Fim da escala 6×1 repercute no exterior como vitória de Lula antes do segundo turno

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Por Aquiles Lins — Brasil 247

247 – A aprovação da proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1 no Brasil ganhou destaque na imprensa internacional, que classificou a medida como uma importante vitória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. Os jornais britânicos Financial Times e The Guardian ressaltaram tanto o alcance social da mudança quanto seus possíveis efeitos na disputa eleitoral contra Flávio Bolsonaro (PL).

Os dois veículos internacionais deram destaque à votação realizada na noite de quarta-feira (14), quando o Senado aprovou, em dois turnos, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários. A medida representa uma das principais bandeiras trabalhistas defendidas por Lula durante seu governo e na campanha pela reeleição.

O Financial Times apresentou a decisão do Congresso como o cumprimento de um compromisso central do presidente brasileiro. Em reportagem intitulada “Brasil acaba com a semana de trabalho de seis dias em vitória para Lula”, o jornal relacionou diretamente a aprovação da proposta à trajetória política do petista, que iniciou sua carreira como dirigente sindical.

A publicação destacou que milhões de brasileiros empregados formalmente ainda trabalham seis dias por semana e têm apenas um dia de descanso, conforme dados do Ministério do Trabalho. A alteração constitucional representa, portanto, uma mudança significativa na organização da jornada de trabalho no país.

Financial Times destaca promessa cumprida por Lula

Ao analisar o significado político da aprovação, o Financial Times ressaltou que a votação ocorreu pouco mais de uma semana antes de Lula enfrentar Flávio Bolsonaro nas urnas.

“O Legislativo brasileiro votou pelo fim da semana de trabalho de seis dias na maior economia da América Latina, cumprindo uma promessa emblemática do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pouco mais de uma semana antes de o político de esquerda enfrentar um segundo turno eleitoral”, escreveu o jornal, em tradução reproduzida por O Globo.

O veículo também chamou atenção para a biografia do presidente, de 80 anos, cuja atuação no movimento sindical marcou sua ascensão política. A aprovação da mudança na jornada de trabalho foi apresentada como uma conquista diretamente associada a essa trajetória.

Na avaliação expressa pela cobertura internacional, a medida oferece a Lula um resultado concreto em uma área de forte interesse dos trabalhadores justamente na reta final da campanha presidencial.

The Guardian aponta impacto para mais de 30 milhões de trabalhadores

O jornal britânico The Guardian também apresentou a aprovação da PEC como uma vitória do presidente brasileiro. A reportagem recebeu o título “Brasil reduz semana de trabalho para 40 horas em vitória para Lula antes do segundo turno”.

Segundo a publicação, a mudança constitucional poderá atingir mais de 30 milhões de trabalhadores, tornando-se uma das alterações mais abrangentes nas regras de jornada de trabalho do país.

O Guardian observou que Lula defendeu intensamente a proposta durante a campanha eleitoral, em um momento em que busca superar a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno da eleição presidencial.

A reportagem também destacou as mudanças de posicionamento do candidato do PL em relação ao tema. De acordo com o jornal, Flávio Bolsonaro passou meses se opondo à redução da jornada, mas modificou seu discurso na terça-feira (13), depois de reconhecer que “a maioria dos trabalhadores brasileiros” apoiava a proposta.

A mudança de posição do senador ocorreu na véspera da aprovação da PEC pelo Senado, em um contexto de ampla mobilização social em defesa do fim da escala 6×1.

Oposição à proposta teve apenas um voto no Senado

Outro aspecto ressaltado pelo The Guardian foi o isolamento da oposição durante a votação. Conforme a publicação, o único voto contrário à proposta foi registrado pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos), que ocupou a Vice-Presidência da República durante o governo de Jair Bolsonaro, pai do atual candidato presidencial do PL.

A votação evidenciou a amplitude do apoio parlamentar à mudança na jornada de trabalho, apesar das divergências políticas que marcaram o debate sobre a proposta.

O jornal britânico também reproduziu a manifestação de Lula nas redes sociais, na qual o presidente comemorou a aprovação e enfatizou os benefícios da redução da jornada para a vida cotidiana dos trabalhadores.

“Acabar com a escala 6×1 é mais do que mudar a jornada de trabalho. Significa mais tempo para viver, descansar, estar com a família, ver os filhos crescerem, cuidar de si e aproveitar a vida”, afirmou o presidente em publicação no Instagram.

A declaração reforça o argumento defendido pelo governo de que a redução da jornada não se limita às relações de trabalho, mas também envolve o direito ao descanso, à convivência familiar e à qualidade de vida.

Mudança será implementada gradualmente

A repercussão internacional também abordou os próximos passos necessários para que as novas regras sejam efetivamente aplicadas.

O portal britânico International News destacou que a aprovação da proposta não significa uma alteração imediata da rotina dos trabalhadores. A implementação da nova jornada ocorrerá de maneira gradual, após a formalização da emenda constitucional.

A redução da carga semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, constitui o principal ponto da mudança aprovada pelo Senado. O processo de transição deverá permitir a adaptação das jornadas às novas disposições constitucionais.

Além dos efeitos sobre as relações de trabalho, a aprovação passou a integrar o debate político internacional sobre a eleição brasileira. A proximidade do segundo turno contribuiu para que veículos estrangeiros relacionassem a conquista legislativa à campanha de Lula.

A cobertura do Financial Times e do The Guardian evidencia que o fim da escala 6×1 ultrapassou as fronteiras brasileiras e passou a ser acompanhado como uma mudança trabalhista de grande alcance, associada à agenda social do presidente e à disputa pela continuidade de seu governo.

Fonte: Brasil 247

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