iFood acusa Keeta de preço predatório e aposta R$ 24 bilhões em expansão

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Por Aquiles LinsBrasil 247

247 – A disputa pelo mercado brasileiro de entregas ganhou um novo capítulo com críticas do CEO do iFood, Diego Barreto, à estratégia adotada pela Keeta para ampliar sua presença no país. O executivo acusa a concorrente de praticar preços predatórios por meio da distribuição agressiva de cupons e afirma que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deverá intervir no caso.

Em entrevista à coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo, Barreto afirmou que o crescimento sustentável do setor precisa estar associado à demanda real, e não à injeção artificial de recursos para subsidiar pedidos.

“O mercado de entregas vai crescer porque existe demanda. Não é simplesmente porque alguém vem e coloca R$ 1 bilhão em cupom. O que eu acho ruim é essa estratégia de preço predatório. Isso [o que a Keeta oferece] não é cupom, é uma ação indiscriminada para tentar forçar um movimento que não tem base econômica”, disse.

A Keeta rejeita a acusação e afirma que o iFood tenta preservar sua posição no mercado diante da entrada de uma nova concorrente. Segundo a empresa, o iFood adota “uma estratégia clara” para manter sua “posição dominante no setor, atacando uma empresa entrante que se propõe a fomentar um mercado competitivo em benefício de todo o ecossistema de entrega de comida: restaurantes, entregadores parceiros e consumidores”.

A companhia chinesa também acusa a rival de tentar “impedir a concorrência” e sustenta que essa postura “mantém o mercado local refém de um serviço mais caro e de menor qualidade”.

Disputa chega ao Cade

O confronto entre as duas plataformas já chegou ao Cade. Em agosto, o iFood denunciou a Keeta por supostas “práticas predatórias” no mercado brasileiro e pediu uma “intervenção imediata”.

Na representação, a plataforma argumenta que a distribuição de cupons em grande escala pode criar uma demanda artificial e levar restaurantes a ampliar sua capacidade de atendimento com base em um movimento que não seria sustentável no longo prazo.

Barreto afirma que esse efeito caracteriza, na avaliação do iFood, uma política de preço predatório.

“Isso é o que a gente chama de preço predatório. O Cade já está olhando para isso. Em todos os lugares que a Keeta passou pelo mundo, o Cade de cada local reagiu contra isso e criou orientações para coibir essa prática. É o que vai acontecer no Brasil invariavelmente”, declarou.

A discussão ocorre em um mercado no qual o iFood ocupa a posição de liderança e enfrenta uma nova rodada de concorrência com a entrada e a expansão de plataformas estrangeiras.

R$ 24 bilhões para ampliar operação

Paralelamente à disputa concorrencial, o iFood anunciou que pretende investir R$ 24 bilhões no Brasil entre abril de 2026 e março de 2027.

Segundo Barreto, parte relevante dos recursos será direcionada ao desenvolvimento de projetos de inteligência artificial e à ampliação das categorias disponíveis dentro do aplicativo.

A estratégia é reduzir a dependência do segmento tradicional de restaurantes e transformar a plataforma em um canal mais amplo de comércio e entregas.

“Boa parte desse investimento vai para a consolidação do crescimento [das categorias] de mercado e farmácia e de uma aceleração muito forte em pet shop, presenteáveis, bebidas e conveniência. As expectativas são muito positivas”, afirmou.

Farmácia e pet shop entram no foco

Entre as áreas que deverão receber maior atenção estão as entregas de medicamentos, produtos de supermercado e itens para animais de estimação.

O movimento acompanha a tentativa das grandes plataformas de delivery de aumentar a frequência de uso dos aplicativos, incorporando compras cotidianas que vão além da alimentação pronta.

Presentes, bebidas e lojas de conveniência também integram os segmentos apontados por Barreto como frentes de crescimento para o próximo ciclo de investimentos.

O executivo afirma que, apesar das incertezas da economia brasileira, o iFood não considera reduzir o ritmo dos aportes no país.

“Apesar das questões macro e microeconômicas do Brasil, eu [o iFood] estou num outro momento, estou num contraciclo

Fonte: Brasil 247

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