Fim da “taxa das blusinhas” afeta varejo e indústria têxtil; vendas caem

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Por Otávio RossoBrasil 247

247 – As vendas do varejo de tecidos, vestuário e calçados registraram forte retração em julho, em meio aos primeiros efeitos da isenção do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, medida conhecida como fim da “taxa das blusinhas”.

Segundo dados da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, o setor caiu 4,7% em volume na comparação com julho do ano anterior. Foi o segundo mês seguido de queda depois da edição da medida provisória que retirou a alíquota de 20% sobre esse tipo de compra. Em junho, o recuo havia sido de 1,7%.

Na comparação com o mês imediatamente anterior, o desempenho também foi negativo. As vendas em volume caíram 2,7% em julho ante junho. No mês anterior, já havia sido registrada retração de 3,2% frente a maio. Em maio, último mês antes da piora mais acentuada da curva, o setor havia crescido 3,4% na comparação mensal e 3,6% contra o mesmo período do ano anterior.

A queda surpreendeu parte do mercado. De acordo com a apuração do Valor, consultores de varejo esperavam avanço de 0,8% a 1% nas vendas de tecidos, vestuário e calçados em julho, na comparação com junho. A consultoria 4intelligence projetava alta de 1% para o período.

Para representantes do setor ouvidos pelo jornal, os números indicam que a retirada da cobrança sobre importados de baixo valor já começa a afetar as redes nacionais. “É um sinal de que o fim da alíquota de 20% já está batendo nas vendas das empresas”, afirmou um consultor e integrante do conselho de administração de uma rede brasileira de moda.

Um executivo de uma rede de departamento também associou a piora do desempenho ao novo cenário tributário, embora tenha citado outros fatores. “É preciso considerar nessa conta a instabilidade do clima que temos sentido, mas esse não foi o fator mais preponderante. De maio para o final do mês de julho, ouvimos que houve queda de 15% a 20% na demanda por determinados itens nas grandes redes de moda”, disse ao Valor.

O acumulado do ano reforça a mudança de tendência. De janeiro a julho, as vendas em volume de tecidos, vestuário e calçados passaram a acumular queda de 0,9%. Até junho, a retração acumulada era de 0,2%. Entre janeiro e maio, antes da entrada em vigor da medida provisória, o setor ainda apresentava leve estabilidade, com alta de 0,1%.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou em 10 de setembro a lei que zerou o imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50. A norma teve origem em uma medida provisória editada em maio pelo governo, que já havia retirado a alíquota de 20% desses produtos.

A decisão foi criticada por empresários do varejo nacional, que passaram a apontar risco de perda de competitividade diante de plataformas estrangeiras. Lula, porém, afirmou na cerimônia de sanção que via exagero nas reclamações do setor e defendeu a medida como uma forma de correção tributária.

“Se a gente isenta quem compra (até) US$ 3 mil, por que não pode isentar quem compra até US$ 50? Qual o ganho que o Estado tem cobrando imposto de quem compra US$ 50? Eu acho que é meio falso o discurso dos empresários que dizem que vão ter prejuízo. Vamos deixar o tempo passar para ver quem está com a verdade”, disse o presidente.

Na mesma ocasião, Lula afirmou que a isenção buscava beneficiar consumidores que não têm acesso a compras de maior valor no exterior. “Estamos fazendo um reparo, dando às pessoas que não viajam de avião, que não podem comprar vinho, uísque, blusa de couro chique, que possam comprar uma coisinha menor”, declarou.

Pela lei aprovada, o governo deverá acompanhar de forma regular os dados do setor para avaliar eventuais efeitos da medida sobre os indicadores econômicos e, se necessário, ajustar as condições para reduzir impactos negativos sobre empresas nacionais. Ainda não está definido, porém, como esse monitoramento será aplicado na prática.

Fonte: Brasil 247

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