Gilmar Mendes: “Poucos fizeram tanto para aproximar o jornalismo e o Direito quanto Márcio Chaer”

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), prestou uma extensa e emocionada homenagem ao jornalista Márcio Chaer, fundador do Consultor Jurídico (ConJur), que morreu neste sábado (3), em São Paulo. Em sua manifestação, Gilmar destacou o papel histórico desempenhado pelo jornalista na democratização do acesso à informação jurídica e sua coragem na defesa das garantias individuais e do Estado de Direito.

“Recebi com profunda tristeza a notícia do falecimento de Márcio Chaer, fundador do Consultor Jurídico. Jornalista qualificado, foi um dos pioneiros do jornalismo especializado em assuntos jurídicos no país. Mais do que um profissional que eu admirava e acompanhava, perdi um querido amigo. Seu caráter íntegro e sua generosidade permanecerão na lembrança de todos que com ele conviveram”, afirmou.

Gilmar Mendes recuperou também o nascimento do ConJur, cujo primeiro texto foi publicado em 25 de julho de 1997, em um momento no qual, segundo o ministro, o Judiciário ainda mantinha grande distância da sociedade.

“Márcio ajudou a mudar isso”

“Em 25 de julho de 1997, o ConJur publicou seu primeiro texto. O Judiciário brasileiro ainda era solene e distante, e pouco do que se decidia nos tribunais chegava ao público. Márcio ajudou a mudar isso”, afirmou Gilmar.

Segundo o ministro, Chaer “construiu uma plataforma que democratizou o acesso à informação especializada de qualidade”, oferecendo gratuitamente ao público conteúdo jurídico especializado e abrindo espaço para estudiosos do Direito.

“Não há um advogado, um juiz ou um promotor no país que não tenha frequentado esse site e percorrido o universo de informações que ali vicejava”, afirmou.

A avaliação de Gilmar Mendes traduz a dimensão alcançada pelo projeto criado por Chaer. O ConJur se especializou em acompanhar as principais teses, decisões e tendências da jurisprudência brasileira, assim como as atividades legislativas e administrativas relacionadas ao universo jurídico.

Uma referência além das fronteiras brasileiras

Gilmar também lembrou a criação, em 2007, do Anuário da Justiça, outra iniciativa liderada por Chaer que se consolidou como fonte de informações sobre os tribunais brasileiros.

“Com o tempo, o projeto ganhou capilaridade e alcance: em 2007, Márcio criou o Anuário da Justiça, que passou a registrar perfis, decisões e tendências dos tribunais e se firmou como referência de consulta”, afirmou.

A coleção ultrapassou 70 edições, abrangendo o Supremo Tribunal Federal e os tribunais superiores, além da Justiça Federal, Justiça do Trabalho e outras áreas do sistema jurídico.

O decano do STF ressaltou ainda a internacionalização do ConJur, que passou a publicar juristas estrangeiros de grande projeção.

Gilmar citou nomes como o italiano Luigi Ferrajoli, os argentinos Eugenio Raúl Zaffaroni e Raúl Gustavo Ferreyra e os portugueses Jorge Miranda e Carlos Blanco de Morais.

“Assim, Márcio posicionou a revista na vanguarda da cobertura jurídica. Poucos fizeram tanto para aproximar o jornalismo e o Direito, e o público da informação qualificada”, declarou.

Coragem na cobertura da Lava Jato

Um dos pontos mais contundentes da homenagem de Gilmar Mendes diz respeito à atuação de Chaer nos momentos de maior tensão política e institucional da história brasileira recente.

“Márcio era um defensor das instituições e um entusiasta da difusão do conhecimento. Fugia do superficial. Nos momentos mais agudos da vida nacional, teve coragem e destemor para sustentar posições contramajoritárias, sempre leal aos fatos e ao senso de justiça”, afirmou.

O ministro destacou especificamente a postura do ConJur durante a Operação Lava Jato.

“Foi assim na cobertura da Lava Jato, quando abriu espaço, num momento em que poucos o faziam, para a crítica aos abusos e às violações de direitos fundamentais. Para ele, o jornalismo era também uma forma de defender as garantias individuais e o Estado de Direito.”

A cobertura da ConJur efetivamente se diferenciou naquele período ao questionar procedimentos da operação e publicar reportagens sobre possíveis abusos, inclusive interceptações envolvendo o escritório responsável pela defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Gilmar definiu o veículo dirigido por Chaer como “um dos bastiões de resistência contra a desinformação, ao oferecer conteúdo de qualidade”.

“Continuará sendo uma referência”

Além da importância institucional de sua obra, o decano do STF ressaltou a capacidade de Chaer de reunir pessoas e construir relações duradouras.

“Ao redor do ConJur, Chaer reuniu gerações de jornalistas e juristas renomados e cultivou amizades que atravessaram décadas. Tenho a honra de ter convivido com ele”, afirmou.

Gilmar encerrou a manifestação dirigindo suas condolências à família, aos amigos e aos profissionais que trabalharam com o jornalista.

“À sua família, aos amigos e à equipe do ConJur, expresso minhas sinceras condolências e meu respeito por aquele que foi, e continuará sendo, uma referência para o jornalismo e para o Direito no Brasil.”

A homenagem de Gilmar Mendes se soma às manifestações de integrantes do Judiciário e do mundo jurídico após a morte de Chaer. O jornalista deixa como principal obra uma publicação que, em quase três décadas, ajudou a transformar a relação entre a sociedade brasileira e o sistema de Justiça.

Nas palavras do decano do Supremo, poucos fizeram tanto quanto Márcio Chaer para aproximar o jornalismo, o Direito e o público da informação qualificada.

Recebi com profunda tristeza a notícia do falecimento de Márcio Chaer, fundador do Consultor Jurídico. Jornalista qualificado, foi um dos pioneiros do jornalismo especializado em assuntos jurídicos no país. Mais do que um profissional que eu admirava e acompanhava, perdi um… pic.twitter.com/cn6KbFLvtg

— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) October 3, 2026

Fonte: Brasil 247

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