Hotéis de luxo investem na restauração de recifes nas Maldivas e no Caribe
Por Márcio Diniz — Catraca Livre
Os recifes de coral ocupam menos de 1% do fundo dos oceanos, mas abrigam cerca de um quarto das espécies marinhas. Em destinos insulares, onde os ecossistemas marinhos também fazem parte da experiência turística, a recuperação desses ambientes passou a integrar projetos ambientais de hotéis e resorts.
Nas Maldivas e no Caribe panamenho, duas iniciativas utilizam estratégias diferentes para restaurar áreas degradadas. O Anantara Dhigu Maldives Resort instalou uma estrutura de argila produzida com impressão 3D para servir de base à formação de um novo habitat. Já o Nayara Bocas del Toro trabalha com corais que apresentam maior resistência a águas mais quentes e ácidas.
Os projetos têm em comum a tentativa de recuperar o ambiente marinho próximo às propriedades e acompanhar sua evolução ao longo do tempo. Em ambos os casos, os hóspedes também podem ter contato com as iniciativas por meio de atividades de mergulho e snorkel.
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Estruturas de argila impressas em 3D
No Atol de Malé Sul, nas Maldivas, o Anantara Dhigu Maldives Resort desenvolveu, em parceria com a empresa rrreefs, o projeto Theyra Maa, nome que significa “13 Flores” em dhivehi. A estrutura é formada por 13 módulos interligados de argila produzidos por impressão 3D.
O desenho foi inspirado nas formas dos recifes naturais. As estruturas possuem cavidades entre as camadas de impressão, criando áreas protegidas para a fixação e o desenvolvimento de organismos marinhos. A porosidade da argila também favorece a formação de biofilmes, que contribuem para o estabelecimento de condições adequadas ao crescimento dos corais.
O projeto foi desenvolvido pela equipe da rrreefs em colaboração com o pesquisador Gerrit Nanninga, do Departamento de Ciências da Terra e Ambientais da Universidade Ludwig Maximilian, de Munique (Alemanha).
Com o desenvolvimento da estrutura, a expectativa é que ela receba fragmentos de coral, peixes recifais e outras espécies, formando um novo habitat na lagoa próxima ao resort.
A iniciativa acrescenta uma frente de restauração ao conjunto de ações ambientais do hotel e permite que os visitantes conheçam o projeto durante a estadia.
Corais resistentes no Caribe
No arquipélago de Bocas del Toro, no Panamá, o Nayara Bocas del Toro desenvolve outro modelo de restauração. O resort, voltado exclusivamente para adultos e reconhecido com duas chaves Michelin, mantém uma parceria com o Caribbean Coral Restoration Center (CCRC) para criar um sistema de recifes vivos.
A região concentra aproximadamente 87% das espécies de corais construtores de recifes registradas no Panamá. O projeto utiliza exemplares que já apresentaram maior resistência a condições como aumento da temperatura e acidificação da água.
O acompanhamento considera indicadores de biodiversidade e biomassa e observa não apenas os corais, mas também o desenvolvimento de habitats que possam abrigar peixes, crustáceos e predadores marinhos.
A iniciativa está dividida em três etapas. A primeira já começou com a instalação de estruturas de habitat sob as villas sobre a água do resort, que passaram a atrair pequenos peixes e outras espécies.
A segunda prevê a criação de um recife além dos limites da propriedade, conectado à rede mantida pelo CCRC. Atualmente, o centro reúne 16 zonas de restauração e atua em uma área superior a 80 mil metros quadrados em Bocas del Toro.
Projeto acompanha expansão do resort
A terceira fase está relacionada à expansão do Nayara Bocas del Toro e prevê a ampliação do habitat pela baía protegida que deverá cercar seis futuras villas flutuantes.
O projeto combina restauração de recifes, uso de energia renovável, iniciativas de carbono azul e créditos de carbono verificados. A previsão é que as novas unidades sejam concluídas até o fim de 2027.
A proposta é que as futuras villas sejam classificadas pelo projeto como Net Nature Positive, conceito que busca associar a operação das estruturas à recuperação dos ecossistemas naturais.
Os hóspedes também podem acompanhar o trabalho do CCRC em atividades guiadas de snorkel e mergulho. Durante as experiências, é possível conhecer o processo de instalação das estruturas e o cultivo de corais selecionados para o projeto.
O programa do Nayara inclui ainda um sistema de adoção que permite acompanhar o desenvolvimento dos habitats depois da estadia. Dados e imagens são coletados em diferentes períodos, incluindo seis meses, um ano e três anos após a implantação.
A proposta é transformar a recuperação dos recifes em um projeto de longo prazo, com monitoramento da evolução das estruturas e dos organismos que passam a ocupar os novos habitats.
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Fonte: Catraca Livre