Expectativa de vida longa expõe urgência de cuidados para mulheres negras
Por germana accioly — Partido dos Trabalhadores
FILIAR É UM ATO DE LUTA.
O Partido dos Trabalhadores nasceu da coragem de quem nunca aceitou a injustiça como destino.
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Historicamente elas se dedicaram a trabalhos precários, muitas vezes não remunerado e sem aposentadoria. Projeto de lei reconhece essa realidade e ampara essas mulheres na velhice
Da Rede PT de Comunicação
Publicado em 09/09/2026 às 15h49
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O avanço da transição demográfica no Brasil, marcado pelo envelhecimento populacional e pela queda na taxa de natalidade, impõe desafios profundos e desproporcionais sobre a vida das mulheres negras, que historicamente acumulam jornadas de cuidado não remunerado em seus próprios lares, com trabalho doméstico precarizado em outros domicílios, frequentemente sem cobertura previdenciária em nenhuma dessas dimensões.
Com uma expectativa de vida cada vez mais longa e redes de apoio familiar mais enxutas, elas enfrentam o duplo desafio de garantir o sustento das famílias e cuidar de idosos e dependentes. É nesse cenário que uma nova medida de proteção para quem dedicou décadas da vida ao cuidado não remunerado está em vias de avançar no Congresso Nacional.
Apresentado pela deputada federal Carol Dartora (PT-PR), o PL 2678/2026 institui o Benefício de Reconhecimento do Trabalho de Cuidado Não Remunerado, criando uma rede de proteção assistencial e previdenciária voltada justamente para trabalhadoras que assistiram dependentes sem qualquer contrapartida financeira.
O benefício proposto oferece uma resposta prática e institucional para conter o avanço da vulnerabilidade social diante do novo cenário demográfico do país, marcado pelo envelhecimento populacional e pela queda na taxa de natalidade.
O documento enfatiza que, de acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de 2025, 92% das pessoas ocupadas em serviços domésticos remunerados eram mulheres, sendo 53% delas negras. Por isso, o benefício, quando aprovado, será um diferencial dessa parcela da população brasileira. “O fundamento desta proposição é direto: cuidar é trabalhar”, atesta a matéria.
Para a deputada, mitigar os efeitos da transição demográfica passa obrigatoriamente pela criação de uma rede pública robusta de creches, escolas em tempo integral e centros de cuidado para idosos.
“O futuro do Brasil passa, obrigatoriamente, pelas mãos, mentes e lideranças das mulheres negras. Garantir espaço para elas hoje é salvar o futuro demográfico e democrático do nosso país”, diz.
No poder executivo também são criadas iniciativas para assistir às mulheres, diminuindo o peso com os cuidados domésticos, mitigando o impacto do envelhecimento e garantindo o bem estar dessas mulheres.
O Governo Federal no terceiro mandato do presidente Lula criou, em 2023, o Grupo de Trabalho Interministerial que envolveu 20 ministérios liderados pelo Ministério das Mulheres e pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), para estudar a criação da Política Nacional de Cuidados do Brasil. A proposta é fortalecer as redes públicas de assistência social e a implementação de ações afirmativas que assegurem a inclusão dessas mulheres em empregos formais e sistemas de previdência mais justos.
Outro grupo que tem se preocupado com o tema é o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável, o famoso “Conselhão”, que também tem se esforçado para construir um planejamento que acolha e valorize as diversas velhices. Segundo Rosângela Hilário, Coordenadora da Comissão de Combate das Desigualdades do Conselhão, o fenômeno da Transição Demográfica chegou para o Brasil em tempo recorde: em 30 anos, em função de vários fatores.
“O número de nascimentos caiu e a longevidade se ampliou. Hoje, não é incomum encontrar pessoas com 100 anos ou perto disto. Pode ser uma oportunidade incrível para combater desigualdades ou ampliá-las”, diz Rosângela.
Ela afirma, ainda, que “envelhecer custa caro. Envelhecer sem planejamento, proteção e dignidade é mais caro”. Ela aponta que uma das questões mais preocupantes com relação à transição demográfica é o empobrecimento das famílias negras em função do envelhecimento em situação de vulnerabilidade.
“As mulheres negras, que impulsionam as famílias e são as responsáveis principais pela renda, cuidam dos mais velhos e mais novos, e ninguém cuida delas e além disto, 42% da população negra ainda trabalha na informalidade. Ou seja, o caos é ainda maior”, resume Rosângela Hilário.
Da redação do Elas por Elas.
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Fonte: Partido dos Trabalhadores