Fim da reeleição não significará Tarcísio em 2030

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Por Leopoldo Vieira — Brasil 247

A promessa do senador Flávio Bolsonaro de aprovar o fim da reeleição, com possível ampliação do mandato presidencial de quatro para cinco anos, já a partir de uma eventual gestão sua, não significará uma transição para um governo federal comandado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a partir de 2031.

A expectativa no campo bolsonarista é que, caso eleito, Flávio priorize a anistia aos condenados pela intentona golpista de 8 de Janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro, para ser reabilitado, inclusive, para voltar a disputar o Poder Executivo na eleição nacional seguinte.

Essa reabilitação não dependerá necessariamente de uma anistia aprovada pelo Congresso Nacional ou de uma iniciativa do presidente da República, mas do Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de decisões que alterem a situação jurídica do ex-presidente.

Com uma nova correlação de forças no Senado, mais favorável ao impeachment de ministros do STF e à aprovação de reformas constitucionais, a Corte passará a atuar sob tutela, ainda que implícita, da Casa Alta. “Mais ou menos como a Delcy Rodríguez para o Marco Rubio”, prevê um influente interlocutor da oposição.

Nesse sentido, o foco não deverá ser o ajuste fiscal, mas Bolsonaro e a pressão sobre o STF com esse propósito. Para acomodar o mercado financeiro, sobretudo para evitar que o processo de reabilitação do ex-presidente se reflita negativamente nos preços dos ativos, a iniciativa que unirá Executivo e Legislativo deve ser o pacote econômico com cortes de R$ 200 bilhões, envolvendo o salário mínimo, a Previdência e os recursos destinados à saúde e à educação. Em paralelo, a proposta de fim da reeleição, abrindo caminho para a manutenção da hegemonia da direita.

Para fechar a conta com o Centrão, que já adere à candidatura do senador Bolsonaro no segundo turno e projeta ampla governabilidade potencial a ele, a contrapartida tenderá a ser a preservação e a ampliação do status quo das emendas parlamentares, aproveitando a vulnerabilidade do STF, além do redirecionamento de iniciativas jurídico-policiais, na esteira do caso do Banco Master e das fraudes nas aposentadorias, contra a esquerda.

Desde que foi lançada, no final de 2025, a candidatura de Flávio tem Bolsonaro no centro de sua estratégia, numa escala de objetivos indo da manutenção da prisão domiciliar à redução de penas, passando pela anistia e chegando à reabilitação plena. Em caso de vitória, o mercado e os demais agentes econômicos devem ser atendidos na medida em que seus interesses convirjam com esse projeto, que, na prática, pode renovar o ciclo da polarização.

Fonte: Brasil 247

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