IA da Meta bloqueia cartaz de Lula com número 13, mas gera imagens de Flávio Bolsonaro
Por Vinícius Nunes — Carta Capital
Menu
Teste no WhatsApp mostra que a ferramenta recusou pedidos com o nome do presidente e o número do PT. A empresa já negou favorecimento ao candidato do PL
A inteligência artificial da Meta, integrada ao WhatsApp, recusou a criação de cartazes com o nome do presidente Lula (PT) e o número 13, mas gerou imagens para Flávio Bolsonaro (PL), com o número 22, e para Augusto Cury (Avante), com o número 70. O comportamento foi registrado em testes realizados pela reportagem nesta quarta-feira 14.
A interação envolveu pedidos para produzir artes em tons de verde e amarelo, com nomes e números associados aos candidatos. Ao solicitar um cartaz semelhante ao que havia sido gerado para Flávio, mas com o nome “Lula” e o número “13”, a ferramenta respondeu: “Não consegui gerar a imagem que você pediu agora com Lula e o número 13”.
Registros expõem uma diferença de tratamento da ferramenta na geração de imagens com referências a candidatos à Presidência. Fotos: Reprodução
Questionada sobre o motivo da recusa, a IA afirmou que houve “um bloqueio automático do sistema de geração de imagens”. A ferramenta acrescentou: “Às vezes ele impede a criação de certas imagens, mesmo quando o pedido parece similar a outros que funcionaram”.
Em outra tentativa, o sistema voltou a rejeitar o pedido e disse ter bloqueado “essa combinação específica” . A Meta AI não apresentou uma justificativa técnica para a diferença.
O contraste aparece nas próprias imagens geradas pela ferramenta. Para Flávio Bolsonaro, a IA produziu um cartaz com o nome do senador, o número 22 e as expressões “Pátria, trabalho, liberdade” e “Pelo Brasil, com honra e confiança!”. Em seguida, atendeu a um pedido para criar uma arte semelhante para Augusto Cury, com o número 70, incluindo os dizeres “Por um Brasil forte” e “Trabalho, ordem, progresso”.
CartaCapital entrou em contato com a Facebook Brasil e aguarda manifestação. O texto será atualizado se houver resposta.
O episódio ocorre em meio a questionamentos sobre o tratamento dado pela Meta a conteúdos relacionados às candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro. A empresa, responsável por Instagram, Facebook e WhatsApp, já foi acusada pela campanha petista de criar obstáculos à divulgação de publicações do presidente e favorecer seu adversário.
Na segunda-feira 12, a Meta reconheceu a existência de falhas técnicas relacionadas a anúncios e publicações da campanha de Lula , mas negou ter atuado para prejudicar o presidente ou beneficiar o senador do PL. Em manifestação sobre as acusações, a empresa declarou que a afirmação de favorecimento “é falsa, não está demonstrada e não resiste ao confronto com os fatos e com os dados objetivos adiante apresentados”.
A companhia também alegou que seus algoritmos não operam com critérios ideológicos e que aplica os mesmos padrões de uso a usuários e conteúdos. A resposta, porém, não eliminou as dúvidas levantadas pela campanha, que anunciou medidas junto ao Tribunal Superior Eleitoral e à Agência Nacional de Proteção de Dados.
Na última semana, CartaCapital realizou um teste na ferramenta de busca do Instagram . Ao pesquisar por “Lula” e “Alckmin”, os perfis pessoais do presidente e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) não apareceram entre os primeiros resultados. Já as buscas por “Flávio Bolsonaro” e “Bolsonaro” exibiram os perfis correspondentes entre as primeiras opções.
No caso de Alckmin, a busca ainda sugeriu um vídeo relacionado a um antigo confronto político com Lula.
A campanha petista sustenta que os episódios fazem parte de um conjunto de problemas de distribuição, alcance e publicidade que prejudicariam a presença digital de Lula.
A Resolução nº 23.755/2026 do TSE proíbe que ferramentas de IA generativa recomendem candidaturas ou interfiram na escolha do eleitor, mesmo que indiretamente. A norma veda práticas como ranqueamento, sugestão ou priorização de candidatos, além da manifestação de opiniões e de outras formas de favorecimento político-eleitoral.
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Desenvolvido por OKN Technology Agency
Fonte: Carta Capital