Grupos no Telegram discutem atos no Brasil inspirados nos protestos da Gen Z do Nepal

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Por Raunner Vinícius Soares — Jornal Opção

Grupos no Telegram discutem atos no Brasil inspirados nos protestos da Gen Z do Nepal

Em alguns grupos de brasileiros reunidos em canais do Telegram voltaram a discutir estratégias de mobilização política nos dias que antecedem o primeiro turno das eleições de 2026. Eles são inspirados pelos protestos promovidos por jovens da chamada Geração Z no Nepal em 2025, participantes dessas comunidades defendem mudanças profundas no sistema político brasileiro, embora as conversas revelem divergências internas, disputas ideológicas e dificuldades de organização.

O movimento ganhou atenção das autoridades brasileiras ao longo do último ano, uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PC-RJ) identificou planos para a realização de ataques no país atribuídos a integrantes ligados à chamada Gen Z brasileira. A operação resultou na prisão de três suspeitos em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

A referência para parte desses grupos são os protestos que ocorreram no Nepal em setembro de 2025. As manifestações foram lideradas por jovens identificados com a Geração Z, formada por pessoas nascidas na segunda metade da década de 1990 e nos primeiros anos dos anos 2000.

A insatisfação com o governo nepalês, denúncias de corrupção, críticas ao padrão de vida de familiares de políticos e restrições às redes sociais estiveram entre os fatores apontados como motivadores dos protestos. Durante os atos, foram registrados confrontos com as forças de segurança e invasões a prédios públicos, incluindo o Parlamento e a Suprema Corte. As manifestações terminaram com a renúncia do então primeiro-ministro Sher Bahadur Deuba e deixaram 51 mortos.

Após passarem a ser monitorados pelas autoridades, os grupos brasileiros perderam parte do ritmo observado anteriormente. Discussões que antes se concentravam em ações inspiradas no caso nepalês passaram a abordar temas variados e a defender, de forma mais frequente, a realização de manifestações pacíficas.

Apesar dessa mudança de discurso, mensagens trocadas nas últimas semanas mostram que alguns participantes continuam defendendo iniciativas de mobilização durante o período eleitoral. Parte das publicações faz referência à possibilidade de aproveitar a visibilidade das eleições para ampliar a repercussão do movimento.

As mensagens compartilhadas nos canais também revelam diferenças de estratégia, enquanto alguns integrantes defendem ações mais imediatas, administradores de grupos com milhares de participantes têm orientado os membros a priorizar a ampliação da base de apoio e a estruturação do movimento antes de promover manifestações públicas.

As conversas mostram que, apesar da inspiração nos acontecimentos registrados no Nepal, os grupos brasileiros ainda enfrentam dificuldades para construir uma pauta unificada e uma estratégia comum de atuação política.

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Fonte: Jornal Opção

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