Gustavo Conde: Supremo começou a aliviar para o bolsonarismo e a esquerda irá em breve protestar contra o STF golpista

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – As peças do xadrez institucional em Brasília começaram a se movimentar em ritmo acelerado logo após o desfecho do primeiro turno eleitoral. Em edição contundente da Live do Conde transmitida pela TV 247, o comunicador e analista Gustavo Conde chamou a atenção para o que classifica como um processo explícito de “alívio” e reacomodação do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao campo bolsonarista.

Para Conde, a série de decisões judiciais recentes favoráveis a aliados de Jair Bolsonaro não é fruto do acaso ou de mero tecnicismo de calendário: reflete o pavor e o pragmatismo da Corte diante da nova correlação de forças que desponta no Congresso Nacional, em especial no Senado Federal. Nesse ritmo, adverte ele, o campo progressista logo se verá diante de um déjà-vu histórico, voltando a enxergar no tribunal o perfil de um órgão tutelador e golpista.

“Sabe o que eu estou vendo no futuro? O Pai Conde está vendo a esquerda desesperada com o ‘STF maldito e golpista’. Aguardem. Vocês sabem o que nos aguarda”, ironizou o apresentador, ao diagnosticar o fim da ilusão cultivada por setores progressistas de que o Judiciário atuaria como fiador perpétuo da ordem democrática.

A cascata de decisões e o “afrouxamento do cerco”

Durante a análise, Conde enumerou uma sucessão de despachos e posicionamentos institucionais ocorridos em sequência cirúrgica. Entre eles, destacou a decisão do ministro Alexandre de Moraes que autorizou a progressão de pena para regime semiaberto/aberto a Débora Rodrigues (conhecida como a “Débora do Batom”, acusada nos atos do 8 de janeiro) e o arquivamento de investigações contra figuras centrais da extrema direita, como o senador Marcos do Val e os influenciadores bolsonaristas Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, diante da manifestação de acolhimento ao pedido ministerial.

O analista apontou ainda a atuação do ministro Gilmar Mendes, que determinou o arquivamento do pedido de abertura de inquérito contra o deputado federal Alfredo Gaspar (cotado como vice de Flávio Bolsonaro) por suposta inconsistência indiciária, além da concordância da Procuradoria-Geral da República (PGR), chefiada por Paulo Gonet, para que o senador Flávio Bolsonaro faça visitas ao pai em prisão domiciliar — pleito que agora aguarda apenas o crivo de Moraes.

“Agora o Supremo ficou todo bonzinho com os bolsonaristas”, pontuou Conde. “Eles estão afrouxando esse aperto, esse cerco que deram no circuito bolsonarista, porque estão vendo a realidade do Senado. Eles estão apavorados com o Senado Federal, porque o Senado tem legitimidade constitucional e não pede licença.”

A ameaça do Senado e a busca por um “acordão” de cúpula

O nó górdio dessa inflexão reside no desenho parlamentar da próxima legislatura. Com o avanço das bancadas conservadoras e a consolidação do Partido Liberal (PL) como uma força hegemônica na Câmara Alta, a espada de Dâmocles dos processos de impeachment contra ministros do STF tornou-se um risco concreto para a cúpula togada.

Segundo a leitura de Conde, a elite dos poderes tenta costurar nos bastidores uma saída negociada para mitigar o impacto de confrontos institucionais destrutivos. Contudo, esse pacto de cúpula esbarra na radicalização da própria base bolsonarista:

“Se deixar só o andar de cima — o Flávio, o Rogério Marinho, o Gilmar Mendes, o Alexandre de Moraes —, eles fazem um acordão para ninguém ser prejudicado. Só que o eleitor bolsonarista não quer acordo; ele quer a cabeça dos ministros, não admite acordo com o Alexandre de Moraes. Então vocês calculem a tensão que se instalou”, avaliou.

O erro de terceirizar responsabilidades e o realinhamento de Lula

A análise também se debruçou sobre a resposta política do governo e da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação de Conde, o diagnóstico emitido por Lula em reuniões com aliados — atribuindo parte do desgaste eleitoral à “promiscuidade” e aos escândalos colaterais do STF — peca pelo timing e pela terceirização de problemas estruturais.

“Eu acho uma temeridade o Lula chamar o STF de promíscuo a essa altura do campeonato. Isso melindra ministros vaidosos, e eles rapidamente se bandeiam para o outro lado”, argumentou Conde, criticando ainda as discussões improvisadas de alterar o sistema de indicação à Corte no meio do calor eleitoral.

Para o comunicador, a campanha petista comete um erro reiterado ao creditar tropeços exclusivamente ao Judiciário, a falhas de comunicação ou à conduta de aliados regionais — a exemplo do distanciamento do prefeito carioca Eduardo Paes no Rio de Janeiro.

“Falta encarar a realidade com humildade. Faltou um projeto que não fosse apenas a mera repetição do que já foi feito no passado. A eleição agora é decidida em outras bases, na internet, nas redes, nas dores cotidianas do trabalhador”, frisou Conde.

O caminho até o segundo turno

Apesar do cenário adverso e da reacomodação das elites burocráticas ao redor do bolsonarismo, Conde destacou que a disputa segue aberta nas semanas decisivas que antecedem a votação final.

Entre as janelas de oportunidade para a candidatura progressista, ele elencou os embates diretos nos debates de televisão e a exploração de contradições concretas da agenda ultraliberal da oposição — como a resistência do PL e de Flávio Bolsonaro à pauta pelo fim da escala 6×1.

“O salto alto do adversário pode cobrar seu preço. Mas, para virar, o campo democrático precisa descer do pedestal, dialogar com as massas e ter a clareza de que as instituições tradicionais, como o STF, sempre responderão primeiro aos seus próprios instintos de autopreservação”, concluiu.

Fonte: Brasil 247

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