Gilmar Mendes critica André Mendonça e diz que Conselho do MPF “confirmou a lisura” de Gonet

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, afirmou neste sábado (26) que a decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) confirma a lisura e a integridade do procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, na condução das investigações relativas ao Banco Master.

A manifestação de Gilmar Mendes ocorre após a 1ª Sessão Extraordinária do CSMPF, realizada nesta sexta-feira (25), na qual o colegiado decidiu pelo não conhecimento e julgou prejudicados os pedidos de afastamento de Gonet do caso. Além disso, o conselho negou os pedidos de abertura de investigação criminal contra o procurador-geral, apontando a ausência de elementos mínimos para a tipificação do crime de prevaricação.

Em sua declaração, o ministro destacou que o resultado do julgamento apenas reforça o que já era de conhecimento público e criticou a condução do caso e a exposição gerada pelo ministro André Mendonça antes da deliberação. “A decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal, ontem, confirma o que já se sabia. Nada havia que impedisse o Procurador-Geral de seguir atuando nos processos do Banco Master, muito menos algo que arranhasse a reputação construída em décadas de serviço público”, pontuou o decano.

Gilmar Mendes relembrou que o próprio relator do processo na Corte, André Mendonça, já havia admitido a inconsistência das acusações, mas ponderou que o reconhecimento ocorreu de forma tardia e após severos danos à imagem do PGR. “Antes disso, o próprio relator já havia reconhecido em Plenário a fragilidade das insinuações. Tarde demais, e com uma tranquilidade desconcertante diante da qual não me calei. Levanta-se o sigilo, submete-se a reputação de um homem honrado a ataques rasteiros nas redes sociais e, só então, reconhece-se que nada de grave havia naquelas conversas”, criticou.

Para o decano, a retratação do relator foi um “reparo tíbio e conveniente para quem causou o dano, mas inútil para quem carrega suas consequências”. Ele ressaltou que a divulgação prematura do material consumou o dano reputacional contra o chefe do Ministério Público da União. “O sigilo já havia sido levantado e as manchetes já haviam circulado. O dano reputacional já estava consumado. O que fica é um retrato sem filtro de vazamentos seletivos, em um inquérito que, curiosamente, ganhou tração conforme avançava o ciclo eleitoral”, disparou.

Críticas a decisões individuais e defesa do juiz de garantias

Além de abordar a situação de Gonet, Gilmar Mendes relacionou o caso a outro episódio recente: o afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado por decisão individual de Mendonça. De acordo com o ministro, a medida foi “desproporcional, de efeitos institucionais imprevisíveis, que desarticulou, ainda que por breve período, o comando do órgão responsável pela segurança das nossas fronteiras e pela repressão a crimes graves de caráter transnacional”, cuja pronta reversão evitou prejuízos maiores.

O decano salientou que, embora sejam episódios de naturezas distintas, ambos revelam uma fragilidade estrutural comum nas instâncias judiciais. “São episódios diferentes, mas que lançam luz sobre o mesmo problema. Decisões individuais de enorme alcance, tomadas de afogadilho na fase de investigação, cujos efeitos sobre reputações e sobre instituições são irreparáveis”, argumentou.

Diante desse cenário, Gilmar Mendes voltou a defender a implementação da figura do juiz de garantias no âmbito da Suprema Corte para evitar decisões monocráticas de alto impacto em fases investigatórias. “Tudo isso reforça a posição que já defendi quanto à necessidade de que a figura do juiz de garantias também possa valer para o Supremo Tribunal Federal”, reforçou.

Ao concluir sua manifestação, o ministro do STF prestou solidariedade aos dois alvos das recentes medidas judiciais. “A Paulo Gonet, reafirmo minha solidariedade. A decisão de ontem apenas confirmou a lisura de um homem íntegro, que dedicou a vida ao país e às instituições. Registro também minha solidariedade ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, delegado de carreira com mais de 20 anos de serviços prestados ao país na área de segurança pública”, finalizou.

A decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal, ontem, confirma o que já se sabia. Nada havia que impedisse o Procurador-Geral de seguir atuando nos processos do Banco Master, muito menos algo que arranhasse a reputação construída em décadas de serviço público.…

— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) September 26, 2026

Fonte: Brasil 247

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