Internet grátis nas eleições pode derrubar sinal de celulares, alerta Anatel

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Por Mylenna Scheidegger — Jornal Opção

Internet grátis nas eleições pode derrubar sinal de celulares, alerta Anatel

A liberação gratuita e irrestrita da internet móvel durante as eleições pode sobrecarregar as redes de telefonia e até provocar a interrupção do sinal em celulares. O alerta foi feito pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ao Supremo Tribunal Federal (STF), em manifestação sobre um pedido para que as operadoras liberem o acesso à internet nos dias que antecedem e sucedem cada turno das eleições de 2026.

A solicitação foi apresentada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e pelo Partido Verde (PV). As entidades querem que a internet móvel seja disponibilizada em todo o país nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores a cada votação.

O pedido chegou ao STF com o argumento de que a limitação das franquias, principalmente nos planos pré-pagos, pode dificultar o acesso à informação. Quando os dados contratados acabam, a velocidade da conexão costuma ser reduzida, enquanto alguns aplicativos permanecem funcionando por terem o tráfego patrocinado pelas próprias empresas.

Para a CNTE e o PV, isso pode pesar justamente em um período em que o eleitor precisa consultar informações, conferir notícias e verificar conteúdos que circulam nas redes. As entidades relacionam a dificuldade de acesso a sites e outras fontes de informação ao risco de desinformação durante a campanha e nos dias de votação.

Anatel vê risco de queda no sinal

A preocupação apresentada pela Anatel é outra. Para a agência, liberar o tráfego de dados sem restrições em datas específicas poderia fazer o consumo disparar de uma hora para outra.

A explicação está na forma como funciona a rede móvel. A conexão dos celulares depende de faixas limitadas do espectro eletromagnético para transmitir os dados. Por isso, diferentemente de uma rede fixa, não basta ampliar a capacidade da estrutura para absorver qualquer aumento repentino de demanda.

A Anatel considera que a medida poderia levar usuários a antecipar downloads, assistir a mais vídeos e utilizar serviços de streaming, por exemplo. Com muita gente fazendo isso ao mesmo tempo, o volume de tráfego aumentaria justamente nos dias de maior concentração de pessoas.

O problema poderia ser ainda mais perceptível nas proximidades das zonas eleitorais. Segundo a agência, o excesso de tráfego nesses locais poderia provocar congestionamento e queda de sinal, afetando a comunicação dos usuários. A Anatel também questionou a relação entre acesso à internet e combate à desinformação. Na avaliação do órgão, as chamadas fake news envolvem questões sociais e regulatórias que não seriam resolvidas apenas com a ampliação da conectividade móvel.

Outro dado citado pela agência vem de uma pesquisa realizada em 2025. O levantamento apontou que 70% dos usuários de franquias móveis pré-pagas recorrem a conexões Wi-Fi fixas, em casa ou em outros locais, para evitar o consumo da franquia de dados.

Decisão está nas mãos do STF

O posicionamento da Anatel foi enviado ao ministro Cristiano Zanin depois que ele determinou que a agência se manifestasse sobre o pedido apresentado pelas entidades. Zanin ainda deverá receber o parecer da Procuradoria-Geral da República antes de decidir sobre a liminar.

Além do possível impacto na rede, a Anatel levantou questões técnicas e regulatórias e afirmou que a definição das regras para o setor de telecomunicações é uma atribuição da própria agência. Até o momento, portanto, não há determinação para que as operadoras liberem a internet móvel aos clientes que atingirem o limite de suas franquias.

O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro. Se houver segundo turno nas disputas para presidente ou governador, a votação será realizada em 25 de outubro.

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Fonte: Jornal Opção

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