Gestão e eficiência operacional são os maiores desafios dos hospitais, aponta executivo da saúde

0

Por Raunner Vinícius SoaresJornal Opção

Gestão e eficiência operacional são os maiores desafios dos hospitais, aponta executivo da saúde

Os desafios da gestão, a necessidade de eficiência operacional e a adaptação às novas tecnologias estão entre os fatores que mais influenciam a sustentabilidade das instituições de saúde. A avaliação é de Renato Gomes, executivo com 26 anos de experiência na área da saúde. Ao Jornal Opção, ele afirmou que problemas de gestão estão entre os elementos que ajudam a explicar as dificuldades enfrentadas por parte dos hospitais brasileiros.

Renato Gomes, executivo com 26 anos de experiência na área da saúde | Foto: Acervo Pessoal

Ao analisar os desafios atuais da liderança na saúde, Renato apontou para a necessidade de combinar formação, experiência prática e atualização constante. Com quase três décadas de atuação na gestão hospitalar, ele considera fundamental que os líderes desenvolvam habilidades estratégicas e mantenham uma rede ativa de relacionamentos profissionais.

“É importante ter visão estratégica do negócio, conhecimento em gestão econômico-financeira, capacidade de liderar pessoas e compreensão sobre governança. Também é essencial contar com boas assessorias, especialmente em áreas como compliance, além de manter atenção permanente à qualidade, à segurança e à experiência do paciente”, disse.

Evento marcado

As discussões sobre esses desafios estarão no centro da 2ª Conexão CBEXS Goiás, marcada para 25 de setembro, em Goiânia. Presidente do capítulo goiano do Colégio Brasileiro de Executivos em Saúde, Renato Gomes participará dos debates sobre gestão, tecnologia, inovação e liderança no setor.

Segundo ele, o CBEXS Goiás já realiza atividades no Estado há alguns anos e tem ampliado a agenda de eventos voltados ao desenvolvimento dos executivos da saúde. “A ideia é promover o encontro dos executivos e trazer conhecimento e atualização por meio de pessoas reconhecidas e com ampla experiência no setor”, afirmou.

Erros médicos e novas tecnologias

Ao ser questionado sobre situações delicadas, como a ocorrência de erros médicos, o executivo reforçou que a preparação do gestor passa pelo aprimoramento contínuo das competências de liderança e pela formação de equipes qualificadas. Para ele, o relacionamento com outros profissionais do setor também contribui para ampliar perspectivas e encontrar soluções para problemas complexos.

A respeito das transformações tecnológicas, Renato avalia que o mercado oferece uma quantidade crescente de soluções inovadoras, mas ressalta que o principal desafio é identificar quais ferramentas realmente atendem às necessidades de cada instituição. Ele afirma que a adoção de tecnologia deve estar vinculada aos problemas concretos enfrentados pelas organizações.

“Muitas ferramentas estão disponíveis no mercado, mas o gestor precisa desenvolver a capacidade de identificar o que melhor se aplica ao seu negócio. É necessário compreender quais são as principais dificuldades da organização, selecionar a tecnologia adequada e contar com profissionais capacitados para apoiar esse processo”, explicou.

Em sua dissertação de mestrado e em um capítulo de livro publicado recentemente, Renato abordou justamente o papel da inovação e da tecnologia na gestão da saúde. A partir de entrevistas realizadas com diversos CEOs do setor, ele concluiu que o sucesso depende da integração entre pessoas, processos e tecnologia. “Esse é o tripé da eficiência ao qual todo executivo deve estar atento”, afirmou.

Desafios financeiros

Na entrevista, o executivo também comentou os desafios financeiros enfrentados por hospitais privados e os recentes casos de recuperação judicial envolvendo instituições de saúde em Goiás. Embora ressalte não acompanhar a situação atual de todos os casos em Goiás, ele considera que as dificuldades decorrem de uma combinação de fatores estruturais e gerenciais.

Segundo Renato, há hospitais que surgiram a partir da iniciativa de médicos e que, ao longo do tempo, não acompanharam a evolução das práticas modernas de gestão. Ele observa ainda que aspectos como número reduzido de leitos, limitações de escala e modelos de atuação excessivamente restritos podem comprometer a sustentabilidade dos negócios.

“Na minha avaliação, a gestão é um dos fatores que mais impactam esse cenário. É preciso observar como está a eficiência operacional, o dimensionamento das equipes, os processos de compras e faturamento. Uma unidade de saúde tem um nível de complexidade muito elevado e funciona como se fossem várias empresas dentro do mesmo ambiente”, afirmou.

Papel da liderança

Para ilustrar o papel da liderança, ele comparou a gestão hospitalar à condução de uma grande orquestra. “O principal gestor precisa atuar como um maestro, atento a todos os processos, porque qualquer falha em uma área pode comprometer o desempenho de todo o sistema”, declarou.

O especialista explicou que a sustentabilidade financeira das instituições está diretamente relacionada ao controle de custos e à eficiência dos processos internos. Na visão dele, as margens de lucro do setor não são elevadas e sofrem pressão constante dos mecanismos de remuneração praticados pelas operadoras de saúde.

“As margens são muito baixas. Por isso, as organizações precisam buscar máxima eficiência operacional. É necessário controlar desde os grandes contratos até os menores detalhes do cotidiano. Gestão de custos, compras, pagamentos e acompanhamento financeiro precisam estar sob controle permanente”, afirmou.

O executivo enumerou uma série de elementos que considera indispensáveis para a boa gestão hospitalar. Segundo ele, entre eles estão estratégia e governança, gestão econômico-financeira, eficiência operacional, qualidade e segurança assistencial, capacitação de lideranças, uso de dados, tecnologia, inovação e atenção constante às pessoas e aos processos.

“Quando todos esses fatores estão bem estruturados, a organização consegue atravessar momentos de dificuldade. A diferença entre instituições que enfrentam problemas e aquelas que continuam crescendo normalmente está relacionada à execução adequada desses fundamentos de gestão”, observou.

Participação interativa

Renato apontou que, além do conteúdo técnico, um dos diferenciais da 2ª Conexão CBEXS Goiás será o modelo de interação proposto para os participantes. Renato Gomes afirma que o evento foi planejado para ir além das palestras tradicionais, promovendo espaços de diálogo e construção coletiva de conhecimento.

Os participantes deverão encaminhar perguntas aos palestrantes ainda no momento da inscrição. As questões passarão por uma curadoria e serão utilizadas durante os debates ao final das apresentações. Segundo o organizador, o objetivo é estimular uma participação mais ativa do público.

“A proposta é transformar o evento em um ambiente de conversa. Queremos que os participantes compartilhem experiências, apresentem dúvidas e contribuam para o debate. A intenção é que todos saiam com novos conhecimentos e perspectivas”, disse.

O encontro também contará com espaços destinados a conversas diretas entre participantes, palestrantes, gestores hospitalares e representantes do mercado. De acordo com Renato Gomes, haverá ambientes específicos para networking e troca de experiências práticas relacionadas aos desafios cotidianos da gestão em saúde.

“Queremos gerar sinergia entre as pessoas presentes. Muitas vezes os participantes assistem às palestras, tomam um café e vão embora. Nossa proposta é incentivar o diálogo, aproximar profissionais e criar oportunidades para que compartilhem soluções e aprendizados”, afirmou.

Criação de oportunidades

Embora não considere que exista necessariamente uma falha na troca de experiências entre gestores, o especialista defende que o setor deve fortalecer esses espaços de interação. “Se essa troca já acontece, queremos fortalecê-la. Se acontece pouco, queremos ampliá-la. O importante é criar oportunidades para que as pessoas conversem e aprendam umas com as outras”, concluiu.

Leia também:

Cão que cuidou de mais de 200 gatinhos órfãos ao longo da vida morre

Vapt Vupt Praça da Bíblia muda de local e amplia atendimentos; veja novo endereço

TRE-GO analisa quatro candidaturas contestadas pelo MPE; duas são deferidas e uma segue pendente

O post Gestão e eficiência operacional são os maiores desafios dos hospitais, aponta executivo da saúde apareceu primeiro em Jornal Opção.

Fonte: Jornal Opção

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *