Ibovespa a 200 mil pontos? Gestor diz o que pode acontecer com seus investimentos se Lula ou Flávio vencerem

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Por Monique Lima — Seu Dinheiro

O primeiro turno das eleições bate à porta e a pergunta que domina as conversas entre investidores é: o que acontecerá com o Ibovespa, o dólar e os juros se Lula (PT) se mantiver no Palácio do Planalto ou Flávio Bolsonaro (PL) assumir o posto?

Rodrigo Glatt, sócio-fundador da GTI Administração de Recursos, afirma que a resposta passa menos pelo nome do próximo presidente e mais pela capacidade do próximo governo de convencer o mercado de que fará o ajuste fiscal considerado necessário.

Em entrevista ao podcast Touros e Ursos, Glatt reconhece que os investidores enxergam os dois candidatos de maneira bastante diferente.

Segundo o gestor, uma vitória de Flávio tende a ser recebida de forma mais positiva pelos mercados, enquanto um resultado favorável a Lula poderia provocar uma reação inicial mais negativa.

A razão é a confiança limitada dos participantes do mercado na disposição do atual presidente petista de promover cortes de gastos e melhorar a trajetória da dívida pública.

“Eu acho que o mercado tem uma confiança muito baixa de que Lula, ganhando as eleições, ele vá realmente fazer um ajuste que é necessário”, afirmou.

Mas Glatt chama atenção para um detalhe importante: boa parte dessa discussão já está parcialmente refletida nos preços dos ativos. Somente o resultado das urnas pode decidir o rumo do Ibovespa agora.

Investidores aguardando o momento

Apesar da recuperação recente do Ibovespa, Glatt acredita que o movimento está longe de ter terminado.

Na avaliação dele, a alta observada nos últimos meses foi impulsionada principalmente pela entrada de recursos estrangeiros. Enquanto isso, os investidores brasileiros continuam com uma exposição historicamente baixa à renda variável, com apenas cerca de 2% a 3% dos portfólios da indústria alocados em ações.

É justamente aí que ele enxerga uma oportunidade.

Se o próximo governo conseguir melhorar a percepção sobre as contas públicas e abrir espaço para uma trajetória mais favorável dos juros, o gestor acredita que o investidor doméstico pode voltar gradualmente para o Ibovespa, gerando uma nova onda de valorização.

O resultado desse movimento poderia ser expressivo.

“Eu diria que pelo menos acima de 200 mil pontos em um horizonte mais longo”, afirmou ao comentar o potencial do Ibovespa.

Para ele, muitos setores da bolsa continuam negociando com múltiplos baixos em relação à própria história, o que amplia o potencial de valorização caso o ambiente econômico melhore.

Ações para Lula e para Flávio

Como considera a disputa eleitoral muito equilibrada, o gestor evitou concentrar apostas em apenas um resultado.

A estratégia da GTI é combinar ativos defensivos, capazes de resistir a um cenário mais turbulento, com empresas que podem se beneficiar de ambos os cenários.

Entre as posições defensivas, que responderiam de forma resiliente a continuidade de Lula no Planalto estão Vale (VALE3), Suzano (SUZB3) e empresas ligadas ao agronegócio, como São Martinho (SMTO3). Na visão do gestor, são companhias com geração de caixa robusta, ativos reais e capacidade de atravessar cenários mais difíceis.

Do outro lado da carteira aparecem empresas mais sensíveis ao ciclo econômico brasileiro, que responderiam a um cenário de juros menores e melhora econômica. Um dos exemplos citados foi a Simpar (SIMH3).

Mesmo assim, o gestor faz um alerta: Brasília não é a única variável relevante para os mercados neste momento.

Os juros nos Estados Unidos, a guerra no Oriente Médio e o comportamento do petróleo continuam sendo fatores capazes de influenciar a direção dos ativos brasileiros nos próximos meses.

Touros e Ursos da semana

No encerramento do episódio, o tradicional quadro Touros e Ursos trouxe os destaques da semana.

No lado dos Ursos (destaques negativos) Glatt escolheu o Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, as recentes controvérsias envolvendo a Corte ampliaram o desgaste institucional e levantaram questionamentos sobre o equilíbrio entre os Poderes no país.

As bets também apareceram como destaque negativo, após a publicação da medida provisória que restringe a atuação das plataformas de apostas no Brasil. A decisão tardia deu espaço para que o setor produzisse impactos visíveis sobre o consumo das famílias e o endividamento dos brasileiros.

Entre os Touros (destaques positivos), Glatt destacou a Ser Educacional (SEER3), citando a melhora operacional da companhia, a redução do endividamento e o aumento da capacidade de geração de caixa.

A fusão entre Yduqs e Afya também foi escolhida como touro. A operação criará uma gigante do ensino superior e da educação médica no Brasil, com potencial de gerar mais de R$ 2 bilhões em sinergias.

Confira o episódio completo do Touros e Ursos

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Fonte: Seu Dinheiro

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