Inteligência artificial aponta novo caminho para tratar câncer de pulmão
Por Tiago Souza — Carta Capital
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A plataforma Virtual Biotech reuniu até 37 mil agentes autônomos para analisar dados de 55 mil testes clínicos e acelerar a descoberta de novos medicamentos
Pesquisadores desenvolveram um sistema de inteligência artificial capaz de atuar como uma empresa de biotecnologia virtual, com dezenas de milhares de agentes autônomos organizados em divisões e subordinados a um agente coordenador.
O trabalho, descrito na revista Science, foi liderado por James Zou, cientista da computação da Universidade Stanford, na Califórnia, e busca medir até onde equipes de agentes de IA podem acelerar a descoberta de medicamentos.
O Virtual Biotech reúne até 37 mil agentes, definidos como sistemas de IA que interagem de forma autônoma com grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês) ou entre si, com capacidade de executar tarefas de múltiplas etapas. Segundo os autores, a estrutura reproduz o organograma de uma companhia do setor: um agente no papel de diretor científico dirige “funcionários” distribuídos em divisões com especialidades próprias, como identificação de alvos terapêuticos e desenho de testes clínicos.
No estudo publicado na Science, a equipe de Zou usou versões do Claude, modelo desenvolvido pela Anthropic, de São Francisco, como base de linguagem para os agentes. O pesquisador afirma que qualquer LLM avançado pode cumprir a função, incluindo modelos de código aberto que pesquisadores podem executar em computadores próprios.
Para avaliar a capacidade do sistema, os pesquisadores pediram que ele analisasse resultados publicados de mais de 55 mil testes clínicos de medicamentos para diversas condições. O diretor científico virtual designou 37.075 agentes para examinar individualmente cada teste de fase avançada. Outros agentes buscaram indicadores de sucesso em conjuntos de dados que mostram quais genes estão ativos em diferentes tipos de células.
De acordo com o artigo, essa análise indicou que fármacos voltados a proteínas ativas em tipos celulares específicos têm probabilidade quase 50% maior de chegar ao mercado, em comparação com outros medicamentos.
Em outra demonstração, a equipe orientou o diretor científico a investigar se uma proteína chamada CD276 seria um alvo terapêutico adequado para cânceres de pulmão. Trabalhos anteriores sugeriam que a CD276 reduz respostas imunológicas e é expressa em alta quantidade em tumores pulmonares.
Com essa informação inicial, o sistema confirmou a CD276 como candidata a partir de dados já coletados e elaborou uma estratégia para atingi-la: um anticorpo que reconhece a CD276 ligado a um fármaco anticancerígeno. Com apoio de revisores externos, Zou e seus colaboradores classificaram o caminho como promissor.
Pesquisadores que não participaram do trabalho observam que o Virtual Biotech ainda não foi testado no ambiente real da descoberta de fármacos. As previsões do sistema não passaram por validação experimental, muito menos por testes clínicos.
Zou afirma que o objetivo é entender até que ponto equipes de agentes de IA podem contribuir para acelerar a descoberta e o desenvolvimento de medicamentos. O estudo foi publicado na Science e assinado também por H. G. Zhang, P. Eckmann, J. Miao e A. B. Mahon.
*Conteúdo produzido com auxílio de IA sob a supervisão de um profissional do CartaLab.
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Fonte: Carta Capital