Flávio Bolsonaro empresta algumas horas pra tentar salvar Wilder Morais: vai ser o suficiente?
Por Ton Paulo — Jornal Opção

Bolsonaristas de Goiás já haviam se conformado com a hipótese de Flávio Bolsonaro, hoje o nome de maior destaque do PL e representante do partido na corrida ao Palácio do Planalto, não cumprir nenhuma agenda no Estado durante a campanha. Os fatores que justificariam o filho “01” de Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado, passar longe do solo goiano são vários.
Entre eles, Goiás não figura nem entre os dez maiores colégios eleitorais do Brasil e, de todo modo, já é considerado um “reduto bolsonarista”. Basta lembrar que Bolsonaro pai venceu as eleições no Estado em 2018 e também em 2022, apesar de ter sido derrotado nacionalmente no segundo pleito. Flávio ainda tem múltiplas crises em sua própria campanha para resolver, entre elas as novas revelações sobre sua ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. E Lula da Silva, seu “nêmesis”, continua sendo o principal adversário na disputa pelo Planalto.
Enfim, a lista é grande. Mas, na última quarta-feira, 23, veio a confirmação que poucos esperavam: Flávio decidiu vir a Goiás neste domingo, 27, aos “45 do segundo tempo” da campanha eleitoral, mais especificamente a uma semana do pleito. A decisão, conforme apurado pelo Jornal Opção, foi tomada no dia anterior, terça-feira.
Houve comemoração por parte dos bolsonaristas, é claro. Mas, por parte do senador Wilder Morais, candidato do PL ao governo de Goiás, a se levar em conta sua situação na corrida eleitoral, o suspiro de alívio pode ter sido ouvido a quilômetros.
Leia também: Quaest: a 10 dias da eleição, Daniel tem 42%; Marconi e Wilder estão tecnicamente empatados
Para colocar seu nome na disputa pelo Palácio das Esmeraldas, Wilder teve que caçar briga com o próprio partido. Isso porque era costurado em Goiás um acordo entre Daniel Vilela, governador que tenta a reeleição, e o PL, que englobava um apoio mútuo para o pleito: Gustavo Gayer, candidato ao Senado, disputaria dentro da base governista, dispondo de sua força e alcance, e, em troca, a legenda bolsonarista apoiaria Daniel em seu projeto, abrindo mão de lançar candidatura própria ao governo.
Mas Wilder aderiu ao “venha a nós, e o Vosso Reino que se lasque”. Passando por cima do acordo, o hoje candidato procurou Bolsonaro na prisão e o convenceu a bancá-lo na disputa majoritária em Goiás. O nome do senador pode até ter sido confirmado na corrida, mas a questão é que o bolsonarismo parece nunca tê-lo digerido de fato. E os números corroboram essa tese.
A votação expressiva de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 e 2022, assim como a eleição de um grande número de parlamentares que chegaram ao Legislativo surfando na onda de Jair, mostram que Goiás é, sim, um Estado onde o bolsonarismo tem voz. Mas esse mesmo bolsonarismo parece não ter reconhecido Wilder como um dos seus.
A última rodada da pesquisa Quaest, divulgada no dia 24, trouxe Wilder Morais com 15% das intenções de voto, Marconi Perillo (PSDB) com 19% e Daniel Vilela (MDB) com 42%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob os protocolos GO-01667/2026 e BR-03864/2026 e tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O ponto principal é que esse mesmo levantamento apenas confirmou uma tendência mostrada em praticamente todas as pesquisas divulgadas desde que Wilder foi confirmado como o “candidato do bolsonarismo”: ele não decola. E daí a necessidade quase extrema do senador pela presença de Flávio.
Desde a pré-campanha, Wilder Morais foi alvo de críticas até dentro do PL por se apoiar “100% no bolsonarismo”. O candidato, desde o início, esperou que o movimento construído em torno do ex-presidente da República levasse até ele, de mão beijada e quase automaticamente, os votos de que precisa para ser eleito. Não à toa, a pré-campanha e o começo da campanha foram marcados por um verdadeiro marasmo e por uma aparente inércia de Wilder.
Dizia-se, inclusive, que até candidatos que não pontuavam, ou pontuavam muito pouco nas pesquisas, trabalhavam mais do que ele para garantir votos.

O senador parece ter percebido um pouco tarde demais que a estratégia falhou e agora corre contra o tempo para tentar reparar os danos. E, nessa nova estratégia, torna-se essencial um Flávio pegando-o pela mão, passeando com ele pelas ruas em carreata e praticamente gritando ao eleitorado: “Eu apresento-lhes Wilder, o candidato de Bolsonaro”.
É justamente com essa missão que Flávio desembarca em Goiás neste domingo, 27, a apenas uma semana da eleição. A questão é que sua visita será exatamente isso: relâmpago. De acordo com o cronograma ao qual o Jornal Opção teve acesso, o filho de Bolsonaro passará cerca de duas horas em Goiânia. Será o tempo de pousar de jatinho, fazer uma pequena carreata ao lado de Wilder e voltar para seus próprios assuntos.
Estamos na última semana antes da votação que decidirá o nome do próximo governador de Goiás. Todo e qualquer esforço dos candidatos é válido e necessário. Mas, enquanto a possibilidade de uma vitória de Daniel no primeiro turno ganha força diante dos números apresentados pelas pesquisas, Wilder continua apoiado em uma muleta que, como ele próprio já pôde perceber, não funcionou tão bem quanto imaginava.
Flávio pode até emprestar o sobrenome, a imagem e algumas horas de domingo. Porém, o que ele dificilmente vai conseguir é recuperar, em menos duas horas de carreata, o tempo que Wilder perdeu esperando que o bolsonarismo votasse sozinho. A essa altura, a visita pode render fotos, reels e algum entusiasmo às vésperas das urnas. Se será suficiente para alterar uma disputa em que Daniel aparece com ampla vantagem, aí já é outra história.
O post Flávio Bolsonaro empresta algumas horas pra tentar salvar Wilder Morais: vai ser o suficiente? apareceu primeiro em Jornal Opção.
Fonte: Jornal Opção