Haddad mira Tarcísio por ato com filhos de Milton Leite: ‘Você não sabia que ele seria preso?’
Por Rodrigo Chagas — Brasil de Fato
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Fernando Haddad (PT) cobrou Tarcísio de Freitas (Republicanos) nesta terça-feira (29), durante o debate da TV Globo entre os candidatos ao governo de São Paulo, pela participação do governador em um ato de campanha dos filhos do ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso neste mês em uma investigação sobre suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público paulista.
“Você estava pedindo voto, 15 dias atrás, pros filhos do Milton Leite, que está preso”, afirmou Haddad. “Será que ninguém te informou que você não devia subir no palanque para pedir voto por uma pessoa que 15 dias depois ia ser presa?”, questionou.
Tarcísio participou, em 30 de agosto, do lançamento das candidaturas de Milton Leite Filho, à Câmara dos Deputados, e Alexandre Leite, à Assembleia Legislativa de São Paulo. Na ocasião, afirmou que sua gestão havia sido “abraçada” pela família Leite e citou uma “parceria enorme”. Milton Leite foi alvo da Operação Vectura Corrupta em 17 de setembro e se entregou à polícia no dia seguinte.
A operação, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, investiga suspeitas de infiltração do PCC em empresas de transporte coletivo, corrupção de agentes públicos e financiamento ilícito de campanhas eleitorais. Milton Leite nega ligação com a facção e afirma ser inocente.
No debate, Tarcísio respondeu que sua relação com a família Leite “sempre foi institucional” e disse que nenhum de seus integrantes ocupa cargo no governo estadual. Citou como pontos de interlocução saneamento nos mananciais, habitação e obras na zona sul da capital. A mesma explicação já havia sido apresentada pelo governador após a operação.
A discussão ocorreu durante o bloco dedicado à segurança pública. Haddad questionou Tarcísio sobre a atuação de facções no estado e citou registros da presença do Comando Vermelho em regiões como Piracicaba, Rio Claro, litoral norte e Baixada Santista.
O petista também afirmou que o PCC ampliou sua presença em atividades econômicas e instituições públicas e defendeu a criação de uma agência estadual de combate às facções, com participação das polícias estaduais, Polícia Federal e Receita Federal.
Tarcísio respondeu que os principais indicadores criminais caíram durante seu governo e citou operações contra o PCC nos setores de transportes e combustíveis.
Haddad rebateu citando feminicídios, crimes raciais e roubos de celulares e criticou as condições das carreiras da Polícia Civil e da Polícia Militar. Tarcísio afirmou que houve reajustes salariais, mudanças nas carreiras e ampliação do efetivo durante seu mandato.
No bloco sobre saúde na Baixada Santista, Haddad concentrou as críticas no tempo de espera por procedimentos, na falta de integração da rede e no sistema estadual de regulação de vagas.
“Você sabe que o Hospital de Santos entrou em colapso dois anos atrás, na tua gestão. Um colapso, e a população sentiu isso”, afirmou o petista. Haddad disse ainda que pacientes entram em filas diferentes para consultas, exames e cirurgias e defendeu a criação de hospitais-dia para concentrar etapas do atendimento na mesma unidade.
O candidato também criticou o funcionamento da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) e afirmou que São Paulo é o único estado em que o governo estadual não coloca recursos no Samu. “O governador de São Paulo é o único que não põe dinheiro no Samu e não integra o Samu à rede hospitalar”, disse.
Tarcísio reconheceu problemas na oferta de atendimento na região. “A grande deficiência da Baixada é a deficiência de leitos, é a falta de leitos”, afirmou. O governador disse que sua gestão ampliou a rede com investimentos em hospitais e novos serviços na região.
Haddad respondeu que parte dos recursos empregados na rede estadual tem origem em transferências federais e afirmou que o governo Lula ampliou o orçamento da saúde. Também disse que pretende reformular a regulação estadual e ampliar o uso de inteligência artificial na gestão das filas.
Tarcísio afirmou que São Paulo já utiliza telemedicina e ferramentas digitais na rede estadual e disse que houve redução no número de pessoas aguardando cirurgias eletivas.
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Fonte: Brasil de Fato