Governo Lula chama atitude de Milei de ‘ingerência inaceitável’ e ‘desequilibrada’
Por Jamil Chade — ICL Notícias
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
O governo brasileiro respondeu às ofensas proferidas nesta terça-feira pelo presidente da Argentina, Javier Milei.
“As ofensas de hoje do Presidente da República Argentina ao Brasil, desta vez dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico, constituem nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”, afirmou o Itamaraty, em uma nota.
“O Presidente da República Argentina reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos. Essa antidemocrática manifestação é inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo”, alertou.
No texto, o governo insiste que “o sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades e observadores eleitorais do mundo inteiro já ratificaram essa realidade no primeiro turno das eleições”.
“A decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se manifestará livremente nas urnas, e sem qualquer tipo de ingerência externa, no domingo, dia 25”, completou a nota.
Mais cedo, Milei foi às redes sociais para atacar de forma gratuita o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ventilar a teoria de que haveria uma operação para fraudar a eleição no Brasil.
A mensagem ocorre num momento em que diversas pesquisas de opinião apontam para uma recuperação de Lula entre os eleitores e um empate técnico entre os dois candidatos.
Em suas contas nas plataformas digitais, o argentino criticou as ações tomadas pelo governo brasileiro, em especial a redução da jornada de trabalho. Mas o tom que Milei usou foi interpretado como parte de uma ação para abalar a credibilidade do processo eleitoral no Brasil.
“Espero que seu último truque de campanha suja não inclua roubar a eleição…esquerda ladrão”, disse Milei, na plataforma X.
A tese da fraude já havia sido usada por Fernando Cerimedo, estrategista argentino e que trabalhou em diversas campanhas da extrema direita latino-americana. Em 2022, foi ele que disseminou a ideia de que Jair Bolsonaro teria sido alvo de um roubo na eleição brasileira. Cerimedo está preso na Bolívia, por tentativa de matar sua ex-companheira. Mas ela assegura que a equipe do argentino continua operando.
Entre membros da sociedade civil e observadores políticos, uma das preocupações sobre a eleição se refere à recusa de que alguns governos reconheçam uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Não por acaso, uma operação de lobby com dezenas de governos pelo mundo ocorreu nos últimos meses. O objetivo é o de garantir que o processo brasileiro seja chancelado e que, ao mesmo tempo, governos de extrema direita fiquem expostos por sua atitude de rejeitar Lula como presidente.
Numa sinalização que também deixou observadores da sociedade civil preocupados, o governo de Donald Trump não se comprometeu na semana passada em reconhecer os resultados eleitorais no Brasil.
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Fonte: ICL Notícias