Flávio Bolsonaro quer aproximar o Brasil de Trump com plano para Defesa: GLO e Escudo das Américas

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Por Leonardo Lucena — Brasil 247

247 – Candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pretende reformular a política de Defesa brasileira, ampliar o emprego das Forças Armadas em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e integrar o país ao Escudo das Américas, iniciativa liderada pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e que reúne governos de direita na América Latina. A informação foi publicada nesta terça-feira (20) pela coluna de Mariana Sanches. 

As propostas fazem parte dos planos de integrantes da campanha para um eventual governo do parlamentar e podem aproximar o Brasil da estratégia estadunidense de combate ao narcotráfico.

A equipe de Flávio Bolsonaro também pretende entregar o Ministério da Defesa a um civil, e modificar critérios para a escolha dos comandantes militares. A possível participação brasileira no Escudo das Américas representa uma mudança em relação à posição do governo Lula, que não aderiu à iniciativa.

Conforme denunciam lideranças do campo progressista na América Latina, a suposta pretensão dos EUA em combater o narcotráfico é um falso argumento ao governo Trump, com o objetivo de interferir na soberania de países latino-americanos.

Flávio Bolsonaro pretende ampliar atuação militar na segurança pública

Uma das propostas em discussão na campanha envolve a reformulação das operações de Garantia da Lei e da Ordem. O objetivo é estabelecer mecanismos para que militares atuem em conjunto com as polícias estaduais no enfrentamento de organizações criminosas que controlam territórios brasileiros.

Os formuladores da proposta defendem que as operações tenham planejamento, objetivos definidos e integração entre os órgãos de segurança. A intenção é substituir intervenções pontuais por ações que permitam maior continuidade na atuação das forças federais e estaduais.

“Mas não pode ser uma coisa assim: faz uma GLO aqui hoje, e outra daqui a três anos. Tem que ter um planejamento claro, objetivos, metas, divisão de trabalho, cooperação em inteligência”, afirmou uma pessoa próxima ao candidato, segundo o Uol. 

A discussão também envolve mudanças nas garantias jurídicas para militares empregados nessas operações. Integrantes da campanha defendem ampliar a proteção legal dos agentes em situações que envolvam o uso da força, por meio de alterações nas regras relacionadas aos excludentes de ilicitude.

“E para isso é importante dar garantias e proteção aos militares, que hoje estão muito vulneráveis para atuar dentro do território brasileiro”, acrescentou o interlocutor. Outro integrante da elaboração das propostas afirmou: “Não é carta-branca para matança ou impunidade, mas como está também não é possível”.

O programa de governo apresentado pelo candidato ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também aborda o emprego da força no enfrentamento ao crime organizado. O documento afirma que “bandido armado com fuzil na mão vai ser abatido pelas forças de segurança”.

Escudo das Américas pode ampliar influência dos EUA

A eventual entrada do Brasil no Escudo das Américas constitui outro eixo das propostas. O mecanismo reúne 14 países latino-americanos em uma iniciativa dos Estados Unidos para coordenar estratégias contra organizações transnacionais ligadas ao tráfico de drogas.

O governo de Donald Trump defende a classificação de facções criminosas como organizações terroristas. O Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) estão entre os grupos mencionados nessa estratégia, que encontra resistência no governo Lula quanto ao enquadramento jurídico dessas organizações.

O senador Flávio Bolsonaro já manifestou apoio à classificação das facções brasileiras como terroristas. Durante uma visita a Trump, em maio, o parlamentar defendeu essa medida e posteriormente afirmou que, caso vença a eleição presidencial, promoverá a adesão brasileira ao Escudo das Américas.

Embora o compromisso de ingresso na iniciativa não apareça expressamente no programa entregue ao TSE, o documento estabelece que “PCC, CV, milícias e todas as outras facções serão declaradas como organizações narcoterroristas”.

A aproximação com Washington ocorre em um contexto de ampliação das operações militares norte-americanas na América Latina. O governo Trump realizou ataques contra embarcações no Mar do Caribe e intensificou o emprego de recursos militares e de inteligência na região.

Cooperação com Trump levanta debate sobre soberania

A possibilidade de ampliar a participação norte-americana no combate ao crime organizado brasileiro provocou preocupações entre integrantes das Forças Armadas, especialmente em relação à soberania nacional e aos limites da atuação estrangeira em território brasileiro.

Representantes da campanha de Flávio procuram afastar a hipótese de operações militares conduzidas diretamente pelos Estados Unidos dentro do país. Eles também descartam a instalação de bases norte-americanas e atividades clandestinas da CIA em território nacional. “O que queremos dos americanos é equipamento, cooperação e compartilhamento de inteligência e tecnologia, treinamento”, declarou um integrante da campanha.

Em outubro de 2025, Flávio Bolsonaro publicou uma mensagem nas redes sociais sobre ataques norte-americanos a embarcações no Caribe. Na ocasião, mencionou a presença de barcos envolvidos com o tráfico na Baía de Guanabara e questionou o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, sobre uma eventual colaboração militar.

“Você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?”, escreveu o senador. Em entrevista concedida em Washington, em maio de 2026, ele negou defender bombardeios norte-americanos na Baía de Guanabara.

Ministério da Defesa poderá ter comando civil

Outra mudança em estudo envolve a composição do Ministério da Defesa. A equipe do candidato pretende nomear um civil para comandar a pasta e evitar a presença de oficiais-generais em posições de destaque no governo, diferentemente do modelo adotado durante a gestão de Jair Bolsonaro.

Entre os nomes considerados está Marcos Degaut, que ocupou a Secretaria de Assuntos Estratégicos no governo Michel Temer e a Secretaria de Produtos de Defesa durante a administração Bolsonaro. Degaut mantém proximidade com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e participou da elaboração de propostas de política externa e Defesa para Flávio.

A reportagem também menciona o ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo como uma alternativa, embora interlocutores da campanha considerem sua indicação menos provável. Degaut já teria estabelecido contatos com representantes das Forças Armadas para conhecer demandas e avaliar as relações entre os militares e o bolsonarismo.

A intenção de reduzir a presença militar nos ministérios contrasta com a administração de Jair Bolsonaro, que contou com mais de dez integrantes das Forças Armadas à frente de pastas do governo entre 2019 e 2022.

“Não é novidade no Brasil a premissa de obediência militar aos civis. O que fugiu da curva foi o governo Jair Bolsonaro, que não tinha pessoal para compor o time e buscou no seu círculo de confiança, que eram os militares”, afirmou um auxiliar da campanha.

Escolha dos comandantes também poderá mudar

Os responsáveis pela formulação das propostas também discutem alterações nos critérios de nomeação dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. A equipe considera a possibilidade de não seguir a prática de privilegiar os oficiais mais antigos.

Entre os militares mencionados para o comando do Exército está o general Humberto Montenegro, que ocupa a sétima posição na ordem de antiguidade do Alto Comando. A eventual indicação dependeria de uma decisão do futuro presidente, caso Flávio vença a disputa eleitoral.

As discussões ocorrem após o desgaste entre setores do bolsonarismo e integrantes das Forças Armadas que relataram a participação de Jair Bolsonaro em articulações golpistas. Os depoimentos contribuíram para o processo que resultou na condenação do ex-presidente.

Apesar das divergências, integrantes da campanha afirmam que não pretendem promover perseguições contra militares. A proposta é reorganizar a relação entre o Executivo e os comandos das três Forças, mantendo a subordinação das instituições militares ao poder civil.

Plano prevê mudanças na proteção das fronteiras

A campanha também pretende reforçar a vigilância das fronteiras brasileiras. O programa de governo prevê a criação do Sistema Nacional de Fronteira, com participação de integrantes do Exército, da Marinha e da Força Aérea Brasileira.

A proposta envolve o emprego de armamentos, equipamentos de monitoramento e recursos de inteligência para ampliar a capacidade de fiscalização. O documento associa a iniciativa ao enfrentamento do tráfico de drogas e de organizações criminosas que atuam em diferentes países.

Outra medida em discussão é o fortalecimento do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, com maior integração entre os comandos militares. Integrantes da campanha avaliam que diferenças entre equipamentos e sistemas utilizados pelas três Forças dificultam operações conjuntas.

A implementação dessas propostas dependeria de investimentos em tecnologia, logística e equipamentos militares. O planejamento também teria de considerar as restrições orçamentárias diante do compromisso de redução das despesas públicas apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro.

Assim, as propostas para a Defesa abrangem desde a reorganização do comando militar até a ampliação das operações de segurança pública e da cooperação com os EUA. A eventual adesão ao Escudo das Américas colocaria o Brasil em uma iniciativa regional liderada por Donald Trump, alterando a posição atualmente adotada pelo governo brasileiro.

Fonte: Brasil 247

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