Inflação na África do Sul avança para 4,4% e Banco Central eleva taxa de juros para 7,25%
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A inflação anual ao consumidor na África do Sul registrou aceleração em agosto, atingindo a marca de 4,4%, ante os 4,3% contabilizados em julho, segundo dados divulgados pelo instituto oficial Statistics South Africa (Stats SA). O resultado veio ligeiramente abaixo da mediana das expectativas do mercado, que projetava um índice de 4,5%, informa a NNA TV+. Como resposta imediata às pressões sobre os preços de combustíveis e ao cenário internacional adverso, o Banco Central da África do Sul (SARB, na sigla em inglês) anunciou um aumento de 25 pontos-base na taxa básica de juros, elevando o indicador para 7,25% ao ano.
A decisão sobre a taxa de juros foi tomada de forma unânime pelo Comitê de Política Monetária e entra em vigor a partir do dia 25 de setembro. Com esse reajuste, a taxa básica de empréstimo do sistema bancário (conhecida como prime rate) passa para 10,75% ao ano.
Dinâmica setorial e comportamento dos preços
A variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) permaneceu estável na comparação mensal entre julho e agosto (0,0%). No entanto, no acumulado em 12 meses, os principais vetores de alta foram os setores de habitação e serviços públicos (5,2%), transportes (8,8%) e serviços financeiros e seguros (5,7%).
O segmento de alimentação e bebidas não alcoólicas voltou a subir após oito meses consecutivos de desaceleração, registrando alta de 1,1% em agosto, ante 0,9% no mês anterior. O grupo de peixes e frutos do mar acelerou de 6,6% para 7,5%, acompanhado por aumentos nos preços de carne suína, presunto e bacon. Em contrapartida, cortes de carne bovina apresentaram recuo de preço em relação ao mesmo período do ano passado.
No setor de transportes, o índice geral mostrou leve desaceleração de 8,9% em julho para 8,8% em agosto. A inflação anual dos combustíveis arrefeceu de 20,6% para 20,0%. Entre os combustíveis, a gasolina apresentou queda de 2,0% na variação mensal, enquanto o óleo diesel subiu 3,1%.
Deterioração do cenário global e projeções
O presidente do Banco Central sul-africano, Lesetja Kganyago, destacou que o recrudescimento da pressão sobre os preços dos combustíveis alterou a trajetória esperada para a inflação no país.
“Há alguns meses, parecia que o choque nos preços dos combustíveis estava se dissipando, mas agora ele se intensificou. Também estamos observando o aumento das taxas de juros em nível global”, afirmou Kganyago.
O SARB projeta que a inflação acumulada supere a marca de 5% no final deste ano e no início de 2027, antes de iniciar uma trajetória de queda com a atenuação dos choques energéticos. A meta central da autoridade monetária é reconduzir o indicador para 3% até o final de 2027.
O diagnóstico do Banco Central atribui a volatilidade energética e o encarecimento das cadeias de suprimento às incertezas geopolíticas, citando diretamente os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia. Segundo a instituição, os choques de oferta globais enfraquecem a atividade econômica ao mesmo tempo em que impulsionam os custos de produção.
Atividade econômica e fatores de contenção
Paralelamente ao aperto monetário, o Banco Central revisou para baixo a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da África do Sul para o ano de 2026, reduzindo a projeção de 1,4% para 1,2%. O reajuste ocorre após uma contração de 0,2% registrada pela economia no segundo trimestre.
Apesar dos riscos no horizonte, a autoridade monetária ressaltou pontos de sustentação na economia doméstica. A inflação dos alimentos permanece nos menores patamares desde 2010, favorecida por safras agrícolas favoráveis e pela estabilização nos preços das carnes após o surto de febre aftosa. Além disso, a resiliência recente do rand — a moeda local — tem contribuído para amortecer o repasse da inflação importada.
Fonte: Brasil 247