Flávio Bolsonaro ameaça riquezas minerais do Brasil, diz Uallace Moreira
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – O secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira Lima, afirmou que Flávio Bolsonaro (PL) representa uma ameaça à exploração soberana das reservas brasileiras de minerais críticos e estratégicos. A declaração foi feita em vídeo publicado nas redes sociais.
“Flávio Bolsonaro é uma ameaça às riquezas do Brasil”, afirmou Uallace. O secretário relacionou sua crítica à disputa em torno de recursos como lítio, grafite, nióbio, níquel, cobre e terras raras, considerados estratégicos para setores tecnológicos, industriais e para a transição energética.
A manifestação ocorre dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionar, na quarta-feira (16), a Lei nº 15.506/2026, que instituiu a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e criou o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE). A legislação busca ampliar o beneficiamento e a transformação desses recursos dentro do território brasileiro.
Uallace contrapõe projetos para minerais estratégicos
No vídeo, Uallace destacou a dimensão das reservas brasileiras e defendeu uma política destinada não apenas à extração, mas também à industrialização dos recursos minerais no país.
“O Brasil é um dos principais países no mundo com as maiores reservas em Minerais Críticos e Estratégicos, como lítio, grafite, nióbio, níquel, cobre e terras raras”, declarou.
Segundo o secretário, a nova política sancionada por Lula cria instrumentos para evitar que o Brasil permaneça apenas como fornecedor de matérias-primas e para estimular etapas de maior valor agregado dentro do país.
“Com a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), e o Conselho Nacional de Industrialização dos Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), o Presidente Lula criou as condições necessárias para o Brasil industrializar, agregar e transformar essas riquezas naturais no Brasil, internalizando desenvolvimento tecnológico no país para gerar empregos e renda para o povo Brasileiro”, afirmou.
A avaliação encontra respaldo nos objetivos expressos da nova legislação. A PNMCE prevê estímulos à pesquisa, lavra, beneficiamento, transformação mineral e mineração urbana, além de instrumentos de financiamento, incentivos fiscais e exigências relacionadas a pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Secretário acusa Flávio de favorecer interesses estrangeiros
Na parte mais dura da manifestação, Uallace atacou Flávio Bolsonaro e afirmou que uma eventual política conduzida pelo candidato poderia resultar na transferência de recursos minerais brasileiros para interesses estrangeiros sem processamento e agregação de valor no país.
“Flávio Bolsonaro, das rachadinhas, da lavagem de dinheiro em lojas de chocolates, das milícias, do Vorcaro, e subordinado dos EUA, vai destruir essas riquezas, fazendo negociatas e entregando nossas riquezas naturais para outros países, sem agregar valor e sem gerar riquezas para o povo brasileiro”, declarou.
As referências a “rachadinhas”, “lavagem de dinheiro”, “milícias”, Daniel Vorcaro e à suposta subordinação aos Estados Unidos integram a declaração política de Uallace e são reproduzidas como acusações feitas pelo secretário.
O debate sobre os minerais estratégicos também entrou na campanha presidencial. Flávio tem defendido maior aproximação com os Estados Unidos e parcerias estratégicas com Washington na área de minerais críticos, enquanto Lula sustenta uma política voltada à soberania nacional, ao processamento interno e à agregação de valor às reservas brasileiras.
Nova lei busca manter valor da mineração no Brasil
Sancionada por Lula, a PNMCE estabelece como um de seus principais objetivos transformar a riqueza geológica brasileira em capacidade industrial e tecnológica. O texto determina que a política deve fomentar desde a pesquisa e a lavra até o beneficiamento e a transformação dos minerais.
A legislação também estabelece os princípios da soberania nacional e da supremacia do interesse público e prevê que determinadas mudanças de controle societário em empresas titulares de direitos sobre minerais estratégicos sejam submetidas à homologação do poder público.
O CIMCE, vinculado à Presidência da República, será responsável por coordenar a política, estabelecer prioridades, analisar projetos e atualizar a relação dos minerais classificados como críticos e estratégicos.
A política ainda criou um programa que permitirá transformar em crédito fiscal até 20% dos gastos empresariais com beneficiamento, transformação e mineração urbana. O limite será de R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034. Outro instrumento previsto é o Fundo Garantidor da Atividade Mineral, que poderá receber aporte de até R$ 2 bilhões da União.
A estratégia do governo é ampliar a participação brasileira nas etapas mais sofisticadas das cadeias produtivas e reduzir a dependência de um modelo concentrado na extração e exportação de recursos minerais sem processamento industrial.
Fonte: Brasil 247