Fundo Amazônia destina R$ 147,6 milhões ao INPE para monitoramento ambiental com IA

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Por Aquiles Lins — Brasil 247

247 – O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) contará com um investimento de R$ 147,6 milhões do Fundo Amazônia para modernizar o monitoramento ambiental brasileiro, incorporar inteligência artificial à análise de imagens de satélite e desenvolver ferramentas capazes de identificar antecipadamente áreas ameaçadas pelo desmatamento, pela degradação da vegetação e por incêndios florestais.

Os recursos financiarão o projeto SIM-Biomas (Sistema Integrado para Monitoramento da Vegetação Natural dos Biomas Brasileiros), aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável pela gestão do Fundo Amazônia, em articulação com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Segundo informações divulgadas pelo BNDES, a iniciativa terá duração prevista de cinco anos e buscará aumentar a velocidade e a precisão dos dados utilizados pelos órgãos de fiscalização ambiental.

Uma das principais inovações será a utilização de inteligência artificial e aprendizado de máquina para automatizar a interpretação de imagens, identificar alterações na cobertura vegetal e produzir indicadores de risco de curto prazo. O objetivo é permitir que as autoridades atuem preventivamente em regiões com maior probabilidade de desmatamento ou degradação, em vez de depender exclusivamente da identificação de danos já ocorridos.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou a importância do investimento para fortalecer a capacidade de fiscalização ambiental do país.

“O Fundo Amazônia vai ajudar o INPE a aperfeiçoar uma estrutura de monitoramento que é estratégica para o país. Com mais precisão, velocidade e capacidade de antecipar riscos, será possível produzir informações ainda mais qualificadas para apoiar a prevenção e o controle do desmatamento, da degradação e dos incêndios florestais”, afirmou.

Inteligência artificial vai integrar sistemas de monitoramento

O projeto prevê a integração de dois dos principais instrumentos brasileiros de acompanhamento da cobertura vegetal: o PRODES, responsável por produzir taxas de perda da vegetação nativa, e o DETER, que emite alertas em tempo quase real para orientar operações de fiscalização.

A proposta é combinar a precisão espacial do PRODES com a rapidez do DETER, automatizando etapas de processamento e permitindo a produção mais frequente de informações sobre mudanças na vegetação, inclusive com dados ao longo do ano.

O DETER também será expandido para a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pampa. Atualmente, o INPE realiza o monitoramento diário de atividades de supressão e degradação ambiental na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.

Para o diretor do INPE, Antônio Miguel Vieira Monteiro, a iniciativa representa um avanço importante na capacidade científica e tecnológica brasileira.

“A aprovação do Projeto SIM-Biomas é uma grande notícia para as políticas públicas ambientais e climáticas brasileiras e para o INPE em particular. O novo projeto significa avanços técnico-científicos e metodológicos disruptivos nos sistemas e plataformas do INPE, produtos singulares e referências nacional e internacional, associados à produção do melhor e mais qualificado dado e informação de desmatamento, queimada e uso e cobertura, que serão produzidos em menor tempo e com qualidade superior”, declarou.

A execução administrativa ficará sob responsabilidade da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate), enquanto o INPE responderá pelas atividades técnicas. O financiamento será não reembolsável.

Monitoramento de queimadas terá resolução de até 30 metros

Outra mudança prevista é o aperfeiçoamento do mapeamento das áreas atingidas pelo fogo. Atualmente, com exceção do Cerrado, o sistema nacional utilizado pelo INPE trabalha com resolução espacial de um quilômetro para identificar áreas queimadas.

Com a nova metodologia, essa resolução deverá chegar a 30 metros em todos os biomas brasileiros, permitindo delimitar com maior detalhamento a extensão dos incêndios e seus impactos sobre a vegetação.

A tecnologia também será utilizada na produção de mapas sistemáticos e séries históricas de queimadas, oferecendo informações para orientar o planejamento de ações de prevenção e combate ao fogo.

A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, afirmou que o investimento permitirá melhorar a qualidade e a velocidade das informações ambientais.

“O apoio do Fundo Amazônia ao SIM-Biomas fortalece uma capacidade essencial para a política ambiental brasileira: produzir informação de qualidade em tempo cada vez menor. Ao combinar inteligência artificial, maior precisão e indicadores de risco, o projeto vai permitir ao INPE aperfeiçoar o monitoramento dos biomas e apoiar de forma mais efetiva as ações de prevenção, fiscalização e controle”, disse.

Sistema poderá antecipar áreas ameaçadas pelo desmatamento

O SIM-Biomas também desenvolverá um Subsistema de Inteligência Territorial, que reunirá informações ambientais, fundiárias, socioeconômicas e climáticas para calcular indicadores de risco.

Por meio de técnicas avançadas de aprendizado de máquina, o sistema buscará identificar regiões mais vulneráveis ao desmatamento e à degradação no curto prazo.

As análises poderão considerar diferentes recortes territoriais, incluindo terras indígenas e bacias hidrográficas, facilitando a definição de prioridades para órgãos federais, estaduais e municipais.

O projeto também prevê a elaboração de cenários de longo prazo, com simulações sobre os possíveis efeitos de mudanças econômicas, climáticas e de políticas públicas na conservação e recuperação da vegetação.

INPE também vai aperfeiçoar medição de gases de efeito estufa

O investimento contempla uma frente de pesquisa voltada à medição das emissões de gases de efeito estufa na Amazônia.

Estão previstos sobrevoos para coletar amostras atmosféricas e medir concentrações de dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e monóxido de carbono.

Esses resultados serão comparados com estimativas obtidas a partir de alterações na cobertura vegetal, como desmatamento, degradação e regeneração, para reduzir incertezas nos cálculos de emissões.

Também serão elaborados mapas atualizados de biomassa e carbono na Amazônia e no Cerrado. Os dados deverão contribuir para os inventários nacionais de emissões e os compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris.

As informações produzidas serão disponibilizadas na plataforma pública TerraBrasilis++, que reunirá mapas, alertas, indicadores e projeções ambientais. O projeto inclui ainda investimentos na infraestrutura computacional do INPE para ampliar a capacidade de processamento de imagens e dados geográficos.

Fundo Amazônia já contratou R$ 521 milhões para combater incêndios

O novo financiamento integra uma carteira mais ampla de investimentos do Fundo Amazônia em prevenção e combate a incêndios florestais.

Segundo o BNDES, já foram contratados R$ 521 milhões para iniciativas em 14 estados, abrangendo Amazônia, Cerrado e Pantanal.

Desse montante, R$ 371 milhões foram destinados a nove projetos de fortalecimento dos Corpos de Bombeiros dos estados da Amazônia Legal, com aquisição de veículos, equipamentos de proteção, materiais especializados e estruturação de bases operacionais.

Outros R$ 150 milhões financiam o projeto Manejo Integrado do Fogo: Cerrado e Pantanal, aprovado em julho de 2025, com ações em Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Bahia, Piauí e Distrito Federal.

A carteira de investimentos prevê a aquisição de 500 veículos, 33,8 mil equipamentos individuais, capacitação de 5 mil pessoas e implantação de 30 bases operacionais, além da utilização de drones e outras tecnologias de monitoramento.

Ao longo de 18 anos, o Fundo Amazônia acumulou R$ 5,3 bilhões em doações e aprovou 159 projetos. As iniciativas alcançam mais de 500 municípios da Amazônia Legal, beneficiando organizações comunitárias, terras indígenas, unidades de conservação e instituições responsáveis pela proteção ambiental.

O financiamento do SIM-Biomas amplia essa atuação ao investir na infraestrutura científica necessária para identificar ameaças ambientais com maior antecedência e fornecer informações mais detalhadas às autoridades encarregadas de proteger os biomas brasileiros.

Fonte: Brasil 247

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