Fux, Conceição Aparecida e a grande fake news. Por Hugo Souza
Por CombateRacismoAmbiental — Combate Racismo Ambiental
E também sobre o grande órgão auxiliar da direção bolsonarista do TSE e do bunker bolsonarista no STF: a imprensa corporativa.
No Come Ananás
Em fevereiro de 2018, Luiz Fux assumiu a presidência do TSE para um mandato relâmpago de seis meses que coincidiu com o período de pré-campanha das eleições gerais daquele ano. Naquela altura, o avanço das fake news nas redes já se afigurava como séria ameaça ao processo eleitoral. Fux, porém, numa entrevista ao jornal O Globo publicada no dia seguinte ao de sua posse, afirmou que a prioridade de sua gestão à frente do TSE seria “prestigiar” a Lei da Ficha Limpa.
Dois anos depois de Deltan Dallagnol relatar a Sergio Moro que Luiz Fux pusera-se à disposição da Lava Jato (“In Fux we trust”. Como esquecer?), o então ministro-presidente do TSE disse ao Globo que não se referia a um candidato específico, que não queria “pessoalizar”, mas ia logo avisando: “candidato ficha-suja” não estava apenas inelegível; estava também “irregistrável”. “Essa é a percepção que nós temos”, emendou. Ali, era “nós” anunciando que a Lula, condenado nos tribunais da Lava Jato, não seria permitido nem mesmo sub judice ir às urnas contra Jair Bolsonaro.
Aparentemente estupefatos, os repórteres quiseram saber: “essa pessoa não pode sequer recorrer da negativa do registro?”. Fux respondeu sumariamente: “acho que ela não pode se registrar”. Os repórteres insistiram: “mas a Lei das Eleições não admite esse tipo de candidatura [sub judice]?”. Fux encerrou a questão: “seria uma forma de driblar a lei”.
Naquela mesma entrevista do início de 2018, Luiz Fux praticamente deu de ombros para a enxurrada de fake news que começava a se formar e que viria a arrastar os Bolsonaro e outros entulhos até o Palácio do Planalto, tal e qual o up-to-grade de “inelegível” para “irregistrável” e outros dribles casuísticos nas leis brasileiras, até na Constituição, para tirar do páreo o candidato a presidente que estava à frente nas pesquisas.
“Nós estamos muito cientes desse problema relativo às fake news e nos aparelhamos para isso. Agora, tem algo muito importante: o grande órgão auxiliar do TSE no combate às fake news é a imprensa. Nós vamos aferir a verossimilhança daquilo que se noticiou através da imprensa”, disse Fux, olimpicamente, ao jornal O Globo, oito anos atrás.
Pois data justamente de oito anos atrás, de apenas duas semanas após a posse de Fux na presidência do TSE e daquela entrevista ao Globo, o primeiro dos 58 ataques da extrema direita aos católicos no Brasil documentados em um relatório produzido pela Comissão Brasileira de Justiça e Paz, organismo ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e entregue nesta segunda-feira, 28, aos bispos da CNBB. Repetindo: 58 ataques desde 2018, incluindo “ameaças, intimidação durante celebrações, ofensas em tribunas parlamentares e monitoramento de bispos” — pela Abin paralela.
Apesar disso, Luiz Fux reinstaurou nesta segunda a proibição que tinha sido imposta pelo vice-presidente do TSE, André Mendonça, mas derrubada por Flavio Dino, a postagens sobre ataques da “família miliciana” aos católicos e seus símbolos. Fux “decidiu” amparado pelo grande órgão auxiliar da direção bolsonarista do TSE e do bunker bolsonarista no STF: a imprensa corporativa. A grande fake news dessa história toda, o vade-mécum de piroca, é que se trata de juízes derrubando notícia falsa sobre Flávio Nantes Bolsonaro e Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil.
Trata-se, em vez disso, de marionetes da extrema direita imiscuídas nas cúpulas da Justiça e agindo não para estancar a circulação de mentiras, mas sim para impedir, barrar, sufocar discurso político legítimo, mais que autorizado pelos fatos, porém ruinoso para os marionetistas, para os titereiros tão mal escondidos por trás das cortinas que não resta a mínima ilusão de que seus bonecos de corda e toga se movem com as próprias pernas entre parágrafos, incisos e alíneas, a poucos dias das eleições.
E o nome disso até as perucas sabem: é censura.
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Fonte: Combate Racismo Ambiental