Governador eleito do Pará anuncia ‘advogado do agro’ para comandar Meio Ambiente

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Por Viviane Zandonadi — SUMAÚMA

Levantamento de SUMAÚMA encontrou 75 nomes que disputam uma vaga nas eleições de 2026 com infrações na Amazônia; entre eles estão aliados de Flávio Bolsonaro, que fizeram do ataque à fiscalização ambiental bandeira eleitoral

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DANIEL SANTOS COM VINICIUS BORBA, ADVOGADO DE FAZENDEIROS CONTRA MULTAS E EMBARGOS AMBIENTAIS QUE ASSUMIRÁ COMANDO DO MEIO AMBIENTE NO PARÁ. FOTO: REPRODUÇÃO DO INSTAGRAM

Vinicius Borba, que defendeu Daniel Santos contra multa imposta pelo Ibama, diz que sua indicação não representa ‘carta branca’ para o desmatamento ou o garimpo ilegal

Daniel Santos, o Dr. Daniel, que venceu no primeiro turno a eleição para governador do Pará, anunciou que Vinicius Borba, que se autointitula o “advogado do agro”, será seu secretário do Meio Ambiente. Santos, do Podemos, foi eleito numa aliança com o PL bolsonarista, e Borba foi um de seus principais cabos eleitorais na região sudoeste do Pará.

O advogado tem fazendas em Canaã dos Carajás e na Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, uma unidade de conservação estadual que tem 43% de sua área ocupada pela agropecuária. Fundador da Associação dos Produtores Rurais Independentes da Amazônia, a Apria, em junho de 2026 ele foi um dos articuladores de uma ofensiva digital contra ações de fiscalização do ICMBio na Estação Ecológica Terra do Meio, vizinha à Triunfo do Xingu, e na Floresta Nacional do Jamanxim. Na época, Borba defendia Pedro Ferreira Lima, conhecido como Pedro Coco, um posseiro que teve apreendidos 364 bois criados na estação ecológica, onde essa atividade é proibida. Até agora, as duas ações impetradas por ele em favor de Lima não tiveram sucesso.

Borba também advogou para três dos 75 candidatos às eleições de 4 de outubro que haviam sido autuados pelo Ibama de 2004 a 2026, entre eles o próprio Dr. Daniel. O futuro secretário foi multado pelo Ibama em 2023 sob a acusação de “dificultar a ação do poder público no exercício de atividade de fiscalização ambiental”. Ele contesta essa multa.

O pontapé inicial da campanha de Dr. Daniel no sudoeste do Pará foi dado num evento organizado no início de junho em Altamira pelo Siralta, o sindicato local dos ruralistas, e pelo movimento Direita Xingu. Os palestrantes do evento defenderam a redução das prerrogativas dos órgãos ambientais e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas, a Funai. Na ocasião, o candidato prometeu anistiar as multas estaduais impostas a pequenos proprietários do Pará por infrações ambientais como o desmatamento. Na região, “pequenas propriedades” podem ter até 300 hectares, ou 3 quilômetros quadrados.

O futuro secretário entrou em contato com SUMAÚMA e pediu um “voto de confiança”. Disse que pretende dialogar com todos os lados, incluindo os ambientalistas. Repetiu duas vezes que a nomeação dele, a vitória de Dr. Daniel e uma eventual vitória do candidato da extrema direita Flávio Bolsonaro em 25 de outubro não representam uma “carta branca” nem para o desmatamento nem para o garimpo ilegal. Disse que vai propor um pacto aos fazendeiros: “Vamos parar um ano aí de mexer com o negócio de desmatamento, de fogo, para que a gente possa ter um ambiente para sentar setor produtivo, governo, ONGs, comunidade internacional, Ministério Público Federal e mídia internacional, mídia nacional”.

Borba enviou um vídeo em que pede a invasores que não voltem para a Terra Indígena Apyterewa, de onde cerca de 3 mil pessoas e 60 mil bois foram retirados em uma operação do governo federal em 2024. Afirmou ainda que reconhece que no momento é ilegal a entrada de não Indígenas em Ituna Itatá, terra ainda não demarcada que é objeto de uma portaria que proíbe esse ingresso. “Ituna Itatá só vai ser resolvida se nós conseguirmos uma audiência judicial na Vara Federal de Altamira, onde estejam os produtores rurais, a Funai, Ministério Público Federal, e ali, porventura, se encontre o entendimento. Até então, Ituna Itatá tem uma sentença judicial [confirmando a portaria] que é o que prevalece”, disse.

Sobre a promessa feita por Daniel Santos de anistiar as multas, o futuro secretário afirmou que “não existe a palavra anistia”. Segundo ele, em alguns casos será possível suspender o embargo de uso das áreas onde houve desmatamento ilegal. As multas poderão ser parceladas, como já prevê a legislação, ou suspensas mediante termos de ajustamento de conduta.

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Fonte: SUMAÚMA

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