Gonet deve sair fortalecido caso processo no MPF seja arquivado, dizem aliados
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A sessão extraordinária do Conselho Superior do Ministério Público Federal marcada para esta sexta-feira (25) deve analisar se há elementos para abrir uma investigação interna contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por sua atuação no caso Master. A expectativa entre aliados do PGR, segundo a CNN Brasil, é de que o colegiado não autorize a abertura do procedimento e, com isso, acabe dando respaldo institucional a Gonet.
A avaliação de fontes ouvidas pela CNN é que a reunião pode produzir um efeito contrário ao desgaste inicial: em vez de ampliar a pressão sobre o procurador-geral, o eventual arquivamento tende a reforçar a tese de que não houve infração legal na conduta de Gonet. A sessão também é interpretada como uma resposta ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que conduzia o caso Master e irritou a cúpula da PGR ao expor o processo.
O caso ganhou força após a divulgação de mensagens e registros envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Gonet foi citado em ao menos duas trocas de mensagens extraídas do celular de Vorcaro, conforme revelou a CNN. Em uma delas, o ex-banqueiro se dirigiu ao ministro Alexandre de Moraes e perguntou: “Não podemos reverter isso com Paulo e Andrei”. Investigadores identificaram “Paulo” como referência a Gonet e “Andrei” como Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.
Outro ponto sob análise é a menção ao advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master. De acordo com relatório da Polícia Federal divulgado no início de setembro, há indícios de que ele teria intermediado conversas entre Gonet e Vorcaro. Em uma mensagem, Ciro encaminhou a Vorcaro uma foto ao lado do procurador-geral e escreveu: “Liga aqui. Ele quer falar com você”. A perícia da PF apontou chamadas consecutivas entre Vorcaro e o advogado.
Apesar do desgaste, aliados de Gonet avaliam que o material revelado até agora não demonstra ilegalidade. Pessoas próximas ao PGR admitem, no entanto, que alguns conselheiros podem adotar um tom de “censura moral” durante a sessão, especialmente por causa de uma foto em que Gonet aparece ao lado de Vorcaro, fumando charuto em uma festa em Londres. A imagem é vista como constrangedora para o Ministério Público Federal, mas não como prova de irregularidade.
Nos bastidores, a punição mais severa considerada possível no âmbito do Conselho Superior do MPF seria uma advertência. A destituição de um procurador-geral da República depende de aprovação da maioria absoluta do Senado, em votação secreta. Já uma eventual autorização para investigar Gonet caberia ao plenário do Supremo Tribunal Federal.
Em manifestação enviada ao conselho, Gonet afirmou não ter interesse pessoal nos processos envolvendo Vorcaro e disse se considerar “juridicamente plenamente apto” para atuar em procedimentos relacionados ao Banco Master. Em sessão no STF no último dia 15, quando se discutia a possibilidade de abrir uma investigação contra Alexandre de Moraes, o procurador-geral também negou proximidade com o ex-banqueiro.
“Não existe, nem tive, relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que eu tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades, em abril de 2024. A única ligação, intermediada por advogado, foi brevíssima e banal”, declarou Gonet.
A sessão desta sexta será presidida pelo vice-presidente do conselho, o subprocurador-geral da República Nicolao Dino, irmão do ministro do STF Flávio Dino. Segundo a CNN, apesar do parentesco, Nicolao não é visto internamente como alguém necessariamente próximo de Gonet, pois tem pretensões de chegar ao comando da PGR.
O relator do procedimento é o subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino. Depois da apresentação do caso, os conselheiros devem votar em ordem reversa de antiguidade. O Conselho Superior do MPF tem dez integrantes, mas Gonet não deve votar, já que é o alvo da análise.
A decisão do colegiado será acompanhada de perto em Brasília porque ocorre em meio à disputa institucional provocada pelo caso Master, que já colocou em rota de colisão setores da Procuradoria-Geral da República, da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal. Para aliados de Gonet, um arquivamento nesta sexta-feira serviria não apenas para encerrar a pressão dentro do MPF, mas também para reposicionar o PGR no centro da condução jurídica do caso.
Fonte: Brasil 247