“Isso não ganha voto”: por que o ajuste fiscal deve ficar para depois da eleição, segundo Bruno Funchal, ex-secretário do Tesouro
Por Seu Dinheiro — Seu Dinheiro

O próximo presidente precisará encarar o ajuste das contas públicas, mas o tema pode chegar à eleição sem respostas muito claras sobre como encarar o problema fiscal. Essa é a avaliação de Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset e ex-secretário do Tesouro Nacional.
“A gente não vai ver essa discussão na eleição. Isso não ganha voto”, afirmou Funchal nesta terça-feira (29), durante painel em evento da TAG Investimentos em parceria com o podcast Market Makers.
Com experiência na “chave do cofre” do governo federal — Funchal comandou o Tesouro Nacional entre 2020 e 2021 —, o executivo avalia que o desafio hoje está menos na falta de alternativas e mais na pouca margem de manobra do Orçamento.
Afinal, grande parte das despesas federais segue presa a regras de vinculação, indexação ou crescimento automático, o que limita a margem para remanejar recursos ou conter a alta dos gastos.
É nesse cenário que Funchal enxerga um dos principais desafios para o governo que assumir em 2027.
Entre as possibilidades que poderiam fazer parte de um pacote fiscal, o executivo cita mudanças nas regras de cálculo dos pisos de saúde e educação e em despesas como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Funchal ressalta, porém, que essas são apenas possibilidades em discussão, e não propostas apresentadas pelos candidatos.
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O salário mínimo também entra na conta do problema fiscal
Outro ponto sensível para o problema fiscal do Brasil é o salário mínimo, que serve de referência para uma série de benefícios previdenciários e assistenciais. O projeto de Orçamento de 2027 (PLOA) prevê o piso em R$ 1.741, com aumento real estimado em 2,3%.
Funchal afirmou que também não vê disposição para discutir uma mudança nessa regra durante a campanha. “Ninguém fala do salário mínimo, mesmo a portas fechadas”, disse.
Para o executivo, a condução de um eventual ajuste dependerá diretamente do próximo presidente.
“Quem é que faz ajuste fiscal? É o chefe do Executivo, presidente da República, e os governos dos Estados. Não é o ministro, não é o secretário”, afirmou.
A discussão chega enquanto o PLOA de 2027 prevê um superávit primário de R$ 18,6 bilhões, considerando todas as receitas e despesas primárias. A proposta também reserva R$ 272,2 bilhões para a saúde e R$ 141,2 bilhões para a educação.
*Com informações do Money Times.
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Fonte: Seu Dinheiro