Interferência dos EUA nas eleições envolve promessa por terras raras, dizem Lula e PT

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Por Danilo VitalConsultor Jurídico

Mais do que alinhamento institucional e ideológico, a interferência dos Estados Unidos na eleições brasileiras teria como recompensa o acesso a ativos econômicos e materiais caros à superpotência: minerais críticos e terras raras.

X/Reprodução
Flávio Bolsonaro estaria sendo beneficiado pela interferência de Donald Trump nas eleições

Esse é o cenário que a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores pediram para o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal investigarem, em petições protocoladas na quarta-feira (23/9).

No TSE, o caso tramita como ação de investigação judicial eleitoral, apontando a interferência americana no processo eleitoral brasileiro como abuso de poder econômico em favor de Flávio Bolsonaro e por meio de seu irmão, Eduardo.

No STF, a petição foi feita na ADPF 1.178, em que o tribunal limitou a eficácia interna de atos unilaterais estrangeiros. A ação, originalmente, trata do pagamento de honorários de êxito no processo sobre o desastre de Mariana que tramita na Justiça inglesa.

O PT pediu ao Supremo a abertura de inquérito por indícios de execução interna de atos estrangeiros, o que ofenderia a decisão anterior. Dentre esses atos estão os de impacto no processo eleitoral, com a promessa das terras raras.

Elas incluem grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a produção de componentes eletrônicos. Não são exatamente escassas, mas estão dispersas e precisam ser processadas de forma complexa, poluente e cara para extração e separação.

Os Estados Unidos têm investido na produção desses elementos em outros países, de forma a reduzir sua dependência da indústria chinesa e em busca de autonomia industrial. É aí que entra o interesse no Brasil.

Terras raras no horizonte

Segundo as petições enviadas ao TSE e STF, o uso das terras raras como moeda de troca surge a partir de um memorando estratégico produzido pelo humorista e candidato ao governo do Rio de Janeiro, André Marinho (Novo).

Ele é filho de Paulo Marinho, suplente de Flávio no Senado. O documento foi produzido em março com diretrizes de parceria entre Brasil e Estados Unidos para a exploração desses minerais críticos “em eventual governo de Flávio Bolsonaro”.

Poucos dias depois, Flávio discursou em conferência de políticos conservadores (Cpac) nos Estados Unidos e declarou que “o Brasil é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China em terras-raras e minerais críticos”.

Em abril, Marinho foi recebido por J.D. Vance, vice-presidente dos Estados Unidos e cofundador da Rockbridge, uma organização política privada que faz captação de recursos para financiar campanhas e movimentos alinhados à agenda republicana e conservadora.

E em maio, foi registrada no estado do Wyoming (EUA) a Rockbridge Brazil LLC, tendo Chris Applegate, assessor de J.D. Vance como organizer. No mesmo mês, foi registrada a Sng Consult Empresarial, do empresário brasileiro Pedro Sang.

Isso é relevante porque, segundo a coligação de Lula e o PT, Sang é o operador da Rockbridge no Brasil. Ele estabeleceu relação com a organização americana por intermédio de André Marinho, em visita aos EUA para evento em outubro de 2025.

Além disso, trabalha presencialmente no comitê central de campanha de Flávio Bolsonaro, em São Paulo. À imprensa, conforme relata a petição, o empresário negou que exista financiamento direto da Rockbridge, mas não detalhou quem remunera sua atuação profissional.

Precisa investigar

É isso que a coligação de Lula e o PT querem que TSE e Supremo investiguem. A suspeita é de que a Rockbridge esteja financiando indiretamente a campanha de Flávio Bolsonaro nas eleições brasileiras, por meio da empresa de Sang.

Na seara eleitoral, abrir-se-ia a hipótese de doação estimável em dinheiro de fonte estrangeira, vedada pela legislação eleitoral.

Para Angelo Ferraro, coordenador jurídico da campanha de Lula, o ponto central é esclarecer se houve utilização de recursos ou estruturas estrangeiras para influenciar o processo eleitoral brasileiro.

“O que estamos pedindo é que os fatos sejam esclarecidos, especialmente quanto à origem dos recursos, à atuação de agentes estrangeiros e a eventuais benefícios eleitorais. Uma eleição soberana exige transparência sobre quem está financiando e promovendo ações destinadas a influenciar o eleitor brasileiro”, avalia.

Já no STF, discute-se violação direta da soberania nacional brasileira e do regime democrático, além de descumprimento de ordem judicial do ministro Flávio Dino.

Esse encadeamento de fatos é baseado em documentos e informações públicos e registros feitos pela imprensa brasileira. Há ainda publicações de Renan Santos (Missão), candidato à presidência e que disse ter documentos relativos a financiamento estrangeiro de campanha.

Segundo ele, essa operação financeira do exterior foi intermediada pela Rockbridge, por Pedro Sang e por Tallis Gomes — esse último, outro empresário ligado à entidade americana e que, publicamente, negou arrecadação financeira formal para a campanha.

Renan Santos fez essas acusações em 11 de setembro. A coligação de Lula então pediu ao TSE para apurar, em petição que tramita em segredo de Justiça no TSE sob o número 0601985-38.2026.6.00.0000.

A Rockbridge, inclusive, já está investindo na exploração de terras raras na Bahia, segundo reportagem a newsletter Noites Húngaras, em parceria com o canal Amado Mundo, em agosto de 2025.

Clique aqui para ler a petição ao TSE

Aije 0602222-72.2026.6.00.0000

Clique aqui para ler a petição ao STF

ADPF 1.178

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Fonte: Consultor Jurídico

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