Integração entre países lusófonos ganha impulso no Fórum das Agências de Promoção do Comércio e do Investimento da CPLP
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
247 – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (ApexBrasil) promoveu, nesta quarta-feira (7), em Brasília (DF), o Fórum das Agências de Promoção do Comércio e do Investimento da CPLP, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. O evento foi realizado no marco dos 30 anos da CPLP.
Na abertura, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou que, apesar das turbulências no comércio internacional, o Brasil atravessa um boom comercial e defendeu que a CPLP atue como espaço estratégico para seus membros — Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.
“O Brasil e o presidente Lula dão importância a relações com os países da CPLP, em especial durante a turbulência comercial internacional atual”, afirmou Müller. “O cenário da geopolítica internacional é complexo, o que impacta o comércio e a atração de investimentos. É o momento também para nos diferenciarmos. A orientação não é pela submissão, pelo alinhamento automático, e sim pela soberania e a equidistância. Para o Brasil, o resultado é objetivo e pragmático desse posicionamento. Apesar de uma interferência e imposição unilateral de tarifas pelo presidente (dos Estados Unidos,) Donald Trump, o Brasil vive o melhor momento no comércio internacional, batendo recorde de exportação. Isso se dá justamente por conta da posição contrária do que vemos”, acrescentou.
“A ApexBrasil é parte importante desse resultado”, frisou Müller.
Para o presidente da ApexBrasil, além de compartilharem a matriz de um idioma comum, os países da CPLP mantêm um relacionamento que favorece a expansão dos negócios.
“A CPLP é importante para nós. Compartilhamos uma matriz comum. E para a ApexBrasil, é mais do que isso. É um relacionamento privilegiado para fazer negócios. E a CPLP é uma ferramenta para estarmos em três regiões super estratégicas”, afirmou Müller.
Ele também mencionou avanços em iniciativas comerciais com os países da CPLP. “A relação com Portugal é importante, especialmente com o acordo Mercosul-União Europeia, que é a antítese da posição do governo Trump. É abertura e redução de tarifa”, afirmou Müller.
Em relação ao Timor-Leste, Müller afirmou que o país representa um ponto de entrada importante para a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). O bloco econômico regional tem no Timor-Leste seu mais recente membro, após a formalização da adesão em 2025.
“Na ASEAN, o Timor-Leste é um ponto de entrada importante. Já exportamos mais para a ASEAN do que para o Mercosul. Ano passado foram 18 bilhões de dólares de exportações à ASEAN. Temos um irmão naquela região, para dialogarmos cada vez mais”, afirmou Müller.
De acordo com o presidente da ApexBrasil, um dos eixos para ampliar a integração entre os países da CPLP deve ser a segurança alimentar.
“Compartilhamos grandes desafios, e todos nós somos importantes nisso, na Europa, no Brasil e na África, como por exemplo na questão da segurança alimentar”, afirmou Müller.
Müller também avaliou que o desenvolvimento dos países da CPLP está diretamente ligado ao trabalho das respectivas agências de comércio exterior.
“A promoção dos negócios internacionais tem uma relação direta com o modelo de desenvolvimento. O que seria do Brasil se não tivéssemos possivelmente quase 80 bilhões de dólares de superávit? Isso nos serve como um colchão”, afirmou Müller, ressaltando a importância do trabalho das agências.
“Isso que todos nós aqui fazemos é muito importante para o projeto de desenvolvimento de cada um dos nossos países, a forma como conectamos nossos negócios com o mundo”, frisou.
O ministro-chefe do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que um dos compromissos centrais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é fortalecer as relações, em diferentes níveis, com os países da CPLP.
Elias Rosa avaliou que, a partir do idioma compartilhado, os países da CPLP devem ser vistos como uma única e “grande nação da língua portuguesa”.
“O presidente Lula defende a democracia para os nossos povos e nossas nações, de forma que ditemos nós mesmos os rumos do desenvolvimento das nossas nações. Não admitiremos que sejamos quintal de qualquer nação. Não somos colônia de ninguém”, pontuou o ministro.
Elias Rosa também defendeu um posicionamento firme diante do atual cenário geopolítico, com o objetivo de assegurar um desenvolvimento perene a cada uma das nações da CPLP.
“O momento geopolítico sugere dificuldades. Há uma reconfiguração econômica e política mundial nos grandes blocos, e precisamos saber como posicionarmos. Não será com covardia, timidez que responderemos. Ao contrário, é com altivez. Tenham o Brasil como um grande aliado para a promoção do comércio e a atração de investimentos”, afirmou Elias Rosa.
“É preciso que conquistemos o desenvolvimento perene, com políticas industriais e compartilhamento de dados entre nossa comunidade”, finalizou o ministro.
O diretor-geral da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações de Moçambique (APIEX), Luís José Machava, defendeu que as agências comerciais dos países do bloco contribuam efetivamente para o crescimento e o desenvolvimento.
“Somente com esse tipo de intenções podemos trazer resultados pragmáticos que contribuam de fato para o desenvolvimento dos nossos países”, afirmou Machava, ao defender que a CPLP deve ser vista como uma união “sem barreiras”.
“De mãos dadas e unidas iremos contribuir para o desenvolvimento dos nossos países”, afirmou Machava.
A presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Silvia Massruhá, enfatizou que uma das diretrizes do presidente Lula é reforçar a cooperação Sul-Sul e destacou o papel da empresa como referência na agricultura tropical.
Nesse contexto, os países africanos da CPLP podem se beneficiar das tecnologias desenvolvidas pela Embrapa, por meio de capacitação e de políticas públicas associadas à ciência e à tecnologia agrícola.
“Nesses 30 anos, o Brasil se baseou em ciência e tecnologia, capacitação e políticas públicas associadas. Com isso, incentivamos os produtores rurais a adotarem práticas mais sustentáveis”, afirmou Massruhá. “Temos trabalhado intensamente com Moçambique, onde pensamos principalmente na questão da capacitação, com troca de pesquisadores e ensino à distância”, destacou.
No caso de Portugal, Massruhá afirmou que está em fase final a formalização de um acordo voltado à criação de uma unidade conjunta de pesquisa. Ela também reforçou a necessidade de assegurar a segurança alimentar nos países da CPLP.
Massruhá destacou ainda que não se trata apenas de transferência de tecnologia, mas também de compreender de que forma os desafios enfrentados por cada país podem contribuir para o desenvolvimento do Brasil.
“Também temos muito que aprender com os outros países, entendendo os desafios locais para podermos nos desenvolver”, afirmou.
“Não adianta só gerar tecnologia, e também é preciso criar políticas públicas associadas, para efetivar a inovação no campo”, enfatizou a presidente da Embrapa.
O diretor do Departamento de Promoção Comercial, Investimentos e Agricultura do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Carlos Moscardo, afirmou que a CPLP, ao longo dos últimos 30 anos, consolidou-se como um “espaço privilegiado” de cooperação econômica, política e de promoção da língua portuguesa.
“A CPLP consolida-se como uma das mais bem-sucedidas iniciativas de cooperação, tornando-se um espaço privilegiado para cooperação política e promoção da língua portuguesa, bem como tornou-se um ambiente propício para o aumento do comércio”, afirmou, acrescentando que o bom comércio não consiste apenas em vender produtos, mas também em comprar de verdadeiros parceiros externos.
Para fortalecer ainda mais a integração entre os países, Moscardo defendeu o restabelecimento de voos diretos entre São Paulo e Maputo.
O enfrentamento de desafios comuns e a exploração de oportunidades comerciais devem ter como base a lógica da cooperação mutuamente benéfica, defendeu Moscardo.
“Devemos enfrentar desafios comuns e explorar opotunidades em base de confiança, solidariedade e cooperação mutuamente benéfica”, afirmou.
O secretário de África e Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Carlos Duarte, pontuou que, ao mesmo tempo em que os desafios geopolíticos afetam diretamente o comércio exterior, o atual momento, enfrentado com uma postura de altivez e defesa da soberania, também permite a diversificação da pauta exportadora.
“Essa atitude sobre o comércio exterior tem dado resultados, que hoje alcança recordes”, afirmou Duarte.
Duarte afirmou que o governo não atua sozinho e conta com o esforço conjunto do empresariado na busca por sinergias e por uma união que sirvam de base para um crescimento econômico ainda maior.
“Esse é o curso de ação correto que dará ainda mais resultados”, afirmou Duarte.
De acordo com ele, a CPLP é um “vetor de cooperação para o desenvolvimento”, fundamentado nos “laços humanos nos unem”.
“O Brasil continuará contribuindo para esse esforço comum”, assegurou Duarte.
A embaixadora de Portugal no Brasil, Isabel Brilhante Pedrosa, afirmou que a CPLP se consolidou, ao longo dos últimos 30 anos, como uma plataforma cada vez mais relevante de cooperação econômica e de desenvolvimento, e destacou a importância da comunidade no atual contexto geopolítico, marcado por complexidades e desafios.
“No contexto geopolítico tão complexo e desafiante, a CPLP tem ativos para valorizarmos e ao mesmo tempo transformar em oportunidades concretas”, afirmou Pedrosa.
A embaixadora ressaltou ainda a dimensão do potencial econômico dos países da CPLP:
“Somos 300 milhões de consumidores em quatro continentes, com abundantes recursos naturais, uma população jovem”, afirmou Pedrosa, sublinhando a vantagem competitiva proporcionada pela língua portuguesa.
“A língua portuguesa constitui uma vantagem competitiva”, afirmou Pedrosa.
“Nos conhecemos e nos compreendemos, e esse é um ponto de partido absolutamente inestimável”, afirmou a embaixadora, que defendeu mais conectividade, dinamismo e relevância para a comunidade.
Ela também sugeriu a constituição de redes empresariais lusófonas como uma possível frente para aprofundar as relações.
A embaixadora de Timor-Leste no Brasil, Maria Ângela Guterres Viegas Carrascalão, afirmou, no discurso de encerramento do evento, que, como um país em construção, o Timor-Leste se beneficia da CPLP no processo de formação da nação.
“Sejamos pequenos ou grandes, a nossa soberania conta pela luta do nosso povo”, afirmou a embaixadora.
Ela também destacou que, como país-membro da ASEAN, o Timor-Leste pode servir como uma “porta de entrada” para o mercado do Sudeste Asiático.
“Timor-Leste pode ser uma porta de entrada para a ASEAN”, afirmou a embaixadora, reforçando o valor da língua portuguesa, que garante ao país um papel relevante no mundo.
Fonte: Brasil 247