Igreja Universal evita declarar apoio a Flávio Bolsonaro e se diz neutra no 2º turno

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Por Gabriel Andrade — Carta Capital

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Mais alinhada ao bolsonarismo no primeiro turno, a denominação liderada por Edir Macedo recalcula rota e não se compromete com nenhum lado

A Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo bilionário bispo Edir Macedo, tem evitado se posicionar no segundo turno da campanha eleitoral. Na noite da quarta-feira 14, a Universal convocou seus dirigentes regionais e pastores, além de obreiros (auxiliar de pastor) e líderes de grupos de jovens, idosos e evangelistas, para reuniões em seus templos para comunicar que a igreja não se posicionará nem a favor de Lula (PT) nem a Flávio Bolsonaro (PL) na atual disputa.

Em encontros com os seus membros em todo o País, a cúpula da Universal transmitiu a orientação de que o pastor deve “apascentar” (cuidar do rebanho e pastorear) a todos, “independentemente se o fiel é de direita ou esquerda”, de acordo com um relatório obtido por CartaCapital. Os pastores também foram orientados para não se posicionarem nas redes sociais sobre política e não defender nenhum lado, segundo um pastor da igreja em Santa Catarina que pediu para não ser identificado.

No meio evangélico, comenta-se que a posição da Universal possa ter relação com o futuro do banco Digimais, do bispo Edir Macedo, que foi alvo da Polícia Federal em junho, e corre o risco de ser liquidado pelo Banco Central. Denúncias apontam indícios de gestão fraudulenta e superavaliação artificial dos ativos da instituição.

O Digimais recebeu um prazo do Banco Central para fazer um aporte de 2 bilhões de reais na instituição até o dia 15 de setembro a fim de evitar a liquidação e conseguir, assim, concluir a transferência de seus ativos para o BTG, controlado pelo banqueiro André Esteves. Não há informações oficiais, até o momento, de que essa exigência tenha sido cumprida.

O presidente Lula, em entrevista paraa TV Globo na quinta-feira 15, disse ter sido procurado por representantes do banco para tentar solucionar o problema. A neutralidade na eleição seria uma forma de Macedo tentar melhorar a sua relação com o presidente e candidato Lula .

A Universal não se posicionou nesse segundo turno, mas o Republicanos, partido ligado à igreja, declarou apoio a Flávio. O deputado e bispo da Universal Marcelo Crivella, sobrinho de Edir Macedo e ex-prefeito do Rio — derrotado nas urnas como candidato a senador nesta eleição —, foi um dos únicos membros da igreja a anunciar apoio a Flávio.

Um post compartilhado por Marcelo Crivella (@marcelocrivella)

Entre apoiadores bolsonaristas, circulou informações sobre a criação de uma “força tarefa” envolvendo as igrejas evangélicas para um apoio maciço a Flávio Bolsonaro no segundo turno. A Universal, porém, decidiu não integrar esse bloco, que tem como seus principais representantes as igrejas Assembleia de Deus dos ramos Madureira, do bispo Samuel Ferreira, e Vitória em Cristo, do pastor Silas Malafaia, além de outras denominações como a Renascer em Cristo, Sara Nossa Terra e Mundial do Poder de Deus.

Em mais um sinal de mudança de rumos, o bispo da Universal Alessandro Paschoal, coordenador do grupo Arimateia, o braço de formação política da igreja, postou uma mensagem nas redes sociais dizendo que sua bandeira “não é de esquerda”, nem de centro” e seu espectro político seria “o celestial”.

O bispo — ao contrário do que os líderes da Universal sempre ressaltaram, que cristão não poderia ser de esquerda —, afirmou que o cristão “não tem de ser de direita, mas sim do reino de Deus”. E completou: “Quem é de Deus vai saber fazer a escolha certa”.

Um post compartilhado por True Podcast🎙 (@truepdc)


Gilberto Nascimento

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Fonte: Carta Capital

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