Flávio Bolsonaro quer para o Brasil a tragédia social da Argentina de Milei
Por Lucas Fadul — Partido dos Trabalhadores
FILIAR É UM ATO DE LUTA.
O Partido dos Trabalhadores nasceu da coragem de quem nunca aceitou a injustiça como destino.
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Coordenadora econômica da campanha do senador, Daniella Marques, disse que o arrocho neoliberal argentino, com fome e pobreza, será a inspiração para o bolsonarismo
Da Rede PT de Comunicação
Publicado em 15/09/2026 às 14h55
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A coordenadora econômica da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniella Marques, afirmou em um evento público que o candidato de extrema direita, caso seja eleito presidente, pretende replicar no Brasil o modelo econômico de Javier Milei, que tem levado os argentinos a uma vida de privações de direito, fome, pobreza e extremas dificuldades econômicas.
“Vamos usar de inspiração no que foi feito pelo governo de Javier Milei, na Argentina”, resumiu ela, na segunda-feira, 14, durante evento do Esfera Brasil, que reuniu empresários e executivos na Casa Fasano, em São Paulo.
O arrocho neoliberal conduzido pelo presidente argentino é bastante conhecido dos eleitores brasileiros e dos economistas.Empobrecidos, os argentinos passaram a consumir carne de burro e de lhama. As últimas notícias sobre o país vizinho apontam o agravamento da crise na indústria local: desde agosto de 2023, cerca de 90 mil empregos qualificados foram perdidos. Além disso, 30 mil empresas fecharam as portas nos últimos três anos e meio.
Apesar dos elogios públicos a Milei, que inclusive foi o candidato de honra no lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro no Brasil, a coordenadora econômica da campanha bolsonarista não detalha nem explica quais medidas serão tomadas. Em entrevista por vídeo ao jornal Folha de S.Paulo, há duas semanas, Marques tergiversou quando questionada a respeito dos planos econômicos.
“Eu falei que eu não tenho como fazer. Quem vai fazer esse detalhamento vai ser o Congresso, é o que vai sair de lá e que vai definir. Eu não sou a mãe Diná”, desconversou Marques, com o queixo apoiado sobre uma das mãos, claramente irritada. “Nós, técnicos, iremos propor um cardápio para que o presidente da República, Flávio Bolsonaro, e o coordenador político, senador Rogério Marinho [PL-RN], discutam no colégio de líderes aonde haverá convergência”, acrescentou.
Em agosto, a auxiliar de Flávio se limitou a dizer que os cortes de despesas seriam equivalentes a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e que revisaria o arcabouço fiscal em vigor.
Milei é uma das figuras mais histriônicas da ultradireita latino-americana e aliado de primeira hora do clã Bolsonaro. Ele veio ao Brasil no fim de julho para a convenção nacional do PL, que oficializou a candidatura de Flávio à Presidência da República, e aproveitou para fazer ataques ao presidente Lula. É explícito que o filho mais velho de Jair Bolsonaro busca inspiração no extremista da direita argentina.
Em sua campanha vitoriosa, Milei adotou como símbolo uma motosserra, representando o corte drástico dos gastos públicos prometido por ele. No Brasil, Flávio aderiu à tesoura para emular o presidente argentino. O senador chegou a lançar um jogo eletrônico, no fim de agosto, em defesa de sua impopular proposta de corte de gastos.
Entre algumas das medidas implementadas por Milei na Argentina, destacam-se a desvalorização do peso, a suspensão de obras públicas, a redução do funcionalismo público, de ministérios e secretarias, dos subsídios de energia e transporte e de transferência às províncias argentinas, além do fim dos impostos para exportação, entre outros.
Segundo a revista Forbes, o empréstimo de US$ 20 bilhões tomado por Milei junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) parece não ter sido suficiente. Na classificação de risco-país da Compagnie Française d’Assurance pour le Commerce Extérieur (Coface), referência global sobre informações de negócio, a Argentina recebe nota D, a pior na escala da seguradora, contra a nota B do Brasil, dois degraus acima. A baixa avaliação obtida pelo país vizinho limita a entrada de capital externo e influencia diretamente no volume de reservas internacionais.
O colchão de reservas brasileiras é de US$ 361 bilhões, garantidos pelos governos do Partido dos Trabalhadores (PT), enquanto o da Argentina soma US$ 49 bilhões, conforme o Banco Central de cada um dos países.
O levantamento QMonitor, da consultoria QSocial Big Data, feito em agosto, revelou uma percepção menos favorável entre os argentinos a respeito da política de austeridade de Milei. Sem experimentar melhoras tangíveis, 59% da população consideram que o país está pior do que quando o extremista de direita assumiu a presidência, o maior percentual da série. A mesma sondagem atesta que 55% avaliam negativamente a situação do país, seis pontos acima da medição anterior.
Quando a pergunta passa da avaliação geral ao dia-a-dia dos lares argentinos, os números são ainda mais adversos para Milei: 75% afirmam ter precisado cortar gastos para chegar ao fim do mês, enquanto 60% dizem não ter capacidade de poupar. Por fim, 44% reclamam que a renda é insuficiente para cobrir necessidades básicas.
Coordenadora econômica da campanha do senador, Daniella Marques, disse que o arrocho neoliberal argentino, com fome e pobreza, será a inspiração para o bolsonarismo
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Fonte: Partido dos Trabalhadores