‘Flávio Bolsonaro quer ser presidente do Brasil para se blindar’, denuncia Lindbergh (vídeo)
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) denunciou nesta quinta-feira (24) que o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende ser eleito com o objetivo de impedir o avanço de algumas investigações envolvendo o senador da extrema direita.
Em post na rede social X, o parlamentar fez a denúncia depois que a Polícia Federal encontrou um registro de voo em um jatinho operado pela Prime You. Um dos sócios da empresa foi o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O ex-banqueiro está preso por envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras.
De acordo com o petista, o senador “quer ser presidente para se blindar, acabar com investigações e ficar impune dos seus crimes!”. “Não vai conseguir. Será preso como Jair”, acrescentou.
A PF extraiu mensagens do celular que pertence ao advogado Willer Tomaz, alvo de busca e apreensão na investigação sobre supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). “Contrabomba sobre Flávio Bolsonaro”, continuou Lindbergh.” Eu só espero que a justiça federal acelere essas investigações”, cobrou o deputado.
MAIS UMA BOMBA! Flávio Bolsonaro voou na mesma aeronave do Vorcaro que Alexandre de Moraes. Eles fizeram um carnaval no final de semana. São cínicos, Flávio, Nikolas , todos eles voando nas asas do Vorcaro. Tem empregada doméstica como Laranja do operador financeiro do Flávio,… pic.twitter.com/4WFntBmkKs
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) September 24, 2026
Fraudes no INSS e o caso Master
Em 2022, durante o governo Bolsonaro, o INSS modificou as regras do crédito consignado, abrindo caminho para a criação do Credcesta, modalidade de crédito que contribuiu para a expansão do Banco Master, de Vorcaro, preso sob suspeita de organização criminosa e gestão fraudulenta.
Uma das alterações ocorreu apenas 16 dias depois de o INSS receber um ofício do Master no qual o banco manifestava interesse em operar o cartão. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, as mudanças nas normas tiveram papel decisivo na expansão da instituição financeira, investigada pela Polícia Federal desde novembro de 2025 no âmbito da Operação Compliance Zero.
Com o Credcesta, o Master ampliou sua presença para 24 estados e 176 municípios. Os contratos saltaram de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024, alcançando servidores públicos estaduais e municipais, aposentados e pensionistas do Regime Geral de Previdência Social, além de beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Documentos do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado entre o INSS e o Master indicaramm que as alterações realizadas em 2022, sem detalhamento sobre a operação, permitiram que o Credcesta começasse a funcionar quase imediatamente e avançasse de maneira acelerada e irregular, de acordo com análise da atual gestão do INSS. O ACT permaneceu em vigor entre 2020 e 2025 e não foi renovado diante das suspeitas de fraudes em carteiras do banco de Vorcaro, apuradas pela PF.
Em nota encaminhada ao jornal, a defesa de Vorcaro declarou que o Master sempre seguiu as normas e os procedimentos definidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, “incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento”.
Flávio Bolsonaro, Master e Dark Horse
Um dos principais escândalos envolvendo Flávio Bolsonaro foi referente ao filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro (PL), preso atualmente após ser condenado por ministros do STF a 27 anos de cadeia.
O parlamentar havia afirmado que o dono do Master interrompeu, em maio de 2025, os pagamentos destinados a ajudar no financiamento do longa. Mas o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou um repasse de US$ 1.666.667 feito em 16 de setembro de 2025 pelo ex-banqueiro Havengate Development Fund (EUA). O fundo administrava recursos destinados à cinebiografia.
De acordo com reportagem da revista Piauí, o pagamento ocorreu meses depois de maio de 2025, período citado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, como a data em que Vorcaro teria suspendido os repasses ao projeto.
A operação também teria ocorrido oito dias depois de Flávio Bolsonaro enviar mensagem ao banqueiro cobrando parcelas em atraso. Com a transferência identificada pelo Coaf, o valor destinado por Vorcaro à produção passou de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, montante equivalente a mais de R$ 65 milhões pela cotação daquele período. Investigadores apuram outra transferência que pode ter feito o valor chegar a R$ 72 milhões.
Fonte: Brasil 247