Goiás terá R$ 42,5 milhões para financiar projetos de inovação, diz ministra
Por Júnior Kamenach — Jornal Opção

Goiás terá R$ 42,5 milhões destinados ao financiamento de projetos de inovação tecnológica selecionados na primeira etapa de uma chamada pública do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Segundo a ministra Luciana Santos, 11 iniciativas goianas foram contempladas nesta fase.
A seleção integra um programa voltado a empresas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O orçamento inicial, de R$ 300 milhões, foi ampliado para R$ 450 milhões após o anúncio de uma suplementação de R$ 150 milhões. Em entrevista ao Jornal Opção, a ministra afirmou que os investimentos devem fortalecer o ecossistema de inovação em Goiás, com iniciativas voltadas à agroindústria, à saúde e à transformação digital.
“Estamos falando de apoiar soluções reais que vão desde a modernização e descarbonização da nossa agroindústria até avanços na saúde e na transformação digital”, declarou. Luciana Santos também destacou a presença de projetos fora dos principais centros urbanos.
Segundo ela, municípios como Inhumas, Senador Canedo e Aparecida de Goiânia estão entre os locais que recebem iniciativas contempladas. Para a ministra, a interiorização dos recursos pode contribuir para a geração de empregos qualificados e a permanência de profissionais especializados no estado.
Recursos podem beneficiar mais empresas
A ampliação do orçamento permitirá convocar propostas classificadas no cadastro de reserva da chamada pública. A expectativa do governo federal é aumentar de 78 para cerca de 120 o número de projetos apoiados. De acordo com Luciana Santos, a seleção dos novos beneficiários seguirá a classificação por mérito técnico, conforme a avaliação realizada pelas equipes responsáveis pelo processo.
A chamada recebeu 587 propostas, que somaram uma demanda de R$ 2,25 bilhões. O volume supera em mais de sete vezes o orçamento inicialmente previsto. Para a ministra, a procura demonstra a necessidade de ampliar os mecanismos de financiamento à inovação nas regiões historicamente menos atendidas pelos investimentos nacionais.
“Essa procura recorde escancara uma necessidade represada por anos”, afirmou. Segundo ela, desde 2023, mais de R$ 10,2 bilhões foram destinados às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste em investimentos de ciência, tecnologia e inovação. As micro e pequenas empresas representam 75,6% dos negócios contemplados na primeira etapa da chamada, o equivalente a 59 empresas.
O programa utiliza a modalidade de subvenção econômica, que oferece recursos não reembolsáveis para financiar atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Dessa forma, as empresas não precisam devolver o dinheiro recebido, desde que cumpram as condições previstas no programa.
Na avaliação da ministra, o modelo permite que negócios de menor porte invistam em novas tecnologias sem assumir uma dívida financeira. “O Estado assume o risco tecnológico junto com o pequeno empresário. A micro e pequena empresa não ganha uma dívida no banco; ela ganha fôlego financeiro para pesquisar, errar, acertar e colocar um produto inovador no mercado”, disse.
A iniciativa também prevê a participação de 36 instituições científicas, tecnológicas e de inovação, que prestarão apoio técnico aos projetos. Cerca de R$ 45 milhões serão destinados a contratos de cooperação tecnológica com essas instituições.

Centro-Oeste terá novas oportunidades
A ministra afirmou que o MCTI pretende continuar promovendo chamadas regionalizadas e ampliando o acesso de empresas do interior aos instrumentos de financiamento. Segundo ela, o Centro-Oeste tem papel estratégico nas áreas de transição energética, bioeconomia e segurança alimentar, temas relacionados às missões da política industrial Nova Indústria Brasil.
Luciana Santos também apontou a integração entre universidades, institutos federais e empresas como um dos desafios para consolidar o ambiente de inovação na região. “Precisamos garantir que os pequenos municípios também tenham acesso às ferramentas de fomento e às redes de suporte técnico”, afirmou.
A ministra não detalhou datas ou valores de novos editais específicos para Goiás. Ela, porém, disse que o governo pretende manter a agenda de chamadas regionalizadas em parceria com a Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), governos estaduais e instituições de ensino e pesquisa.
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Fonte: Jornal Opção