Flávio Bolsonaro pede a Moraes acesso a investigação sobre relação com Willer Tomaz

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) solicitou nesta terça-feira (20) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acesso aos autos de uma investigação que envolve sua relação com o advogado Willer Tomaz, suspeito de participação em um esquema de lavagem de dinheiro. O avanço do caso, a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, provocou preocupação entre integrantes da campanha do senador.

Segundo informações divulgadas pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que a investigação apresentou uma tramitação incomumente rápida no STF. O temor é de que o ministro Alexandre de Moraes adote alguma medida relacionada ao caso ainda nesta semana, com possíveis repercussões políticas e eleitorais para o candidato.

De acordo com informações que circulam na campanha, o inquérito teria chegado ao Supremo em 8 de outubro e sido oficialmente registrado e distribuído à relatoria de Moraes no dia 16. Integrantes da equipe do senador afirmam que diligências já estariam em andamento antes mesmo da abertura de vista ao Ministério Público.

A CNN Brasil apurou que o Ministério Público autorizou a abertura da investigação. Entretanto, como o procedimento tramita sob sigilo, não é possível verificar publicamente os detalhes de sua movimentação processual nem confirmar a sequência exata dos atos realizados.

O ritmo da investigação acendeu um sinal de alerta na campanha de Flávio Bolsonaro, que acompanha a possibilidade de novas decisões judiciais às vésperas da votação. O receio entre aliados é de que eventuais medidas possam afetar a candidatura em um momento decisivo da disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Apesar da preocupação, integrantes do entorno do senador também consideram a hipótese de que uma eventual atuação de Moraes contra Flávio possa produzir efeito contrário ao esperado. Na avaliação desses aliados, a exposição do ministro durante o primeiro turno teria beneficiado eleitoralmente o candidato do PL, cenário que poderia se repetir na reta final da campanha.

Outra interpretação discutida entre aliados, segundo a CNN Brasil, é a possibilidade de Moraes não adotar medidas imediatas e manter o andamento do caso como um eventual instrumento de negociação política caso Flávio Bolsonaro vença a eleição.

Essa avaliação está relacionada à possibilidade de uma ofensiva no Senado contra o ministro do STF, incluindo uma eventual tentativa de impeachment. Trata-se, porém, de uma hipótese levantada por integrantes da campanha, sem comprovação de que Moraes tenha qualquer intenção de utilizar a investigação para fins políticos.

Investigação envolve advogado próximo de Flávio Bolsonaro

O inquérito tem origem em suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo próximo de Flávio Bolsonaro.

Tomaz obteve autorização para operar uma empresa de apostas esportivas durante a gestão do então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A investigação examina possíveis irregularidades relacionadas ao advogado, embora os detalhes das suspeitas permaneçam protegidos pelo sigilo judicial.

O nome de Flávio Bolsonaro teria sido identificado em mensagens trocadas com Willer Tomaz. Essa circunstância teria motivado o encaminhamento do caso ao Supremo Tribunal Federal.

A existência de mensagens entre os dois, por si só, não comprova participação do senador em qualquer irregularidade. Até o momento, as informações divulgadas não demonstram que Flávio Bolsonaro tenha cometido algum crime relacionado aos fatos investigados.

Integrantes da campanha sustentam que a relação de amizade entre o candidato e o advogado explica a existência de conversas entre ambos. Os aliados afirmam que o contato frequente é natural diante da proximidade pessoal e negam qualquer envolvimento do senador em atividades ilícitas.

Defesa de Willer Tomaz nega irregularidades

Willer Tomaz negou ter praticado irregularidades e informou que também solicitou acesso aos autos da investigação para conhecer os elementos reunidos no procedimento.

O advogado declarou ainda que pretende prestar os esclarecimentos necessários às autoridades responsáveis pela apuração.

Tomaz confirmou manter uma relação de amizade com Flávio Bolsonaro e ressaltou que esse vínculo pessoal não constitui crime.

Fonte: Brasil 247

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