Fake news contra Flávio Bolsonaro expõem hipocrisia no discurso da esquerda

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Por Cilas Gontijo — Jornal Opção

Fake news contra Flávio Bolsonaro expõem hipocrisia no discurso da esquerda

A campanha presidencial de 2026 está mostrando que o discurso de combate às fake news pode mudar de tom quando o alvo é um adversário político. Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro (PL) passou a ser alvo de conteúdos divulgados por apoiadores de Lula da Silva (PT) nas redes sociais, alguns dos quais foram contestados na Justiça Eleitoral. O caso envolvendo os deputados André Janones e Lindbergh Farias, que tiveram um vídeo retirado por determinação do TSE, levanta uma pergunta incômoda: vale tudo para desgastar um adversário na disputa pelo Palácio do Planalto?

André Janones não é um personagem qualquer nessa história. Conhecido pela atuação agressiva nas redes sociais em defesa do governo Lula (PT), o deputado voltou ao centro de uma polêmica envolvendo acusações contra Flávio Bolsonaro. O problema é que a disputa política não autoriza ninguém a atribuir ao adversário propostas que ele não apresentou. Quando uma informação não encontra respaldo nos fatos, o debate deixa de ser uma disputa legítima de ideias e passa a comprometer o direito do eleitor de fazer uma escolha consciente.

O discurso contra a desinformação vale para todos?

O episódio também coloca em xeque a coerência de setores da esquerda que, durante anos, cobraram providências contra a desinformação e defenderam medidas rigorosas para conter a circulação de notícias falsas. O combate às fake news é necessário, mas não pode funcionar conforme a conveniência de cada grupo. Não faz sentido condenar a mentira quando ela prejudica um aliado e relativizá-la quando atinge um adversário. Se a regra vale para um lado, precisa valer para o outro também.

Lula, como principal liderança desse campo político, não pode tratar o assunto como se fosse um problema menor. Não há, apenas pela proximidade política, prova de que o presidente tenha participado da produção ou da divulgação dos conteúdos contestados. Mas é legítimo cobrar dele uma posição clara contra práticas que possam distorcer o debate eleitoral. Quem defende a democracia precisa demonstrar esse compromisso também quando a desinformação parte de pessoas que apoiam seu próprio projeto político.

O próprio Lula disseminou essas informações ao atribuir a Flávio Bolsonaro a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, entre outras declarações.

Aliás, vale ressaltar que, quando Flávio afirma que o Brasil é do Senhor Jesus, tanto católicos quanto evangélicos e fiéis de outras denominações cristãs podem interpretar a declaração como uma manifestação de fé, uma vez que Jesus Cristo ocupa lugar central no cristianismo. Essa compreensão também está presente na doutrina católica, que reconhece Jesus Cristo como o único Salvador da humanidade.

O “tesouraço” de Lula

O presidente Lula da Silva (PT) voltou a associar Flávio Bolsonaro (PL) a possíveis cortes de direitos sociais durante um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo, 11. Ao falar sobre a disputa presidencial, Lula mencionou um suposto “tesouraço” contra trabalhadores e aposentados. O problema é que uma acusação dessa gravidade não pode ser lançada ao público como se fosse um fato comprovado, principalmente quando o alvo é um adversário na corrida pelo Palácio do Planalto.

A declaração reforça a estratégia de pressionar politicamente Flávio, associando sua candidatura à possibilidade de perda de direitos. Questionar propostas é legítimo e faz parte de uma eleição democrática. O que precisa ser esclarecido, porém, é se a acusação tem fundamento concreto ou se está sendo usada para alimentar o receio de trabalhadores, aposentados e pessoas de baixa renda.

A campanha de Flávio Bolsonaro nega que o senador pretenda cortar benefícios sociais ou retirar direitos da população. Diante dessa divergência, cabe apresentar os fatos, confrontar as declarações com as propostas efetivamente defendidas pelo candidato e permitir que o eleitor tire suas próprias conclusões. Em uma disputa presidencial, a crítica política é necessária; transformar uma possibilidade não comprovada em certeza, por outro lado, pode comprometer a qualidade do debate público.

A Justiça Eleitoral precisa agir com coerência

Isso vale para a Justiça Eleitoral. Em 2022, Alexandre de Moraes, então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, fez um alerta contundente sobre as consequências da divulgação de notícias fraudulentas durante a campanha. A mensagem era clara: a liberdade de expressão não serve de escudo para práticas capazes de comprometer a lisura das eleições. Agora, diante de novas denúncias, a sociedade tem o direito de cobrar coerência na aplicação das regras. A lei não pode ser dura com uns e tolerante com outros por conveniência política.

Também é preciso ter cuidado para não transformar toda crítica a um candidato em fake News. Campanhas eleitorais comportam ataques, cobranças e questionamentos legítimos. A diferença está na existência de provas, na fidelidade aos fatos e na intenção de apresentar ao eleitor informações verdadeiras. É justamente por isso que as denúncias precisam ser apuradas com seriedade, assegurando-se o direito de defesa e a punição de quem comprovadamente tenha cometido irregularidades.

A mentira não pode virar estratégia eleitoral

O que não se pode aceitar é que a mentira se torne uma estratégia eleitoral e que a popularidade de quem a divulga sirva de proteção. Parlamentares, militantes, influenciadores e dirigentes partidários precisam responder pelo que publicam, sobretudo quando alcançam um grande público nas redes sociais. Se a Justiça Eleitoral identificar irregularidades, deve agir dentro da lei, sem distinção de cor partidária, afinal, a Justiça Eleitoral existe para proteger a democracia.

No fim das contas, a questão vai além de Flávio Bolsonaro, Lula, Janones, Janja e outros.  O que está em jogo é a credibilidade da própria disputa eleitoral. A esquerda, que tantas vezes cobrou dos adversários responsabilidade no uso das redes, precisa mostrar que leva essa bandeira a sério também quando seus aliados são questionados. E as autoridades têm o dever de fazer cumprir as regras. Democracia não combina com desinformação seletiva: a verdade não pode ter lado, e a lei não pode escolher a quem punir.

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Fonte: Jornal Opção

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