Flávio está mais à frente de Lula do que parece? Disputa segue acirrada, mas EQI Research revela o que pode virar o jogo

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Por Dani Alvarenga — Seu Dinheiro

Nas eleições deste domingo (4), cada voto pode fazer a diferença. É o que indicam os principais levantamentos de inteções de votos, que mostram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tecnicamente empatados.

Ainda assim, na visão da EQI Research, ainda dá tempo de mudar o jogo – e há dados que as pesquisas ainda não conseguiram capturar.

Segundo relatório divulgado ao Seu Dinheiro com exclusividade, os analistas enxergam que, para isso, seria necessário um evento “game changer“. Ou seja, um acontecimento extraordinário capaz de provocar uma debandada de um candidato para o outro. 

E embora não faltem eventos fora da curva na política nacional, do caso do Banco Master à crise do Supremo Tribunal Federal (STF), até agora os resultados dessas polêmicas dão vantagem ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Um pêndulo mais desigual do que parece 

Na avaliação da EQI Research, os últimos eventos favorecem o candidato Flávio Bolsonaro, revertendo a tendência de crescimento das intenções de voto para Lula. 

E, apesar de as pesquisas eleitorais indicarem um cenário muito equilibrado entre Lula e Flávio, a EQI Research enxerga que o pêndulo pode estar pesando mais para um lado do que parece inicialmente.  

O mercado de apostas eletrônicas indica essa alteração no pêndulo, com plataformas como a Polymarket já precificando uma probabilidade superior a 50% de mudança de governo. 

Segundo o levantamento, o perfil do eleitorado passou por transformações ao longo dos três mandatos do presidente Lula, como o aumento da população evangélica e o crescimento de jovens mais inclinados ao conservadorismo. 

Esses dois aspectos, em conjunto, empurram a política do país para a direita do espectro. Além disso, dificultam o alcance das pesquisas eleitorais, já que boa parte dos jovens conservadores não costuma respondê-las. 

“A taxa de resposta caiu, enquanto o perfil de quem ainda aceita participar também se alterou”, afirmam os analistas. Eles também enxergam uma redução dos chamados shy voters — eleitores que escondem ou distorcem a intenção de voto. 

“O eleitor de direita simplesmente participa menos das pesquisas, o que pode levar os levantamentos a subestimarem sua intenção de voto”, disseram. 

Esse votante é também uma das dores de cabeça do governo Lula.  

Apesar dos recentes anúncios positivos para a gestão atual, as redes costumam propagar com mais velocidade os eventos negativos. E é justamente nesse ambiente que se encontram a maior parte dos jovens, o que dificulta o trabalho da campanha para reverter a percepção negativa geral. 

Além disso, os analistas ainda enxergam que as pesquisas eleitorais podem estar superestimando o comparecimento dos eleitores da esquerda às urnas. Em geral, esse grupo tende a ser menos engajado e a registrar uma taxa maior de ausência nas votações. 

Lula vs. Flávio Bolsonaro: os desafios das campanhas nas eleições 

Apesar do avanço da oposição, a eleição segue aberta e disputada na margem. Com índices de rejeição elevados em ambos os lados, o eleitorado tende a decidir o voto por eliminação e não por adesão irrestrita. 

Por isso, a forma como cada campanha endereça seus maiores desafios pode influenciar os resultados das urnas até o último minuto. E, para a EQI Research, os obstáculos de cada um são bem diferentes. 

De acordo com o relatório, o principal desafio de Flávio Bolsonaro é se consolidar como um político que vai além da herança familiar. 

Vale lembrar que o filho do ex-presidente não era a principal aposta da oposição para ocupar o espaço vago por Jair Bolsonaro, que está preso e inelegível. 

E, ao que parece, ele já percebeu esse problema. Flávio vem tentando preservar a base conservadora da família Bolsonaro, mas, ao mesmo tempo, projeta um perfil mais moderado. 

Essa estratégia tem como objetivo reduzir a rejeição do eleitor no centro do espectro político, um público determinante na disputa de 2022, quando Jair Bolsonaro perdeu a disputa contra Lula. 

Já para o petista, o principal desafio é interromper o cenário de desgaste atual do governo e reverter o pessimismo econômico e social do brasileiro. 

Para isso, a EQI Research avalia que o presidente precisa conectar os programas sociais a um discurso macroeconômico, reforçando a narrativa de que o país segue na direção correta. 

“Mesmo diante do recente ‘pacote de bondades’ liberado pelo governo, Lula não tem conseguido converter a condição de incumbente em uma melhora consistente de sua avaliação”, afirmam os analistas em relatório. 

Esse desgaste da imagem da gestão atual também é puxado pelas pautas em alta no debate público. 

Segundo as pesquisas eleitorais recentes, a segurança pública lidera as preocupações do eleitorado, acompanhada pela corrupção, pelo custo de vida, pelo endividamento das famílias e pelas crises institucionais envolvendo o STF.  

Esses temas tendem a pesar sobre a campanha de Lula, enquanto encontram ressonância imediata no discurso da oposição. 

Lula ou Flávio: quem leva os votos dos concorrentes? 

Há ainda outra questão que a EQI avalia que ainda não está entrando na conta das pesquisas: é a migração do eleitorado no segundo turno, que será um fator decisivo para quem vai ganhar a corrida presidencial. 

A chamada terceira via, que engloba candidatos fora da disputa entre Lula e Bolsonaro, acumula 15% das intenções de voto. Esses eleitores, de acordo com a EQI, mostram forte inclinação para a oposição, o que favoreceria a candidatura de Flávio. 

Entre os eleitores de Augusto Cury (Avante), 41% declaram preferência pelo filho do ex-presidente, contra 25% por Lula. 

Essa assimetria é ainda maior entre os apoiadores de Renan Santos (50% Flávio vs. 18% Lula) e Ronaldo Caiado (46% Flávio vs. 20% Lula). 

O único grupo da terceira via que apresenta saldo favorável ao atual presidente é o de Romeu Zema (38% Lula vs. 32% Flávio).  

Os demais votos — incluindo brancos, nulos e abstenções — também terão peso no resultado final. 

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Fonte: Seu Dinheiro

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