Geração Z muda a dinâmica da liderança e desafia empresas a equilibrar expectativas e responsabilidades
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Publicado em 13 de Outubro de 2026 às 14:15
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A chegada da Geração Z ao mercado de trabalho tem provocado mudanças nas relações profissionais e levado empresas a repensar práticas de liderança, comunicação e desenvolvimento de talentos. No Brasil, 59% dos jovens dessa geração esperam que seus gestores ofereçam orientação e apoio, mas apenas 46% afirmam receber esse acompanhamento, segundo a Deloitte Global Gen Z and Millennial Survey 2025.
Para Nicole Pappon, CEO da Grapa’C, operação de estratégia e inteligência em influência do Grupo Dreamers, o cenário evidencia um desafio que vai além das diferenças geracionais: encontrar o equilíbrio entre as expectativas dos profissionais e as responsabilidades que fazem parte do desenvolvimento de uma carreira.
“Existe uma transformação importante acontecendo na relação das novas gerações com o trabalho. Os jovens chegam com novas expectativas, questionam modelos tradicionais e valorizam aspectos que antes tinham menos espaço nas discussões corporativas . Isso é positivo, mas também precisamos falar sobre comprometimento, consistência e responsabilidade. Construir uma carreira exige tempo, dedicação e disposição para aprender, independentemente da geração”, afirma.
No setor de marketing e comunicação, essa discussão ganha ainda mais relevância. A Geração Z cresceu acompanhando a evolução das plataformas digitais, das redes sociais e das novas formas de consumir conteúdo. Essa familiaridade representa uma vantagem competitiva em um mercado que depende cada vez mais da compreensão de comportamentos, tendências e transformações culturais.
Por outro lado, o domínio das novas linguagens não substitui competências fundamentais, como visão estratégica, capacidade de execução, relacionamento interpessoal e gestão de projetos.
“Na comunicação, ter profissionais conectados com o que acontece nas redes e com os novos comportamentos é extremamente valioso. Mas conhecer tendências não significa, necessariamente, saber transformá-las em estratégia ou resultado. Existe um aprendizado que vem da prática, da experiência e da troca com profissionais que já passaram por diferentes desafios. O melhor cenário é quando conseguimos combinar esses repertórios”, explica a executiva.
O levantamento da Deloitte também aponta que 27% dos jovens brasileiros consideram ensinar e orientar funcionários uma responsabilidade de seus gestores, enquanto 25% afirmam receber esse tipo de apoio. Os números reforçam a importância de uma liderança presente, capaz de orientar o desenvolvimento profissional sem deixar de estabelecer expectativas claras sobre desempenho e entregas.
Para Nicole Pappon, o papel das empresas é oferecer condições de aprendizado, feedback e crescimento, mas essa construção também depende do protagonismo de cada profissional.
“É importante que as empresas escutem seus talentos, ofereçam direcionamento e construam ambientes saudáveis. Mas o desenvolvimento profissional é uma via de mão dupla. Não podemos colocar toda a responsabilidade sobre a liderança, assim como não podemos esperar que os profissionais descubram tudo sozinhos. É preciso haver interesse genuíno em aprender, abertura para feedbacks e entendimento de que crescimento e reconhecimento são construídos ao longo do tempo”, destaca.
A executiva também chama atenção para o risco de generalizações. Embora a Geração Z compartilhe algumas características relacionadas ao contexto tecnológico e cultural em que cresceu, isso não significa que todos os jovens tenham as mesmas expectativas ou atitudes em relação ao trabalho.
“Eu também faço parte da Geração Z e acredito que precisamos fugir dos extremos. Não acho justo rotular uma geração inteira como pouco comprometida, assim como não acredito que os modelos mais novos sejam necessariamente melhores do que os anteriores. Existem profissionais extraordinários em todas as idades. O que faz diferença é a postura, a capacidade de adaptação e a vontade de contribuir”, afirma Nicole Pappon.
Nesse contexto, a convivência entre diferentes gerações pode representar uma oportunidade para as organizações. Enquanto profissionais mais jovens contribuem com novos olhares sobre tecnologia, linguagem e comportamento, profissionais mais experientes agregam repertório estratégico, maturidade na tomada de decisões e conhecimento acumulado ao longo da carreira.
Para as lideranças, o desafio está em construir ambientes que valorizem essas diferentes contribuições, mantendo objetivos compartilhados, critérios claros de avaliação e uma cultura de responsabilidade.
“Uma boa liderança não é aquela que tenta agradar a todos o tempo inteiro, mas a que consegue criar um ambiente de confiança, desenvolvimento e clareza. Escutar é fundamental, assim como dar feedback , cobrar resultados e reconhecer boas entregas. No fim, não se trata de adaptar toda a empresa a uma geração, mas de construir uma cultura em que pessoas de diferentes idades consigam evoluir e gerar resultados juntas”, conclui Nicole Pappon.
Por Cristian Rodriguez
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