IGP-M acelera para 1,57% em setembro com pressões no produtor e consumidor
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou alta de 1,57% no mês de setembro, apresentando forte aceleração após ter registrado taxa negativa de -0,22% em agosto. Com esse resultado, o indicador passa a acumular uma elevação de 3,45% no ano e de 3,34% no acumulado de 12 meses. O desempenho atual reflete um ritmo superior ao verificado em setembro de 2025, ocasião em que o índice havia subido 0,42% e acumulava alta de 2,82% em 12 meses, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
“O resultado de setembro chama atenção menos pelo 1,57% do IGP-M isoladamente e mais pela mudança na composição da inflação. Depois de registrar queda em agosto, o índice volta ao terreno positivo com pressões simultâneas no produtor e no consumidor. No IPA, as matérias-primas brutas avançaram 3,61%, com destaque para soja, milho e carne bovina, enquanto, no consumidor, o fim do efeito do Bônus de Itaipu sobre a conta de energia ajudou a levar o IPC de uma queda de 0,41% em agosto para uma alta de 0,50% em setembro. É uma configuração que merece atenção porque a pressão não ficou concentrada em apenas um componente do IGP-M”, afirma Matheus Dias, economista do FGV IBRE.
O avanço do IGP-M foi impulsionado principalmente pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que subiu 2,08% em setembro, invertendo a trajetória em relação à queda de 0,34% observada no mês anterior. A análise pelos diferentes estágios de processamento demonstra aceleração difusa entre os grupos:
- Bens Finais: O grupo subiu 1,24% em setembro, revertendo o recuo de 0,40% registrado em agosto. O índice de Bens Finais (ex), que desconsidera os subgrupos de alimentos in natura e combustíveis para consumo, acelerou de 0,39% para 0,80%.
- Bens Intermediários: Registrou alta de 0,81% em setembro, após ter recuado 1,90% no mês anterior. Já o núcleo de Bens Intermediários (ex), que exclui o subgrupo de combustíveis e lubrificantes para a produção, passou de -0,23% em agosto para 0,63% em setembro.
- Matérias-Primas Brutas: Este estágio avançou 3,61% em setembro, apresentando uma alta expressiva perante a taxa de 0,88% computada em agosto.
Paralelamente, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou alta de 0,50% em setembro, acelerando em comparação com a taxa de -0,41% apurada no mês anterior. Das oito classes de despesa que compõem o IPC, seis apresentaram elevação em suas taxas de variação: Habitação (de -1,24% para 1,82%), Alimentação (de -0,67% para 0,51%), Vestuário (de -1,05% para 0,22%), Comunicação (de -0,81% para 0,21%), Transportes (de -0,16% para -0,08%) e Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,22% para 0,26%). Em sentido oposto, registraram recuo os grupos Despesas Diversas (de 2,24% para 1,15%) e Educação, Leitura e Recreação (de -0,52% para -1,22%).
Por fim, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) variou 0,25% em setembro, desacelerando em relação à taxa de 0,85% observada em agosto. Os três grupos componentes do INCC registraram arrefecimento na transição mensal: o grupo Materiais e Equipamentos recuou de 0,33% para 0,17%; o grupo Serviços passou de 0,33% para 0,15%; e o grupo Mão de Obra apresentou desaceleração de 1,56% em agosto para 0,37% em setembro.
Fonte: Brasil 247