Flávio Bolsonaro aciona TSE contra Pedro Rousseff por post sobre Nossa Senhora Aparecida

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Pedro Rousseff (PT), candidato a deputado federal por Minas Gerais, por uma publicação que relaciona o presidenciável à controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida. A representação pede a retirada imediata do conteúdo e a concessão de direito de resposta.

Segundo a ação apresentada ao TSE em 30 de setembro, a postagem de Rousseff utiliza um vídeo gravado em 2023, em Bastos, no interior de São Paulo, no qual um pastor critica uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Ao compartilhar as imagens, o petista afirmou que, “com Flávio Bolsonaro no poder”, aquele seria “o ódio” que se espalharia pelo Brasil.

A defesa do candidato do PL argumenta que o episódio ocorreu cerca de três anos antes da atual disputa eleitoral, sem participação de Flávio Bolsonaro, e que o responsável pelas declarações posteriormente publicou uma retratação. Com isso, sustenta que o material foi apresentado de forma descontextualizada para estabelecer uma ligação política entre o presidenciável e o ataque religioso.

Além da exclusão cautelar da postagem, a campanha de Bolsonaro pede que, no julgamento definitivo, o TSE reconheça o direito de resposta. Caso o pedido seja aceito, a manifestação deverá ser divulgada no mesmo perfil utilizado por Rousseff.

Disputa sobre Nossa Senhora Aparecida chegou ao TSE

A representação ocorre em meio a uma disputa mais ampla envolvendo publicações que associaram Flávio Bolsonaro à suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Na quarta-feira (30), o plenário do TSE manteve a determinação para a remoção de conteúdos que apresentem como fato a alegação de que Flávio Bolsonaro ou sua família propôs, apoiou ou pretende promover a retirada do título da santa. O candidato nega que exista qualquer proposta de sua autoria com esse objetivo.

O caso ganhou dimensão nacional após a circulação de publicações nas redes sociais e chegou a envolver mais de mil links analisados pela Justiça Eleitoral. Decisão anterior do ministro André Mendonça havia determinado às plataformas a retirada de conteúdos identificados pela campanha de Bolsonaro. Entre os perfis atingidos estavam políticos, personalidades e o próprio Pedro Rousseff.

O julgamento, porém, estabeleceu diferenças entre afirmações apresentadas como fatos e manifestações classificadas como crítica, opinião ou sátira. Nesse contexto, o TSE decidiu manter no ar uma postagem do humorista Antonio Tabet, após divergências entre os ministros sobre o alcance das determinações de retirada de conteúdo.

A controvérsia teve como um de seus antecedentes um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli e arquivado pela Câmara dos Deputados em 2008. A proposta antiga passou a ser mencionada durante a campanha de 2026 e é defendida por pessoas próximas à Flávio Bolsonaro, como o pastor J.B Carvalho.

Pedro Rousseff fala em censura

Pedro Rousseff contesta a representação e afirma que a iniciativa da campanha adversária atinge sua liberdade de manifestação política.

“Justo o Flávio, que se gaba de ser um defensor da liberdade, quer me censurar. Mas o povo sabe que a turma que anda com ele é a turma que já quebrou Nossa Senhora na televisão, isso não é mentira”, afirmou o candidato a deputado federal.

A manifestação que motivou a nova ação foi publicada por Rousseff com imagens do pastor criticando Nossa Senhora Aparecida. No vídeo divulgado pelo petista, a mensagem associa o episódio ao ambiente político de uma eventual Presidência de Flávio Bolsonaro. A campanha do candidato do PL contesta justamente essa vinculação e sustenta que não há relação entre o presidenciável e o episódio ocorrido em 2023.

Fonte: Brasil 247

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