Governo Trump comemora acordo para usar energia de Itaipu em data center no Paraguai

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Por Jamil Chade — ICL Notícias

Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.

O governo de Donald Trump comemorou a assinatura de um acordo que permitirá o estabelecimento de um data center no Paraguai e que será abastecido com a energia gerada pela Usina de Itaipu.

Os entendimentos foram anunciados pelo subsecretário Christopher Landau, que está na região nesta semana.

“O poder da água é impressionante. O Paraguai e o Brasil aproveitaram a força do imponente rio Paraná na Usina de Itaipu, uma das maravilhas da engenharia mundial. Esse projeto não passava de um sonho quando eu vivia no Paraguai, ainda menino, na década de 1970; foi uma verdadeira alegria visitar a obra concluída, agora na condição de vice-secretário de Estado dos EUA”, escreveu Landau.

“E foi ainda melhor encontrar o presidente paraguaio Santiago Pena para anunciar que investidores norte-americanos firmaram um acordo para construir um centro de dados nas proximidades, aproveitando a abundante energia hidrelétrica”, explicou.

“Esse acordo tem o potencial de se tornar o maior investimento privado estrangeiro na história do Paraguai, fortalecendo, assim, os laços de longa data entre nossos países”, completou.

Segundo um comunicado, os compromissos entre os dois países incluem novos investimentos do setor privado norte-americano, “uma cooperação mais robusta para garantir a segurança do espaço aéreo e das fronteiras do Paraguai, um maior apoio dos EUA às forças de segurança e aos esforços para combater fluxos financeiros ilícitos, além de medidas voltadas à cooperação no uso civil da energia nuclear”.

Num dos anúncios, a Crusoe, empresa norte-americana especializada em infraestrutura para computação, e a Araico, desenvolvedora paraguaia de projetos de energia e infraestrutura, firmaram um acordo de parceria estratégica para a construção de infraestrutura de computação de alto desempenho, alimentada pela Usina Hidrelétrica de Itaipu.

“No âmbito dessa parceria, a Crusoe planeja iniciar as operações em meados de 2027. A instalação utilizará, diretamente, uma das maiores fontes de energia hidrelétrica 100% renovável do mundo, atendendo a clientes de serviços em nuvem tanto nos Estados Unidos quanto na América Latina”, disse.

Fontes que conhecem de forma detalhada o acordo entre Brasil e Paraguai indicam que o pacto de Assunção com o governo Trump está dentro do previsto. A regra estabelece que, se os paraguaios conseguirem atrair investimentos, podem ter acesso à energia gerada pela usina.

Não há, segundo essas fontes, nada que indique que o acordo possa afetar o equilíbrio do mercado brasileiro. Negociadores admitem que, nos últimos anos, o governo brasileiro vem se preparando para uma oferta decrescente a partir de Itaipu.

Por quase meio século, o Brasil teve exclusividade sobre a energia excedente da obra.

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Fonte: ICL Notícias

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