Focus: mercado reduz projeção de inflação para 4,9% em 2026
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – Analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC) reduziram pela terceira semana consecutiva a estimativa para a inflação de 2026. Segundo a nova edição do Relatório Focus, divulgada nesta segunda-feira (14), a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou para 4,9%. Apesar da melhora no humor dos agentes econômicos, o indicador projetado continua acima do teto da meta estabelecida pelo governo federal.
A meta oficial de inflação fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o ano é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, a meta será considerada formalmente cumprida se o índice final flutuar entre o piso de 1,5% e o teto de 4,5%. Com a projeção atualizada em 4,9%, a estimativa do mercado aponta para um estouro de 0,4 ponto percentual sobre o limite superior permitido.
Panorama recente dos preços e desaceleração
A dinâmica do custo de vida no país tem mostrado sinais de desaceleração gradual, mas ainda exige atenção das autoridades monetárias. No mês de julho, os preços de bens e serviços registraram variação positiva de 0,07%. Com esse resultado, a inflação acumulada nos últimos 12 meses atingiu o patamar de 4,44%, posicionando-se temporariamente abaixo do teto de tolerância da meta anual.
O cenário atual sucede um período de pressões inflacionárias no ano anterior. Em 2025, o IPCA acumulou uma taxa de 4,26%. Embora o indicador tenha ultrapassado o centro da meta estipulada em 3%, o encerramento do ano passado ficou dentro dos limites regulamentares ao não superar o teto de 4,5%.
Projeções para o PIB e estimativas comparativas
Além das trajetórias de preços, o Boletim Focus trouxe revisões para a atividade econômica brasileira. Os economistas ouvidos pela autoridade monetária reduziram a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026, projetando um avanço de 1,89%.
A nova estimativa do mercado financeiro contrasta com os desempenhos observados anteriormente e com projeções de órgãos oficiais e internacionais:
- Desempenho em 2025: O PIB brasileiro fechou o ano com expansão de 2,3%, segundo dados consolidados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
- Perspectiva do Banco Central: A própria autoridade monetária projeta uma expansão da atividade econômica em torno de 2%.
- Estimativa do Governo Federal: O Poder Executivo trabalha com uma previsão de elevação de 2,3% para a economia, embora o Ministério da Fazenda já tenha sinalizado a necessidade de revisar o número em função dos impactos dos juros elevados e do nível de endividamento sobre a atividade produtiva.
- Projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI): Em revisão divulgada no dia 8 de julho, o organismo internacional elevou a estimativa de crescimento da economia brasileira para 2,4% em 2026, superando expressivamente o diagnóstico de 1,9% que havia sido formulado em abril.
Taxa de juros e o papel da Selic
A condução da política monetária e o combate à inflação continuam ancorados na definição da taxa básica de juros. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada nos dias 4 e 5 de agosto, o BC promoveu um corte na taxa Selic, reduzindo-a de 14,25% para 14% ao ano. O colegiado voltará a se reunir nesta semana para decidir os novos rumos dos juros básicos.
A Selic é o principal mecanismo utilizado pelo Banco Central para controlar a liquidez do mercado e balizar as expectativas de preços. A taxa serve de referência para as negociações de títulos públicos federais negociados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia e orienta todas as demais taxas de juros cobradas na economia nacional.
O Relatório Focus consiste no levantamento semanal que sintetiza as projeções do mercado financeiro colhidas até a sexta-feira anterior à sua publicação, sendo costumeiramente divulgado no início de cada semana.
Fonte: Brasil 247