ negociado em Nova York, ambos para o fim de 2027.
A visão do Santander
O Santander adotou uma leitura diferente e classificou o recorde da Embraer como moderadamente positivo, embora as entregas também tenham ficado abaixo de suas projeções.
Pela soma das estimativas do banco, também eram esperadas 70 aeronaves. Como a fabricante entregou 66 unidades, das quais todas foram consideradas, o resultado ficou 5,7% abaixo da projeção.
Para o Santander, o mais importante não foi a entrega, mas a constância. Os números indicam que a Embraer está conseguindo distribuir melhor a produção ao longo do ano, sem deixar grande parte delas concentrada no último trimestre. Isso pode tornar a geração de caixa mais regular e previsível.
O banco também avalia que as metas estabelecidas pela Embraer para 2026 continuam alcançáveis, e traçou o preço-alvo de EMBJ em US$ 106 para o fim de 2027.
*Sob supervisão de Karin Salomão.
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Fonte: Seu Dinheiro